domingo, 11 de agosto de 2019

Gamer de Verdade - A Definição

Não sei bem se este termo sempre circulou as discussões sobre games, se surgiu na geração passada ou mesmo na atual, mas o fato é que é um conceito amplamente discutido por todas as comunidades. Neste texto, tentarei fazer uma abordagem mais filosófica e profunda, considerando todas as formas de visões e tentando chegar a uma espécie de veredicto - obviamente, o meu.

Esta discussão chegou em minha vida através dos influencers da Xbox Mil Grau e a "cobrança da gamertag" - antes disso, apesar de jogar videogame desde 1994, eu nunca havia ouvido. Sequer me lembro de qualquer conceito próximo ter passado pela minha cabeça - minha relação com os games era apenas jogar (o tanto que eu estava afim, o jogo que estava afim, naquele momento) e comprar revistas e visitar sites para me informar ou aprender sobre games que eu saberia que precisaria de ajuda.

No início, depois de ver os vários "exposeds" feitos pela XMG, concordei diretamente com a analogia deles - afinal de contas, me parece que isso se aplica em qualquer conceito de entretenimento quando vamos dar uma opinião ou um review: precisamos ter lido o livro ou visto o filme por completo para fazermos uma "análise técnica". No entanto, é importante salientar que no meu caso, pelo fato de não ser influencer ou coisa parecida, sempre também tive o costume de "dropar" todas mídias - filmes ou séries que, depois de um tempo assistindo, começavam a perder a graça, eu simplesmente deixava de ver. Com os livros eu tinha um nível de exigência maior comigo mesmo, afinal tenho uma relação de respeito maior com eles, por isso sempre me esforçava para chegar até o fim. No entanto, hoje este é um conceito que não me aplico mais, lendo apenas aquilo que me for interessante ou realmente necessário.

Em relação aos livros, percebi que isto é extremamente importante no que diz respeito ao aprendizado, pois quando você está lendo "empurrando", acaba deixando informações para trás ou mesmo criando uma experiência limitada com aquele material, eu diria. A questão é: será que isto se aplica aos filmes, séries ou games? Como psicólogo, acredito que sim - empurrar um desses com a barriga me parece ser um mal que você faz a você mesmo, pois entretenimento é para entreter, afinal. Sem dúvidas, chegar até o fim de qualquer mídia é um tanto quanto prazeroso (a sensação de dever cumprido), mas isso é mais um sentimento de ego do que produtividade, pois o quanto você realmente aproveitou deste material? Só que aí chegamos no ponto mais polêmico - a questão da opinião.

Antes de tudo, é importante salientar que qualquer experiência que você viva com qualquer forma de mídia está diretamente ligada com sua condição psicofisiológica do atual momento que você vai interagir com ela. Isto é bom - pois sempre teremos uma experiência diferente e nova com a mesma coisa - e ruim - pois nossa opinião fica, de certa forma, confusa, principalmente se for necessário eu fazer uma análise daquele material. Quando buscamos informações, buscamos a verdade e o tanto de relatividades que podemos encontrar é apavorante. Assim, acabamos por nos basear em maiorias, o que nem sempre nos levará ao que buscamos.

Mas voltando ao conceito inicial: será então que todas as mídias que não completei torna minha opinião pública sobre elas menos crível? Ou, também, será que as emoções, diversão e imersão que senti no jogo também são um fato a ser explorado? Parece que quanto mais reflito, mais a resposta vai ficando distante. Vou tentar responder as duas perguntas: acredito que o ideal seria que eu explicasse minha experiência pessoal com aquela mídia, me incluindo totalmente nela, dizendo o que senti e o que achei - mais: dizendo como eu estava nos determinados momentos que interagi com a mídia e o tanto que interagi. Desta forma, a experiência que passarei ao leitor será um tanto quanto mais intensa, humana e deixando claro que não se trata de uma verdade absoluta.

Também voltando ao conceito de ser gamer - o que me caracteriza com este adjetivo? Bom, se traduzirmos a palavra para o português chegaremos a algo como "jogador de jogos eletrônicos". Então pegamos este substantivo (jogador) e extraímos aquilo que o caracteriza (jogar). Acho que a definição básica é essa - para sermos gamers de verdade, precisamos jogar games! No entanto a polêmica começa em tudo que falei até agora - se jogamos mais, se jogamos menos, enfim...acredito que não exista regra alguma a não ser o ato de jogar - talvez a única que possamos colocar, por uma questão de justiça, é o fato do "jogar" ser um hábito de nossas vidas. Caso contrário, a pessoa de trinta anos de idade que jogou dez vezes por meia-hora na vida vai ser equiparada à que joga todos os dias e receber o título de gamer - o que é totalmente injusto.

Mas e o, vamos chamar de "entusiasta" - aquele cara que sabe bastante sobre games?. Lê, assiste vídeos, streamings...um verdadeiro estudioso, mas que não tem o jogar com um hábito: as outras formas de interações com os games lhe são mais interessantes. Será que podemos chamar este cara de gamer? Eu acho que no seco da palavra, não, pois ele não pratica sua definição, essência. No entanto, ele pode se intitular de outra maneira - estudioso, adorador, espectador...porém, gamer, acredito que não. E é no mínimo estranho pessoas que gostam de games mas não fazem questão de jogar - existe uma infinidade de motivos que podem explicar, mas de fato, o importante é separar o joio do trigo - quem joga de quem não joga.

Por fim, quero levantar uma pergunta de extrema polêmica e reflexão: será que alguém que assistiu dez vezes o streaming de um jogo completo, por mais que defina que foi apenas espectador, merece ter a opinião levada em conta na hora de alguém decidir se quer comprar esse jogo ou não? Eu acredito que sim, desde que ele deixe claro como foi sua participação - cognitivamente falando, sobre o estado de espectador conseguimos perceber coisas que como jogador, principalmente em jogos frenéticos, costumamos deixar passar. No entanto, existem patamares - o jogador da experiência completa, o jogador da experiência incompleta, o espectador e o mais "perigoso" de todos, que pode se encaixar em qualquer um que falei - no caso o fanboy, totalmente incapaz de compartilhar uma experiência crítica.

Mas como citei antes, o negócio vai além: uma pessoa com problemas psicológicos, em depressão por exemplo, que tende a desenvolver um perfil pessimista, ainda que não seja fanboy, também não terá a plena capacidade de gerar uma experiência confiável. Complicando ainda mais: você sabe que tem como dever fazer seu review, mas teve um dia ruim ou naturalmente não gosta do jogo que jogou - acaba sobrando para o consumidor.

Talvez a experiência mais válida sempre seja a individual - a que não releva opiniões alheias, o que é extremamente difícil na condição do uso que fazemos da internet ou do simples fato de gostarmos de games e termos contato com suas informações. Só que ainda assim, apenas uma tentativa não é válida - é sempre bom darmos mais de uma oportunidade para criarmos um conceito. Claro que em termos de consumir produtivamente, isso não ajuda muito, mas acaba por nos revelar aquilo que é mais importante - NOSSA opinião confiável sobre aquele jogo.

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