sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Sem Exclusivos

Gostaria, antes de tudo, de parabenizar o youtuber Salatiel do canal AMX Gameplays, de quem "roubei" a ideia para este texto. Pois é, de fato, como seria um universo gamer sem exclusivos?

Quando Sala falou que gostaria que fosse assim, rapidamente eu concordei. E se, como eu, Sala pode ter falado isto com um certo ceticismo pela total obviedade que isto não acontecer, vou além: vou tentar me aprofundar neste sonho. Por que não?

Antes de mais nada, eis a fonte da qual me inspirei. O texto é quase que completamente baseado no video, mas principalmente em seus comentários. Fiquem à vontade: https://www.youtube.com/watch?v=y2AupwktD1w

E o fato é que o desejo dos inscritos é unânime: concordam plenamente com a utopia.

É claro que já teve muito "economista" e "administrador em marketing" que afirmou que um mercado assim jamais daria certo. Primeiro, vamos partir do pressuposto do que é "dar certo" - para mim, trata-se da empresa obter lucro para então reinvestir, sempre aumentando a qualidade do produto deixando o consumidor feliz. Tudo isso se baseia na relação empresa-consumidor e a principal essência é o produto de qualidade - aqui entra, dentre tudo, principalmente o preço.

A primeira coisa que me veio à cabeça, saindo desta questão mais teórica óbvia, foi o Nintendo Switch. Afinal, o "pequeno" console da Nintendo é baseado totalmente na venda de exclusivos - devido à sua inferioridade em hardware, provavelmente pereceria, por um lado. Mas por outro, a existência de franquias poderosas no híbrido, tais como Halo, God of War ou Mortal Kombat poderiam fazer uma compensação desta perda. Voltando para o lado negro, porém, isto dependeria das empresas investirem no Nintendo, afinal, se sabe que devido suas características de hardware, o custo de produzir um game multiplataforma e incluir o Switch, acaba aumentando. Por fim entra o consumidor que pensaria se as características do console (como a portatibilidade) conseguiriam bater de frente com, por exemplo, o hardware de um Xbox One X. Restaria a Nintendo, como já fez em outras gerações, apelar para o preço. Eis a possível maior "vítima" do mundo gamer sem exclusivos.

Ao falar sobre o Nintendo Switch, percebi que basicamente, o mundo gamer funcionaria como já funciona nas duas grandes plataformas de mesa, Playstation e Xbox: uma hierarquia de preços.

Hoje, você tem a opção de desfrutar a geração completamente de acordo com sua rentabilidade. Há o de menor preço (Xbox One, Playstation 4), o intermediário (Xbox One S, Playstation 4 Slim) e o premium (Xbox One X, Playstation 4 Pro).

Assim sendo, se baseando pelo Brasil, o gamer, ao escolher seu videogame teria uma escala mais ou menos assim: Xbox One, Playstation 4, Xbox One S, Playstation 4 Slim, Nintendo Switch, Playstation 4 Pro e Xbox One X. E ele saberia que lá ele encontraria em todos um Halo, um God of War e até um Mario. Nem convém citar PC, pois se sabe de suas inúmeras possibilidades.

Mas na e "batalha dos grandes", como seria? Que motivos eu teria para escolher um Playstation e não um Xbox e vice-versa?

Aí acabariam entrando outros apelos, como inicialmente o hardware do console ou mesmo, o preço. Se estou ruim de grana, por exemplo, poderia optar pelo console mais barato de todos, o primeiro Xbox One ou investir um pouquinho mais e comprar um Playstation 4. No entanto aqui entrariam os fatores mais secundários e este seria um possível motivo do qual o Playstation poderia se complicar. Poderia.

Partindo do lado negro, se sabe que o único "serviço" que a Sony se utiliza é a PSNow, ainda incompatível com a realidade brasileira e quiçá, mundial - no exterior onde a internet é melhor, não sei se o problema é o "atraso" na possibilidade de rodar games em streaming ou se é a escassez de títulos disponibilizados pela Sony. Será que se neste serviço rolasse um FIFA, um GTA V ou um Call of Duty não poderiam melhorar exponencialmente a qualidade do serviço? Não há duvida. Porém, por mais que alguns países possuam velocidades de internet incríveis (indo desde "simples" 100mb até 1gb!), ainda fica difícil acreditar que não seja necessário uma internet de pelo menos uns 50 gb para rodar os 50 gb do jogo com extrema qualidade, sem lags. Aí entrariam outros fatores, como modem, empresa de telefone...enfim. De fato, melhorar o PSNow não seria tarefa fácil, o que pesaria contra a japonesa Sony.

Entraria então aqui seus concorrentes diretos: os verdes EA Acess e Xbox Game Pass. Enquanto um é baseado em jogos multiplataforma, o outro mantém contratos com várias empresas, além de ceder os lançamentos Microsoft atualmente. Se não houvesse exclusivos, como seria? Bom, primeiro acredito que nada mais justo seria que a Sony construísse seus serviços de aluguel, assim como aceitasse o EA Acess - sobre isto não há muito o que discutir. E na Microsoft, acredito que a única mudança seria a possibilidade de franquias da Nintendo e da Sony em seu catálogo. Quanto ao lance dos lançamentos Microsoft irem diretamente, bom, aí deixo este critério em aberto. Pessoalmente, acho que deveria ficar assim, pois caso contrário, seria descaracterizar demais o console.

Quanto ao Nintendo Switch, a mesma coisa - serviços de aluguel próprios da Nintendo, assim como o EA Acess. Também seria interessante que, assim como a Microsoft, o Playstation 4 e o Switch se utilizassem de métodos que favorecessem seus usuários quanto aos exclusivos. Sim, eles estariam lá nos outros consoles, mas os donos do console da marca poderiam manter algum privilégio pelo mesmo motivo que já citei - não descaracterizar demais os consoles. E obviamente que serviços não são tudo. Assim, tanto a Nintendo, quanto a Sony poderiam se utilizar de outros métodos em favor do consumidor - um deles, tão falado pelos jogadores de PS4, é o "gaming offline". Por que não?

Também ficaria mais viável o investimento em retrocompatibilidade, afinal, as possibilidades seriam maiores. Mesmo a Microsoft que já tem um serviço volumoso, poderia investir mais, trazendo mais jogos e se preocupando menos com direitos. A Sony e a Nintendo poderiam se dar muito bem investindo em seus mercados antigos - o que também ajudaria a manter a "essência" de um console. O grande porém é que se houvesse esta retrocompatibilidade, a "praga dos exclusivos" ainda existiria, afinal, o dono de Xbox One e Switch não poderia jogar um God of War 2 ou um dono de Playstation, um Super Mario World. No entanto o mercado dos games antigos não envolve tanto capital, o que seria algo "mais sereno". Também poderia acontecer algo maior, que eu acho que seria a melhor proposta: as empresas poderiam liberar ALGUNS de seus retrocompatíveis para os outros consoles. Não doeria. Por exemplo, Last of Us do PS3, não teria porquê, afinal, existe a versão remasterizada, o que daria vantagem para a Sony e seria algo mais realista. Da mesma forma que um Super Mario World, por toda importância cultural e até mesmo social que possui, poderia ser um grande presente que a Nintendo daria para as nações verde e azul.

Por fim, sobrariam os serviços de jogatina online, assim como as lojas. A Live Gold e a PSN Plus, assim como o provisório atual "Nintendo Switch Online" e a Steam. A Live Gold conta com seus dois games de brinde à mais e sua suposta estabilidade. A PSN Plus conta com seu preço menor. E a Steam com sua infinidade de possibilidades, como reembolso, outras formas de pagamento e por aí vai - aqui faço adendo: o serviço da Valve bem que poderia ser uma opção aos consoles não é? Afinal, se sabe que a Steam, em essência, é uma loja.

E então chegamos na parte final. Daria certo mesmo?

Podemos apenas imaginar uma teoria, pois infelizmente, nunca saberemos. Será que as empresas obteriam a "roda do lucro-qualidade ao consumidor"? Certamente algum console sairia na frente, enquanto outro ficaria por último - é uma lei natural do business. Mas no geral, será que não "quebraria" a indústria dos games? Para responder isto, nada melhor que um exemplo. Ou dois.

Primeiro, quero citar um exclusivo de sucesso comercial e depois um que "floopou".

Como conheço melhor Xbox, me atearei em games dele. O game de sucesso seria Halo 5. Digamos que a Microsoft investiu seus tantos milhões na produção do jogo - provavelmente teria de investir um pouquinho mais devido ao Switch. Será que o game faria sucesso nas outras plataformas? Acredito que seria um sucesso parecido com os Xbox, talvez, no máximo, levemente inferior - mundialmente falando, pois no mercado japonês seria bem pouco, assim como os games de lá aqui. No entanto, o lucro se basearia nas vendas em quatro plataformas (One, PS4, Switch e PC), não importa se com compras ou com assinaturas de serviço ou qualquer outra forma de obtenção de lucro. Acredito que, se comparado com o real, onde a MS só lucra com o Xbox (e não com Halo vendendo em outros videogames, óbvio), obviamente ela obteria mais lucro - e antes que você me diga que menos pessoas comprariam o Xbox, veja no início do texto que, mais do que óbvio, exclusivos deixariam de ser um fator a considerar na escolha do console.

Do outro lado, citarei Quantum Break, um game que de forma comercial, não rendeu tão bem assim. Iria lá a Microsoft, investiria seus milhões no game, mas no final, as vendas acabariam menores que o esperado - vou dizer o óbvio: ainda que vendessem menos, haveriam as vendas do PS4 e do Switch, que, por menores que fossem, já aumentariam em relação à realidade. Sem falar dos serviços e blá, blá.

A conclusão que se chega é que sim, as empresas obteriam mais lucro, talvez haveria mais investimento - haveria mais giro do capital. Também como teriam que investir um pouco mais devido ao Switch. A grande descoberta de todo este texto surge aqui: no final, o grande diferencial de "um mundo sem exclusivos" se basearia simplesmente na "expectativa" da empresa em relação ao quanto um jogo deveria vender ou não. O investimento, sabemos que não mudaria muito, pois PS4, XONE e PC trabalham com módulos de software muito semelhantes - o mais diferente seria o Switch, mas que se aproximou muito em relação às gerações passadas. Concluo, portanto que seria um lucro mais instável - a possibilidade de sucesso, como de fracasso, seria mais "extrema", rápida.

Mas então, por que as empresas simplesmente não fazem assim?

Sinceramente, acredito que seja por dois motivos: o primeiro seria que se um game fosse um fracasso, por exemplo, o prejuízo seria alarmante, talvez incapaz da empresa cobrir. Sabemos que a empresa sempre quer andar por zonas seguras. E o segundo motivo seria algo completamente idiota, em minha opinião, que sim, descobri que as empresas grandes cultuam: o fator tradição. Muitas dessas empresas gostam de ser reconhecidas por serem quem são - do tipo que entre isto ou ser melhor que a outra, preferem o primeiro. A Nintendo está aí para comprovar. E sim, existem gamers mais de nicho que dão muita importância ao fator marca - compram e jogam o que gostam com o coração. Porém, temos visto que o mercado está mais aberto ultimamente, investindo mais em tornar uma pessoa "não-gamer" em um gamer, do que necessariamente "melhorar a qualidade dos games". O público casual é o novo alvo das empresas - O Nintendo Wii mostrou isto na geração passada e todos estão indo pela mesma onda.

Assim, finalizo o texto apontando que, de uma forma ou outra, estamos indo para um universo gamer mais "cosmopolita". O fator "exclusivo" é um coisa que as empresas não dão o mesmo valor que já deram - afinal, isto não é o que dá lucro e isto é comprovado. A "console wars" é mais coisa de fãs ou mesmo deste fator "tradição" que citei ali antes - principalmente por parte das empresas japonesas, onde culturalmente o nacionalismo é muito forte. Porém, empresas como a Sony e a Squarenix viram que seguir isso em exagero poderia facilmente significar a falência. Em um mundo cosmopolita e se tratando de multinacionais, não se adaptar é caminhar para a destruição. Termino por aqui.

Espero que tenham gostado do texto e que não tenha viajado demais. Um abraço e até a próxima!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

A Importância do Enredo de Um Game

Já virou clichê.

Ao longo dos últimos anos, com a evolução da tecnologia e com a "ocidentalização" dos videogames, podemos notar que as produções mais notórias das últimas gerações têm tido uma inspiração em específico: o cinema, para não dizer o cinema americano. Games que agregam histórias que envolvem do mais tradicional da sétima arte, como dramas, expressões faciais, trilhas sonoras épicas e por aí vai. Não foram poucas as vezes que a jogabilidade acabou ficando em segundo plano, diferente de antigamente.

Mas como era antigamente?

Serei um pouco generalista aqui para não me delongar. Antigamente, dava-se a entender que a jogabilidade e a diversão do jogo eram a prioridade. O enredo sim, tinha seu lugar, mas parecia que ele ficava mais a cargo da imaginação do jogador fazê-lo, construí-lo. Os jogos possuíam poucas animações, por isso aquelas que haviam eram um tanto quanto valorizadas.

No entanto, tudo tem o seu efeito colateral.

Se por uma direção os games tomaram essa priorização da sua parte artística, deixando a jogabilidade em segundo plano, na outra aconteceu justamente o contrário. Games com o enredo clichê ou mesmo simples, mas que investiram em opções criativas e viciantes no jogar acabaram por também obter seu papel de destaque. Inclusive alguns deles atingindo posições de sucesso impressionantes.

O grande problema nisso tudo foi uma espécie de "polarização".

Pode-se dizer que alguns games priorizaram o enredo em excesso, enquanto outros o esqueceram por completo. Em uma pequena comparação, cito o aclamado game The Last of Us como um exemplo de game que correu por fora na temática zumbi, se utilizando do drama humano e do realismo de enredo como características principais. Do outro lado é possível citar a série Playerunknowns Battlegrounds (PUGB), que mesmo sem possuir uma história, hoje, é o game de maior sucesso do planeta com sua ação multiplayer (põe multiplayer nisso!).

Mas afinal, qual a importância do enredo para um game?

Depende a perspectiva. Existem pessoas interessadas em enredos que acreditam que o melhor dos games é esta oportunidade de, vamos dizer, "interagir com um filme, um livro", enquanto para outros, mais frenéticos, tudo isso é irrelevante e o importante é se a jogabilidade é satisfatória. As empresas que priorizam mais o lucro já perceberam que a segunda opção é de longe mais lucrativa, pois tende a fazer pessoas que não costumavam jogar a se aproximar deste universo. Em ambos os casos eu vejo problemas.

Na priorização do enredo é simples: é óbvio que o problema é a "terceirização" da jogabilidade, pois para mim, o quão agradável é o controle de um jogo, determina praticamente quão bom ele é. Além do mais, em um game onde você sente que "controlou mais o jogo do que assistiu", ao terminá-lo, é um tanto quanto satisfatório devido a impregnação de seu esforço. Por fim, fecho o caixão dos argumentos dizendo que um game é para se jogar e não para assistir. Não em primeiro lugar.

Do outro lado, também penso que o descaso com o que posso chamar de "parte artística" do game, pode um tanto quanto prejudicar a própria jogabilidade. Às vezes você só vai se sentir motivado a "apertar os botões" de um game quando sentir um carisma nos personagens, uma boa trilha sonora, cenários bonitos e por aí vai. Sou a favor de boas histórias, mas nem de longe penso que elas devam ser complexas como Goethe ou Shakespeare - o clichê pode agradar significativamente.

Mas alto lá: talvez não seja sempre que queiramos jogos assim. Há um outro tipo, que por sinal, está meio escasso. Ou abundante de forma diferente, posso dizer.

Jogos de nicho como os de estratégia ou de jogabilidade mais complexa, têm sido esquecidos pelas produtoras. O motivo é óbvio: lucro. Por serem de nicho eles acabam atingindo apenas uma parte dos jogadores. Devido ao capitalismo selvagem que os games hoje circundam, o trabalho legítimo do artista acaba ficando em segundo plano. Felizmente, os estúdios independentes têm tentado remediar um pouco esta situação, seja com games com jogabilidades complexas (e gráficos simples como posso citar Hue) ou simplesmente narrativas para conhecermos uma história (como What Remains About Edith Finch). Mas claro que nada como o "antigamente" e seus Legend of Mana ou Chrono Trigger.

Esta polarização também gerou em outra situação desconfortável, conforme afirmam alguns "entendedores" que foi a de ter "viralizado" os dois principais consoles do mercado, Playstation 4 e Xbox One, com tipos de games diferentes. PS4 acabou sendo o console dos enredos, enquanto XONE o da jogabilidade. O maior problema é: mas e o jogador de PS4 que busca mais jogabilidade? E o jogador do XONE que busca enredo? Você pode me dizer que eles compraram o videogame errado, mas acredito que seja obrigação de qualquer biblioteca gamer possuir opções e não fechar os olhos para nenhuma. Além do mais, este tipo de informação não é algo que a maioria das pessoas saiba ou pelo menos, saiba explicar.

No meu caso, que tenho Xbox, acredito que no total e na pesagem de vantagens e desvantagens, escolhi o melhor console para mim. No entanto, acabo sentindo falta de algumas temáticas de jogos, como os de cultura oriental. Estes jogos não são lançados no Xbox justamente porque as "temáticas americanas" preenchem a necessidade da maioria dos jogadores. No meu caso, apesar de apreciar boa parte destes jogos, sinto a carência japonesa, ao ponto de pensar em comprar um PS4. Esperamos que essas repartições culturais um dia tenham um fim, embora saiba eu o quanto isso é difícil.

Concluindo, acredito que as empresas devem oferecer opções em todas as plataformas. Prioridade do enredo com esquecimento da jogabilidade, da jogabilidade com esquecimento do enredo, equilíbrio entre os dois, estilo oriental, ocidental...opções para todos os gostos. Isto que haveria de não só "gerar lucros" mas satisfazer os gamers mais alternativos, viúvos de velhas escolas ou mesmo de estilos pouco valorizados pela mídia - não podemos esquecer que graças a eles que muitas empresas são o que são hoje.

Todos os gostos. Todos os tipos de gamers. Todas as plataformas.

Eis o  verdadeiro clichê.




Porquê Não Trocar de Xbox

 Existem pessoas que respiram o assunto dos videogames boa parte de seu tempo de lazer - eu sou uma delas. Os games também provaram que são ...