segunda-feira, 24 de setembro de 2018

A Realidade Sobre o Criador de Conteúdo

Antes de tudo, creio que seria prudente eu explicar o título do texto, pois sem sua compreensão, o mesmo pode acabar acontecendo com a postagem.

O que seria um Criador de Conteúdo?

Bom, para mim, não encontrei uma palavra unânime que se refira ao sujeito faz vídeos para tantos sites disponíveis hoje em dia - ao vivo ou não. Isto porque normalmente ele também está em sites e rede sociais e seu conteúdo também. Então, no geral pensem que estou falando do seu amado "youtuber" ou "streamer", mas que também é blogger, "facebooker", "mixer" e por aí vai. É importante ressaltar que irei me restringir ao meio gamer, pois caso contrário, o assunto ficaria muito abrangente.

Em minha vida, estas pessoas detém grande importância, pois desde que esta profissão surgiu, troquei completamente a televisão por eles. E a mesma coisa em relação aos sites "especializados". A maioria do conteúdo que uso na internet provém deles. O Youtube foi a maneira inicial que encontrei de poder "assistir sobre games", algo um tanto quanto raro na televisão aberta e com isto consumir um conteúdo com visual e som, diferente de um simples site ou qualquer outra forma de leitura sobre (coisa que fiz a vida inteira).

Antigamente eram as revistas de videogame que faziam este papel, que então foram substituídos pelos sites. A dimensão da coisa ficou tão gigantesca que estes aí receberam até o título de "mídia especializada" - algo inédito para o que antes era uma brincadeira. Obviamente que para o gamer hardcore nunca foi e de uma forma ou de outra, buscávamos nos manter sempre informados sobre os games e suas novidades, algo essencial para seu consumo.

Desta forma, assim como houve a primeira revolução (a das revistas), a segunda foi mais marcante. Por fim, acabamos chegando em uma geração (pelo menos para mim) em que houve outra revolução: construir e editar um vídeo já não era o bastante. Acabamos chegando na era dos vídeos ao vivo, as lives, do streaming. Que maneira melhor de você saber que aquela pessoa que produzia os vídeos ou sites realmente era alguém que jogava como você?

Isto então acabou se tornando algo crucial para mim. O produtor de conteúdo que não tenta minimamente demonstrar que joga videogame é totalmente sem credibilidade para até mesmo tweetar alguma opinião. Por ironia, eu acabei percebendo que os pequenos criadores (que jogam!), sim, muitas vezes não têm o mesmo carisma, intelecto ou respeito à ética do que os grandes (e talvez isto os mantenha lá), no entanto quando vão fazer algum comentário sobre games, aquilo acaba tendo bem mais valia que o generalista e frio mundo dos "grandes", assim como da mídia.

Percebe-se aqui um problema que muitos criadores enfrentam, algo que provavelmente ultrapassa o mundo virtual - a ausência do direito de podermos ser nós próprios, pois não nos "encaixamos" naquilo que faz sucesso ou não sei, "é o certo". Do lado "isento", o criador normalmente fica impossibilitado de dizer que odiou um jogo ou uma plataforma, caso contrário vai perder em audiência. A mesma coisa em relação ao próprio conteúdo produzido.

Não sei exatamente as regras, mas percebo que eu fosse um criador - algo que eu gostaria - provavelmente eu não faria sucesso. Primeiramente porque eu não usaria máscara e nem criaria um "personagem". Segundo porque eu não pretenderia fazer palhaçadas ou vídeos de humor ou brigas com outras pessoas - gostaria de produzir um streaming bem tranquilo de jogos que eu estivesse afim de jogar naquele momento, pouco importando a plataforma ou data de lançamento. Com isto tecer comentários sobre meu jogo sendo eu próprio - alguém que não é muito engraçado, com um certo jeito de alguém que preza pelo conhecimento e pelo respeito. Também jamais faria vídeos sobre minha vida pessoal. Sim, eu seria alguém bem sem graça - do ponto de vista do que é engraçado hoje.

Por isso eu admiro muito os criadores que apesar de saberem que estão remando contra a maré, nela continuam - são o mais autênticos possíveis. E ainda talvez acabem sabendo o osso do ofício de fazer alguns sensacionalismos, não tornam isso um hábito, mas algo mais secundário. Tão importante quanto a autenticidade, para mim é a oportunidade de ver o cara jogando, sem edições. Nem todos querem que "o vídeo fique mais dinâmico" e sim preferem saber que o cara joga, que é um verdadeiro gamer como aquele que o assiste.

Se tem algo que sempre desconfiei é do criador que consegue elaborar uma opinião sobre todos os jogos. Isto é praticamente impossível, a menos que ele literalmente não tenha vida pessoal.

A verdade é que todos nós temos preferências e momentos. Se as empresas me dessem jogos com o dever de eu fazer análise, tenho certeza que pelo menos a metade sairia algo, digamos, "mentiroso". Isto porque eu ou não conseguiria jogar tudo ou uma parte eu jogaria sem "tesão", o que torna ruim qualquer tipo de jogo. Somos seres humanos e os games são formas de entretenimento - é um tanto complicado se entreter com algo quando queremos nos entreter com outro.

Concluindo: pode até ser que uma hora eu arrisque e quem sabe meu material até faça sucesso. Da mesma forma, fico feliz por ter encontrado uma parcela (por menor que seja) de criadores que fazem algo com estes atributos que citei com essenciais - e tiro meu chapéu para eles. A arte está ligada, antes de tudo, a autenticidade. Por isso desconfie sempre daquele cara que tem opinião argumentativa sobre tudo - não é possível gostar de tudo ou entender do que não gostamos.

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