O relato desta situação está meio atrasado. Creio que já fazem uns quatro meses desde que abandonei este estilo de jogo.
Não sei bem explicar o motivo. O intuito deste texto é justamente descobrir isto, ver se meu estilo de jogo atual é melhor, assim como prever se possivelmente eu volto algum dia. Algo assim.
O cerne para entender todas as questões é acompanhar tudo, desde o início.
Para mim, pelo menos, toda essa coisa de conquistas ou aquilo que me achou mais atenção, os "percentuais" da Xbox Live, começou quando comprei o Xbox One em 2016. Isto porque meu Xbox 360 era desbloqueado e sabemos que as plataformas mais antigas não trabalhavam com estes patamares - a não ser questões semelhantes como pontuações e também, percentuais - estes sempre foram os que mais seduziram, tal como um obsessivo-compulsivo clássico.
Minhas primeiras experiências com o XONE, por total desconhecimento de serviços como os Games With Gold ou o EA Access (ainda não havia o Xbox Game Pass), foram com games-lançamento que comprei, como comprava jogo pirata, assim, sem refletir muito. Neles, porém, ao olhar meu perfil e ir descobrindo o mundo maravilhoso do Xbox, vi que haviam desafios a serem batidos. E eu estava disposto a consegui-los.
De início, como meus games eram todos triple A, rapidamente concluí que atingir cem por cento era algo um tanto quanto insano - ainda mais se você sempre jogou com o ímpeto simples de apenas terminar o jogo. Baixei esta exigência para setenta por cento, depois para cinquenta - algo acessível para os mortais. Mas ainda assim alguns jogos, teimavam em não atingir grandes números e tinham conquistas extremamente difíceis, umas ligadas ao online e outros jogadores, outras à DLC's. Assim, percebi que atingir os tais percentuais altos, não era algo viável para ser feito.
Foi então que conheci uma figura no Youtube - conhecido e polêmico integrante da comunidade verde, nosso querido ArnaldoDK.
Eu já conheci a Xbox Mil Grau e após os "exposed" deles em lendas como o Zangado, ou a questão da "gamertag fechada" dos jornalistas, fizeram eu dar mais importância à esta questão. No entanto, quando observava a forma de ser e jogar dos XMG e a de DK, percebi que era mais identificado com a cabra - um cara de origem humilde, que tinha que comprar seus jogos e nem sempre isto era possível. Também havia detalhes mais pessoais que não mencionarei, mas de todo, me achei bem parecido com o Arnaldo. Foi então que ouvi a sua grande marca, o maior gamerscore do Brasil ou o primeiro milhão.
Não sei bem ao certo qual foi o primeiro, mas eu tinha um certo preconceito com games indies - falta de informação mesmo. Foi então que decidi aumentar o meu gamerscore, assim como ArnaldoDK. Outra coisa me motivou também - conforme fui comprando os primeiros games, tinha eu a conta compartilhada com meu primo, um pré-adolescente, do qual o pai abominou seu desejo de ter um Xbox, quanto mais o gasto com games originais. Desta forma, Nicolas, o nome dele, dificilmente poderia comprar jogos, como um adulto como eu. Compartilhei a conta com ele por compaixão. Só que quando comecei a pontuar no gamescore, rapidamente ele começou a fazer a mesma coisa, o que considerei injusta a forma, pois era eu quem pagava cem por cento os jogos. Troquei então o compartilhamento dele com meu amigo, este, com emprego e dinheiro. Mais produtivo para mim.
E então, meio de forma automática, o negócio foi crescendo. Acompanhava sempre o quadro das "Deals With Gold" do Arnaldo e lá, sempre dava um jeito de fazer a festa. Lembro que alguns games foram prazerosos de jogar como Dear Esther, enquanto outros, aqueles que você joga com guia como Burning Test, aumentavam ao máximo meu nível de estresse. E claro que junto com isso não deixei de jogar meus Triple A, como as franquias Halo, Gears e Assassin's Creed.
Como todo bom gamescorer, descobri o site do TrueAchievements e então, comecei a estabelecer metas de onde eu queria chegar. Começou com vinte mil, trinta, até chegar aos cinquenta. E cada vez mais minha pontuação, em minha cabeça, me gerava uma "autoestima gamer" - a que eu não tinha para jogar shooters multiplayer. A coisa foi indo assim até eu chegar em minha grande meta, os cem mil. No entanto, foi neste período que eu terminei Tomb Raider Definitive Edition e começaram as conversas de transição de geração. Assim, me veio um pensamento de que eu deveria aproveitar melhor meu tempo com games de qualidade garantida - não havia tempo para experiências ou descobertas. Assim, abandonei o gamescore.
Hoje, depois de quatro meses jogando neste estilo, se fosse fazer uma comparação sobre mais ou menos diversão entre o ano passado e este, entre a vida do gamer individualista, que só busca terminar campanhas e o pontuador de indies, eu sinto que não existe uma diferença significativa, pois ambos os estilos têm suas belezas. Quando eu era gamescorer, lembro das pessoas vendo eu como aquele cara jogando os games estranhos sempre com a pontuação alta - e uma média de horas jogadas mais alta no videogame. Hoje, porém, como sou mais focado no término de jogos grandes, estes episódios são mais raros - por isso quando acontecem, fico bem satisfeito. Minha vida pessoal também mudou, com emprego e dedicação aos esportes. Menos horas para Xbox.
No fim, concluí que no meu caso, por não ser streamer ou youtuber, ninguém se importaria com a minha gamertag. Então, passei a me focar no término dos jogos grandes - não importando o tempo que levasse ou o menos tempo que tinha para jogar. Não me arrependo, pois de certo modo, jogar games indies "ruins" é como desperdiçar o potencial do Xbox, assim como seu próprio tempo. Sei que às vezes você quer jogar uma coisa mais "arcade" sem muita frescura naquele dia cansado - e para mim, jogos como os de luta ou esporte cumprem bem esta função, sem ligar para progresso ou história.
No fim das contas, meu grande objetivo é ter terminado pelo menos um jogo de uma franquia consagrada que eu goste - o que naturalmente me obriga a descartar algumas. Dragon Age é o exemplo que sempre cito. Agora, com o lançamento de Sekiro, Dark Souls acabou se tornando um sério candidato. No fim das contas, acredito que não vou ter muitos orgulhos para contar de grandes jogos que terminei, mas os que tenho, já bastam. Isto porque sinto que a forma como lido com os games hoje é bem mais saudável que ano passado - onde vivia uma vida sedentária e desprovida de renda.
Mas será que algum dia voltarei ao gamescore? Buscar chegar aos 150 mil?
Sinceramente, não me atrai muito. O dinheiro que gasto com estes jogos, sinto que poderia gastar em games de bem mais valor para mim - e não falo de lançamentos. Clássicos como Tomb Raider Legend que comprei esta semana, parecem importar mais para mim hoje do que aumentar meu gamescore - isto não muda minha vida em nada. Às vezes eu até questiono o a atividade de jogar videogame - se não deveria voltar para minha antiga vida de leitor e estudante neste tempo. Porém, percebo que merecemos um pouco de lazer nas vinte e quatro horas de nosso dia - fazermos aquilo que gostamos. E sei que videogame sempre estará lá, me esperando - não preciso me preocupar se vai estar disponível ou não. Da mesma forma, para terminar qualquer game que seja, preciso do esforço mental que assistir filmes, séries ou vídeos, não me proporciona. Hoje, praticamente abandonei o cinema, sendo minha única atividade tecnológica os games e a busca por informações sobre eles.
Assim, espero que mais campanhas cheguem ao fim pelos meus dedos. Obrigado pela leitura!
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