sábado, 25 de novembro de 2017

Apresentação



Não faz muito tempo que o então Ministro da Cultura Gilberto Gil adicionou o videogame/game/jogo eletrônico na lista daquilo que pode ser considerado expressão artística - vulgo, arte.

E da mesma forma que vemos por aí as tipologias mais antigas (como a pintura) e intermediárias (como o cinema) cheias de reflexão, análise e crítica, eu, como gamer, sempre achei que os games mereciam exatamente o mesmo tratamento.

Neste blog, quero buscar fazer questionamentos dos quais os gamers ou e principalmente seus analistas e críticos não fazem; quero pensar a respeito do que é um game e o que nos faz apreciá-lo - o que estaria por trás disso, tanto nele quanto em nós, como seres humanos. Quero uma autêntica filosofia (ou mesmo, psicologia) sobre games. Assim, usando minhas (ou nossas, deveria dizer) ferramentas de conhecimento, que vão do espiritual e mitológico ao científico.

Mas antes, permitam-me me apresentar, tanto como pessoa, tanto como gamer.

Me chamo Jean Klement Fernandes. Nasci no ano de 1990 e sou formado em psicologia. Ganhei meu primeiro console aos quatro anos de idade, comprado pela minha madrinha - nosso querido Super Nintendo. Por consequência, o primeiro game que joguei (e adorei!) foi nosso também querido Super Mario World. Obviamente, depois as coisas foram mudando, com o tempo e as experiências, mas a primeira acho que é a que a nunca esquecemos, certo?

Em seguida, ganhei um Nintendo Entertainment System (em forma de Dynavision, infelizmente), o que pode parecer estranho, pois regredi uma geração. Mas foi assim - e vou dizer, enquanto o jogava, nem sentia tanta falta do SNES ou pensava em sua "capacidade gráfica", afinal, eu era uma criança (ou mesmo, na época isso nem importasse tanto). Logo em seguida, depois de um tempo com o NES e principalmente tendo experiências que não eram de meu poder, jogando em aparelhos que não eram meus - Arcade, Playstation e Nintendo 64, recebi o veredicto: ganhei mais ou menos aos oito anos um Playstation (depois de uma "volta" ao SNES). E então segui por este caminho por mais uma geração, comprando um Playstation 2.

É importante citar que tive também o que posso chamar de "experiências paralelas" antes e depois do PS2, no caso, um Game Boy Color e meu primeiro oficialmente PC Gamer. Em seguida já ganhei o meu segundo, ficando assim um certo tempo de novo afastado dos consoles. Foi então que resolvi voltar e mais uma vez, "virei a casaca", como posso dizer, comprando um Xbox 360. E neste caminho continuei até há um pouco mais de um ano, quando, de novo, segui pelo mesmo caminho, comprando um Xbox One - meu console e "realidade gamer" atual.

Como se pode notar, tive experiências pelas três maiores empresas do mundo gamer atual. Em relação a história em si, das empresas que realmente conseguiram lançar consoles de sucesso, a única que não visitei foi a Sega - que infelizmente ou felizmente, hoje, todos nós gamers praticamente podemos desfrutar. Também faço questão de citar a SNK, empresa que tive e estou tendo experiências muito boas, com suas franquias - o que certamente nos leva a crer que muitos foram felizes com seus consoles da série Neo Geo.

Além disso, também fui PC Gamer e jogador de "videogame portátil", me sentindo, como posso dizer, alguém que navegou por praticamente todas as "águas gamers". O tipo de plataforma que menos joguei foram os Arcades, provavelmente devido a sua diminuição de popularidade com a chegada dos consoles no Brasil (sei que no Japão são febre até hoje), além de questões como os mesmos terem em pequena quantidade em minha cidade. Assim, tenho alguma propriedade para falar sobre o assunto. E para ser justo comigo e com vocês, confesso que as formas mais modernas de jogar, realidade virtual ou movimentação, acabei não experimentando - gostaria, mas mais pela experiência pois não me parecem promissoras.

Não me considero um grande jogador, do tipo que terminou centenas de games ou possui técnica em nível de competição profissional. Sou apenas um degustador das partes de um game das quais eu mais aprecio. Você já se fez esta pergunta? Do tipo, "o que é o mais importante em um game para mim?". Bom, no meu caso, em nível geral e observando meu histórico, acredito que seja justamente esta parte mais teatral dos games - o enredo, o carisma dos personagens e as músicas. Muitos podem responder que é simplesmente a diversão, mas tenho certeza que nosso conceito de diversão é único e pessoal.

Me lembro de games que joguei que deixavam muito a desejar no aspecto técnico - citando um que joguei no PC, o desconhecido Blair Witch: The Elly Kedward Tale - mas que conseguiam me prender de uma forma que aclamados como Black do PS2, não. Este game, Blair Witch, era horrível tecnicamente. Mas a história do game, então aterrorizante, sua trilha e seus cenários fizeram com que o jogo me marcasse. Tanto que estou falando sobre ele hoje aqui.

Quanto aos assuntos mais contemporâneos: youtubers e jornalistas, guerra de consoles e etc, sinceramente, não são algo que, de fato, mexem comigo ao extremo. Obviamente, o que irei escrever irá se basear mais nas experiências que tenho com o Xbox One, assim como o passado. Ou mesmo este momento (pegando as duas últimas gerações) de remakes, relançamentos e remasters, onde podemos vivenciar experiências antigas através do novo. Recentemente, descobri velhas franquias que não havia jogado na época (ou jogado pouco) e as experiências com elas estão sendo bem positivas. Citando algumas: The King Of Fighters, Fatal Fury, Virtua Fighter, Soul Calibur, Metal Slug e vai por aí. Um salve para a retrocompatibilidade e para a "filosofias dos remakes" - questionada por tantos, mas que particularmente, aprecio.

A série que hoje posso chamar de "minha preferida atual" (afinal, posso dizer que já foram várias no passado), também descobri há menos de um ano, no caso, Assassin's Creed. Tenho jogado e terminado todos os games da série principal desde então - mais uma vez provando que o que mais importa para mim é a parte artística do jogo e não necessariamente a parte técnica. Atualmente estou no Syndicate, de onde vou diretamente para o Origins, que já faz parte de minha coleção.

Repararam já que temos épocas de games e franquias favoritas? Comigo foi assim. Comecei com Mario, depois fui para Mortal Kombat, PES, Pokémon, Tomb Raider, God of War e outros tantos que me não me lembro neste momento, até chegar em Assassin's Creed - uma verdadeira linha do tempo. Às vezes deixamos de gostar do que gostávamos, às vezes somente diminuímos a intensidade. Acredito que isto tem uma grande relação com o momento pessoal do qual passamos em nossas vidas.

Enfim, não quero estender demais o texto, mas acho que já deu para perceber que busco refletir sobre assuntos que a maioria dos gamers não reflete - ou não de maneira consciente. Quero nos fazer entender o que nos faz amantes deste hobbie (ou trabalho para alguns).

Se você quer mergulhar neste universo filosófico, leitor gamer seja muito bem-vindo! Espero poder contar, tanto com suas leituras quanto com o feedback para que o blog possa ter algumas visualizações - ainda que estejamos mais na era dos vloggers.

Obrigado e nos vemos no próximo texto.

Porquê Não Trocar de Xbox

 Existem pessoas que respiram o assunto dos videogames boa parte de seu tempo de lazer - eu sou uma delas. Os games também provaram que são ...