sábado, 6 de janeiro de 2018

Porque Comprei um Xbox One

Minha intenção era fazer um texto que apresentasse com propriedade as vantagens e desvantagens de todas as plataformas gamers do mercado atual, na intenção de ajudar quem busca um novo método de jogatina.

Infelizmente não foi possível.

Tudo isso por um motivo simples que tolamente percebi: isto é tão subjetivo, mas tão subjetivo que se sobrepõe ao fatídico. Além do mais, números ou nomes não são garantia direta de expressar o que um console ou PC é em seu todo ou em como se ajusta a determinada pessoa. Por isso, a única opção que encontrei foi contar a minha história pessoal e recente, de como escolhi o Xbox em detrimento de outras plataformas. Pretendo ser detalhista, no intuito de ajudar e passar a informação através de um relato pessoal. Mas é importante citar novamente que é algo pessoal e não a verdade geral de toda a coisa.

Minha história começa com uma observação de tempos mais antigos. De quando comprei o Xbox 360 desbloqueado.

Quando comprei este console da Microsoft, minhas plataformas eram o Playstation 2 desbloqueado e um PC Gamer um pouco mais forte. Obviamente que o PS2 tinha ficado para trás e minha fonte de game maior era o PC. Mas quando surgiu a nova geração e percebi que meu PC não conseguiu acompanhá-la, foi bem irritante. Isto porque este era meu segundo PC Gamer - haviam passado dois anos desde o primeiro. Esta obrigação de ficar fazendo upgrades ou comprar peças caras me desanimou. Isto que eu não jogava online ou dava muita bola para questões como travamentos, afinal, sou técnico em informática sabia sempre deixar o PC em boa manutenção. Então estabeleci que PC não seria mais para games, comprando meu Xbox 360 e meu primeiro notebook. Digamos que estou satisfeito com esta filosofia até hoje: console de mesa para jogar e notebook para trabalhar e demais utilidades.

Era 2010. Vamos então para 2016, onde a história realmente começa.

Iria me formar na faculdade este ano - sequer sabia do rito do "presente". E fiquei impressionado que uns ganhavam carros ou até apartamentos - a coisa era grande mesmo. Como achei besteira investir dinheiro em qualquer festa de formatura, meu desejo era poder investir em meu consultório - me formei em psicologia. Mas comprar um imóvel (ou mantê-lo em aluguel sem renda fixa) no centro de uma cidade e manter, era algo completamente fora dos meus padrões e dos de minha família. Também enfrentava um período difícil de saúde mental, chegando próximo de uma depressão. Decidi, por pequenas experiências em emuladores em meu notebook, que jogar fazia bem para minha cabeça. Me ajudava a ter paz. Estava mais certo que eu imaginava, mais tarde, descobri.

É importante citar que, em princípio, eu iria investir no 360.

O meu não tinha HD, planejava colocar um, além de instalar aqueles programas que lhe permitiam baixar games da internet e transferir para o console, vulgo pirataria. Como se nota, eu já apreciava sem saber a ideia de "jogo digital". Acabei vendo então que meu modelo de 360, o Arcade não era compatível com os maiores HD's da Microsoft e sequer com estes programas - estava completamente esquecido e dependente dos irritantes discos piratas, que fizeram eu aproveitar muito pouco a grandeza do que este console foi. Culpado fui eu obviamente, de investir em pirataria. De não buscar informação. Além de tudo, é importante citar os preços exorbitantes dos discos rígidos deste console - completamente absurdos pelo que traziam.

Eu já havia me irritado com tudo isso. Decidi então, investir em uma nova geração.

A oportunidade era agora. Já havia ganhado uma televisão Full HD de minha família como primeiro presente, pois a minha havia queimado em definitivo. Iria ganhar agora o presente de meus pais. Decidi que seria um console. Não pensem que eu era algum fã da Sony, Nintendo ou Microsoft: apenas queria o melhor console, não importando de que marca fosse - comigo também não tinha essa de "nostalgia Playstation"; se eu achasse o Xbox ou o Wii U melhores, o Sony cairia fora fácil. Em minhas pesquisas, apesar de ponderar comprar o Wii U, acabei o descartando por sua falta de jogos de outras empresas que não a Nintendo, hardware e o mais absurdo: games ainda mais caros que os das outras empresas. Ainda bem que fiz isto, pois o Switch estava chegando, logo ali.

Sobrou, para variar, a clássica disputa, tida por muitas como a maior da história dos games: Playstation versus Xbox.

A primeira coisa que ponderei foi o preço. De fato o Xbox estava mais barato. Eu me perguntava por que, afinal, os hardwares eram parecidos - os 10% a mais do PS4 não justificavam o preço que eu via, cerca de mil reais a mais. Então entendi que isto estava vinculado com a fabricação ou algo do tipo - o One era feito ou vendido em versão brasileira e o PS4, não. Recentemente havia ouvido a notícia que a Nintendo havia saído do país. O que me veio a cabeça era de que as empresas japonesas não estavam nem aí para o consumidor de terceiro mundo. Diferente da Microsoft que apenas com isto, já se mostrava decisiva em minha escolha. Depois descobri que era muito mais do que eu imaginava, em relação a Sony com o brasileiro.

Havia também a questão do HD externo.

Planejava eu nunca mais me incomodar com discos ou espaço. Assim ter um HD bom era algo de visceral importância. Descobri que o PS4 não aceitava HD's externos e para instalar os da Sony era necessário abrir o console, numa operação não recomendada para leigos. Devido ao meu "trauma" com os preços dos HD's do X360, eu já imaginava o preço alto dos de uma geração posterior e de uma marca "importada". É importante citar que hoje este fato mudou e a Sony resolveu permitir os HD's externos, finalmente. Mas não era a realidade de minha época, logo, pesou. Eu também não conhecia as vantagens da Live Gold ou o EA Acess. Meu conceito de videogames ainda estava na época do PS2 desbloqueado.

Mas havia mais uma coisa que eu ouvi falar. A tal da retrocompatibilidade.

Achei demais a ideia de poder jogar os games do 360 - uma oportunidade nova de viver uma geração que não vivi direito, como considero. Ouvi falar sobre um serviço semelhante no PS4, mas não tinha comparação. Era com o PS2 e alguns games custavam até 80 reais - dera eu pagando 80 reais por games de um console de 2001, além de não aceitar mídia física, diferente do One. Seria bom se fosse com o PS3 e claro, também com o PS2. Mas que os games custassem na base dos trinta reais. Oitenta por um game de PS3/360 já é um absurdo - mas que vale até pensar a respeito. Mas PS2 ou Xbox Clássico que seja, nem pensar.

Por fim aconteceu meu desafio final: o dos exclusivos.

Se optasse pelo Xbox, mais uma vez (como foi no 360), iria ficar sem um personagem marcante para mim, o espartano Kratos. Mas fora ele, que mais que tinha? Uncharted? Lembro de, quando ouvi e vi gameplays deste game e o sucesso dele, de ficar indignado, por ser grande fã da Lara Croft, achando que queriam substituí-la ou "copiá-la em versão masculina". Descobri então que a pegada do game era outra, mais focada no roteiro e mais linear, mas mesmo assim, não gostei da ideia. Explorador de tumbas, nos games, para mim só tem um - uma. Sou do tipo que não gosto de ter muitos games do mesmo gênero - gosto de variação. No Xbox também, nada diretamente me chamava atenção, a não ser o novo Killer Instinct - que só fui saber mais tarde que era exclusivo, tamanha ignorância. God of War e suas remasterizações não foram suficiente para me levar para o lado azul da Força. Depois de ponderar tudo isto, comprei o Xbox One, dando meu 360 como volta, comprando o segundo controle e o game Mortal Kombat X em mídia física.

Meu modelo já vinha com dois games digitais: Gears of War Ultimate e um a escolha entre Halo 5, Forza Motosport 6 e Rise of Tomb Rider. Escolhi Tomb, obviamente. Quando comecei a jogar, senti que havia feito a escolha certa - estava bem satisfeito com meu produto. Mas o sentimento de certeza foi para "amor" quando comprei Forza Horizon 3 - fiquei extasiado com a jogabilidade e os gráficos do jogo. Mais tarde descobri os serviços, dos quais gostei mesmo da Live Gold - EA Acess eu chamaria de razoável, mas por 60 reais valia a pena; infelizmente hoje o serviço foi para 109 reais, quase o dobro. Chegaria então o Game Pass e a retrocompatibilidade com o Xbox Clássico - experiências únicas, principalmente a segunda.

Mas o que mais me marcou (ou têm me marcado) foi a questão do gamescore. No Xbox 360 eu não dava muito bola para isto, embora gostava de ver que no único perfil que havia feito no console desde que comprei, offline, sem terminar jogos grandes ou indies, estava anos luz à frente de meu primo, que não administrava muito bem esta questão. Decidi então dar uma chance aos indies, dos quais eu tinha preconceito e, hoje, ouso dizer que conseguem me divertir mais que as grandes produções. Não virei um grande jogador online, mas volta e meia, obviamente que aproveito. Mas o serviço que mais gostei e mais uso são as Deals with Gold e os saldões - sequer imaginava eu que poderia comprar um grande jogo por bem menos que seu absurdo preço original - que inclusive era um preconceito que me impediu de migrar para a nova geração antes. Eu pensava que teria que jogar apenas os games que vieram junto com o console por um bom tempo, mas não. A Live Gold me mostrou isto. Uma pequena referência aos Games with Gold, ora bons, ora ruins. Mas a ideia, sempre boa.

E por fim, depois de um texto gigante, encerro por aqui. Acompanho no youtube principalmente as maiores referências que considero da comunidade Xbox, como ArnaldoDK e Xbox Mil Grau - sempre filtrando meu pensamento do extremismo deles. Respeito muito a Sony e a Nintendo, tanto que até pondero se compraria uma nova plataforma ou o "monstro" Xbox One X. Mas concluindo: recomendo o Xbox One S ou FAT para quem busca o melhor custo-benefício em jogos e é mais fã da cultura ocidental de games. Tiro, ficção científica realista e RPG's de ação vivenciados na Europa Medieval são a base desta cultura, diferente da oriental, onde vemos uma ficção científica mais fantasiosa, mais batalhas de corpo-a-corpo do que com armas de fogo e games que prezam mais pelo roteiro e jogabilidade linear. Curiosamente, eu sou grande fã da cultura oriental, tanto que Sleeping Dogs é meu game preferido de One. Mas o estilo de game japonês, salvo exceções como Yakuza, Nioh e Shenmue, raramente reproduz aquilo que gosto com fidelidade (vide Final Fantasy), acabando por serem fantasiosos demais, tais como os animes, repassando algo fora da realidade das tradições de artes marciais, Japão Feudal e China Imperial, samurais, budismo, mitologia e máfias chinesa e japonesa - coisas que eu gosto. Há jogos sim, mas são mais de nicho - e isto é encontrado no Xbox também.

Espero que tenham gostado de meu relato e, acima de tudo, que tenha ajudado quem está buscando por um console.

Namaste.


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