quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Vale a Pena Ter Mais de um Videogame?

Considerando do ponto de vista superficial, já respondo que é obvio que sim!

Afinal de contas, penso eu, que cada plataforma das quatro grandes principais (Xbox, Playstation, Nintendo e PC) possui sua própria forma e peculiaridades para usarmos conforme nossas preferências. Isso vai desde a forma de jogar (console, portátil ou PC, por exemplo), o sistema operacional, serviços e o mais óbvio de tudo - os jogos. Estes, ainda que seja o mesmo game, certamente lhe oferecerá uma experiência única em cada plataforma, principalmente quando se trata de diferença mais gradativas (como console e PC, por exemplo). Por fim, se você é um verdadeiro entusiasta do mundo gamer, é sempre bom poder acompanhar o que, por si, só cada um desses universos oferece ao consumo, de sua forma completamente única e particular e pasmem, nunca ficar de fora de nada.

Porém, sabemos que esta é uma realidade um tanto quanto utópica para a maioria dos brasileiros.

O problema começa na óbvia questão financeira e termina na questão cultural. Na segunda, caso você não tenha uma "família gamer", sua esposa/marido, seus pais e outrem, ainda que possam não ter investido um centavo em sua coleção, certamente tendem a criar um patamar de desrespeito e cobrança, lhe cobrando porquê você investiu dinheiro nisso e não em uma casa ou um carro por exemplo. Nem mesmo em famílias ricas creio que este preceito seja deixado de lado. Desnecessário comentar situações de pessoas mais jovens, com dependência financeira: aqui realmente é uma questão herética.

Percebam que eu fui, de certo modo, a dois extremos. No entanto vou tentar me fixar ao mais próximo que consigo de um padrão: uma espécie de gamer brasileiro comum - pessoa de trinta anos de classe média para baixa e com renda de dois salários mínimos (já não é tão comum assim, mas enfim...). Afinal de contas, você, dono de Xbox e casado, por exemplo, vale a pena enfrentar todos estes obstáculos em prol de comprar um PS4? Ainda mais nesta reta do campeonato?

Obviamente que dei este exemplo por ser a minha situação respectiva - assim fica mais fácil, claro. Tenho tido este pensamento devido a certas peculiaridades minhas: sou entusiasta de jogos de temática oriental e de luta, dentre outros, que não têm na plataforma verde. Você poderia me questionar o porquê de eu não ter comprado um Playstation e eu já lhe respondo: na minha visão, o suporte da empresa, o custo-benefício, serviços e a totalidade do Xbox One (principalmente o X) sempre foram superiores ao PS4. Da mesma forma que este descaso com a cultura dos games orientais sempre foi algo que me incomodou no Xbox. Mas é assim mesmo: se uma plataforma tivesse tudo não veríamos por aí tantas guerras de consoles e coisas do tipo.

Mas voltando a perspectiva racional da coisa: hoje em dia, conto com cerca de 300 jogos, mais ou menos, de minha propriedade em minha conta Xbox - variando entre as 3 plataformas já criadas pela Microsoft. Também sou assinante do EA Acess e do Xbox Game Pass Ultimate, o que engorda ainda mais esta lista, sem contar, claro, que estou com o console mais poderoso da geração e uma bela televisão 4K, criando para mim, talvez a perspectiva de setup mais poderosa que um dono de console poderia ter. No entanto, se sabe que jogos não se limitam a isto - são bem mais. Talvez o que mais os defina seria o seguinte conceito: aproveitar a geração jogando tudo que você exatamente quer jogar. Simples assim.

Vou lhes dar um exemplo: sem dúvidas eu gostaria de jogar games como Nioh e Street Fighter 5, exclusivos de PS4 nos consoles. Se eu tivesse tido a oportunidade de comprá-los, quem sabe jogos que não tenho esta mesma certeza de minha propriedade, como Dark Souls, por exemplo, não estariam na minha chamada "pilha da vergonha". No entanto, é óbvio que esta perspectiva mais funcional e de aproveitamento é algo recente, sendo que até a pouco me via como um colecionador - na obrigação de ter a maioria dos jogos de renome. Hoje, devido a minha rotina complicada, percebo que o meu tempo e dinheiro são valiosos demais para serem desperdiçados. Assim, mal nenhum tem e eu abrir mão de um Red Dead Redemption 2 (que possui uma temática que, de todo, não me agrada) para um jogar um Yakuza, por exemplo. Isto significa melhor aproveitamento de minha (complicada) vida gamer.

Talvez até aqui, por si, a questão já tenha sido respondida, no entanto, existem dois pontos a se ponderar - nem sempre podemos ou devemos fazer o que queremos. Isto quer dizer que investir mais de mil reais e um novo videogame para ter acesso a jogos que o meu não tem, pode ressoar como um certo ato de gula - possivelmente desnecessário. Isto porque por mais que eu queira jogar tais jogos azuis, existem um tanto considerável de verdes que tenho o mesmo desejo e ainda não fiz - Sekiro, The Wicther 3 e Final Fantasy XV são alguns exemplos. Aqui então fica complicado não pensar que se trata de um investimento de vaidade e não necessariamente de aproveitamento, pois, ainda que você me diga que God of War foi o jogo de sua vida, em meu caso e vendo minha realidade, afirmo que tal conceito não ressoa como "vida ou morte" para mim como talvez ressoe para outras pessoas.

Por último, é claro, existe a perspectiva técnica: eu não compraria um PS4 Pro e sim um Slim ou até um FAT. Esta regressão de poder para quem está acostumado com o Xbox One X, como apareceria aos meus olhos? Claro, de novo, um game não se limita a isto - se não eu não estaria jogando Doom 2 e nem teria jogos de Xbox Clássico, por exemplo. No entanto, quando se trata de um investimento maior, este fator acaba pesando.

Para terminar, basta olhar o período que estamos: falta cerca de exatamente um ano para que as novas plataformas, PS5 e Scarlett, sejam lançadas, sem falar de grandes lançamentos prometidos para o ano que vem, como Doom Eternal e Cyberpunk 2077 - sem falar nos games que ainda não joguei, sem falar nos que chegarão ao Game Pass, sem falar nos que posso comprar nas promoções. Se minha razão falar mais alto, provavelmente não pegarei as plataformas novas em seu lançamento - irei dar a clássica esperada de uns dois anos. No entanto a emoção pode acabar falando mais alto e se eu for por ela, acaba surgindo o seguinte questionamento: melhor um Scarlett ou um Xbox One e um PS4 para os próximos dois anos? Eis uma pergunta difícil de ser respondida, embora o PS4 leve certa vantagem devido ao menor investimento - que certamente não será o do Scarlett em seus primeiros meses de lançamento. No entanto, o adquirir do PS4 me deixaria ainda mais longe do Scarlett, embora eu desconheça ainda qual é sua necessidade - quem ele é perante o Xbox One X? Acredito que a resposta desta pergunta me ajudaria.

Dois anos de Playstation 4, somados a Game Pass e meu backlog do Xbox One X...bastante coisa.

Será que eu daria conta? Seria necessário muito filtro.

No final das contas, a percepção que tenho é que a união dos dois consoles parece algo mais forte que o "vazio" novo console - poder não são jogos, creio eu.

Minha conclusão é que se o Scarlett não puder me oferecer uma experiência 4k60 em meus jogos velhos de Xbox, de início, ele não se sobressairia à dupla XONE-PS4. Somente quando trouxesse seus próprios jogos, principalmente alguns de origem japonesa, ele poderia me fazer esquecer do console azul. Mas ora, isso não é algo que eu acredite. No fim, comprar o PS4 parece ser o melhor e, daqui a três anos, ter uma moeda de troca a mais pelo novo console da Microsoft ou, até mesmo, manter a dupla Scarlett e PS4, até que o PS5 inspire desejos o suficiente para tê-lo. Pela emoção, esta última parece ser a melhor ideia. Pela razão, no entanto, negócio é ficar com meu One X, esperar o momento e trocar pelo novo - frio, simples, mas eficaz.

Razão ou emoção?

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Por Que Jogar Videogame?

Depois que me tornei adulto, a partir da geração passada, esta foi sempre uma questão que me intrigou.

Tanto que sinto que aproveitei pouco tal geração - tenho tentado fazer o contrário, da melhor maneira que posso com esta.

O que jogar videogame exatamente representa na vida de um ser humano ou por que motivo eu mesmo faço este questionamento?

Vejamos bem.

Se sabe que a infância ou a adolescência são momentos de nossas vidas nos quais dá a impressão do quesito responsabilidade ser algo mais leve - sobre a visão de um adulto, óbvio. Indo mais a fundo: sem dúvida alguma existe tanta responsabilidade ou esforços e desafios nas vidas dos mais jovens, porém, a consciência destes fatos é mais nula. Basicamente, não nos preocupamos tanto em como usamos nosso tempo ou se estamos "vivendo bem" nossas vidas - apenas fazemos o que gostamos e o que temos que fazer. Ponto final.

Não quero me estender muito na questão psico-filosófica aqui, mas sua introdução é importante.

Na vida adulta, porém, assim que a ficha cai, passamos a nos cobrar mais por sucessos maiores - se antigamente eu seria o rei do mundo ao dar um beijo na menina que gostava e tirar notas boas ao longo de todo ano, hoje a coisa fica mais complicada. Precisamos trabalhar - sobreviver, de forma mais direta. Isto parece exigir um direcionamento sobre no que vamos usar nosso tempo e esforço, afinal de contas, nossos pais "não vivem para sempre", falando de forma mais brutal. O profissional acaba sendo o centro - sem ele, parece que não conseguimos nada, como casamento, por exemplo.

Mas então vamos fazer um teletransporte para você gamer adulto que, digamos, já passou por estes desafios - tem um emprego estável, uma esposa, talvez um filho. Se sabe que para o trabalhador, o momento de lazer é crucial para que mantenha a sanidade e jogar videogame talvez seja uma forma de usar este seu tempo mais para você - se divertir fazendo o que gosta, simples. No entanto, certamente já lhe ocorreram questionamentos sobre o papel disto em sua vida. O tempo que você joga videogame, em tese, você poderia estar fazendo algo mais produtivo, por exemplo. Ficando com sua família, praticando exercícios, estudando. O dinheiro também faz a diferença: os 4mil que você irá pagar no seu console de nova geração, assinaturas e jogos, certamente terão um impacto sobre sua renda - não valeria mais a pena investir em cursos, mestrados, especializações?

Me parece totalmente injusto afirmarmos que jogar videogame se trata de algo improdutivo. Para mim, improdutivo é você estar insatisfeito com qualquer coisa que faça e desta forma de manter, em uma zona de conforto. O trabalho, o casamento e tudo mais da vida adulta demandam nossa energia - de novo, é crucial que tenhamos estes momentos de lazer para nos recuperarmos. E danem-se completamente os "mais deveres"! Só podemos eles aceitarmos, de acordo com nossa perspectiva do momento - se queremos ganhar mais ou algo parecido. No entanto, se, como meu caso, você só busca viver sua vida, os games em nada se diferenciam de qualquer outra atividade. Digo mais: se você cresceu com eles, sua prática e interação representam uma verdadeira energia para sua alma se renovar. De novo, entra a questão da perspectiva: o que representam os games em sua vida?

Posso dizer que na minha, em muitos aspectos, me formaram. Meu amor pelo esporte e pelas artes marciais, em muito vieram dos jogos de luta, Mortal Kombat, mais necessariamente. De praxe, este game me trouxe outras coisas (junto com muitos outros) como a paixão pelo universo oriental - que olhem só, uso como referência em meu trabalho como psicólogo.

A questão então acaba ficando em quem você é. Se você jogou videogame ao longo de sua vida, mas tudo aquilo não passou de uma brincadeira de esconde-esconde infantil, bem, talvez manter os hábitos com isso em sua vida não seja para você. Mas se você mergulhou nos personagens, aprendeu conceitos sobre a vida e as virtudes, aprendeu inglês e tantas outras coisas, podemos dizer que os games têm cadeira cativa em seus hábitos - mesmo que você mais jogue do que leia ou faça atividades físicas.

Se os games fazem parte da base de sua alma, só você sabe. E se fazem, dê a eles o valor que eles merecem.

O Todo de sua vida agradece.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Abandonar os Games/Se Tornar Casual?

Na verdade, se nos basearmos por horas jogadas ou ao nível de dedicação que tenho tido a jogar videogame, posso dizer que me tornei casual faz meses - questões definitivamente mais importantes começaram a bater na porta de minha vida. No entanto, acredito de uma forma um tanto quanto inocente, que não é um absurdo diferenciar o casual do hardcore apenas pelo papel emocional que os games têm em sua vida - não relevando necessariamente as horas jogadas ou términos de jogos.

No entanto, já a muito tempo, minha filosofia principal foi sempre encontrar a melhor forma de viver - a que me proporcionasse menos sofrimento: qualidade de vida. Este inclusive foi o motivo do qual trouxe os games para minha vida de novo depois de um tempo afastado deles - percebi que sobre certa condição, eles podem nos trazer este efeito relaxante e feliz. Todavia, como cientista da mente humana, sei bem eu que existem atividades (das quais inclusive também sou entusiasta) que conseguem proporcionar este efeito de uma forma mais eficaz que os aparelhos eletrônicos. Isto acabou tornando o papel de meu Xbox One X e games no geral, no mínimo, questionável.

Aprendi coisas que as pessoas batem na tecla há anos, mas que eu como nerd me recusava a aceitar - a importância do social, por exemplo. De fato, desde que minha vida profissional cresceu, percebi que o papel do lazer ia bem além de aproveitar minha vida - chegava a nível de um processo que deveria ser terapêutico e reparador pelo bem de minha profissão e de minha grande prioridade na vida: minha família. Assim, percebi que atividades como estar com ela, conversar e ouvir e zelar pela felicidade daqueles que amo, juntamente com bons hábitos de saúde, como compromisso com atividade física, estavam (ou estão) conseguindo me proporcionar mais este efeito do que necessariamente jogar videogame.

Quinta-feira é oficialmente meu dia reparador ao longo da semana. Diferente do comum em meus hábitos pós-atividade física, que se tratava de navegar na internet ou jogar videogame, optei ontem por conversar com meu pai. Por me divertir com meu primo. Por ficar com minha família. Sem conversar ou pensamentos sobre assuntos sérios ou problemas - somente falar besteiras ou sobre coisas que eu gostava, como meus futuros planos para o esporte, por exemplo. Por fim, ao final do dia, dediquei indo contra meu instinto alguns minutos à jogatina - testar alguns jogos que havia baixado. E no final de contas, acabou sendo uma experiência um pouco neutra - a nível de eu me questionar se não deveria estar conversando com minhas tias ou não sei, lendo e me aperfeiçoando no campo do saber.

No entanto é óbvio que isso não é uma conclusão definitiva. Mas um fato importante a constatar.

Imaginei como seria a minha vida se, não sei, vendesse meu videogame; excluísse meu Twitter e parasse de acompanhar este universo digital - fazendo apenas o extremamente necessário do profissional, dedicando meu tempo apenas à família, ao esporte e à produtividade. Seria esta a melhor decisão? Na verdade, minha única referência se não buscar a direta experiência seria o período em que me afastei praticamente totalmente dos games - jogava praticamente só FIFA em um Xbox 360 desbloqueado.

Neste período, o que de fato fez eu me afastar dos games, fora o universo da faculdade - assim como das competições de artes marciais. Pela primeira vez na vida, diferente da adolescência, consegui ser alguém importante, pois era conhecido por ser um aluno inteligente, tanto pelos professores e principalmente pelos colegas. Além disso, também era considerado um atleta de respeito, segundo as palavras de meu treinador, um dos dois melhores da equipe a nível técnico, com títulos, graduações e tudo mais. Mas vejam só que curioso: enquanto a vida adolescente nerd talvez fosse mais tranquila, essa juventude adulta era um verdadeiro furacão - uma instabilidade emocional proporcionada por coisas boas e ruins o tempo todo. E claro, além de tudo, ainda havia o conhecimento, do qual sempre fui entusiasta, porém foi no Ensino Superior que dele me tornei quase religioso - o que inclusive me fez questionar qual era a melhor forma de se viver.

Posso dizer que meu período na faculdade se resumiu em ciclos: um início eufórico feliz, passando para uma vida pessoal instável, chegando em uma crise mental profunda - da qual ajuda profissional e o início do relacionamento com minha mulher foram as responsáveis por me devolver à tranquilidade. O Xbox One foi um adendo à esta busca por paz, que por sinal funcionou muito bem. Porém hoje, no auge da vida adulta, parece haver pouco custo-benefício em me dedicar a ele como já me dediquei - talvez este período tenha passado.

No entanto, reflito sobre minha vida, como ela seria, por exemplo em um dia como hoje - chuvoso e do qual provavelmente não irei me dedicar aos treinos. Ligo meu computador para ver o Twitter focado em notícias sobre games - não política ou ideologia, a bola da vez. Se não tivesse um Xbox One X, como esta realidade seria? Sei que não iria me expor a materiais nocivos como estes (política e afins) - já estou bem vacinado quanto. Mas então eu ia fazer o que? Ler? Por quanto tempo - uma hora talvez? E depois? Entraria em contato com meu primo de novo? Com minhas tias? E seria assim em todos meus dias de folga, que não os com a noiva?

Acho que a resposta para tudo sempre recai na mesma resposta: equilíbrio. Qualquer atividade que usada e feito em excesso, passa naturalmente a perder sua graça - nosso cérebro funciona assim. E tudo bem que deveres naturais como cuidar de meu relacionamento, trabalho ou saúde isso aconteça, afinal são atividades que não se tratam de puro lazer - há comprometimento e disciplina nos mesmos. No entanto, não acho que deva haver isso nas demais atividades - essas foram feitas somente para entreter. Por isso existe o momento certo para desfrutar delas com proveito - bem melhor fazer aquilo que você gosta depois de um tempo longe, suficiente para fazer você sentir falta.

Assim sendo, concluo que o Xbox ainda tem um papel em minha vida - retirá-lo e me ater totalmente à disciplina ou a estas formas de lazer arcaicas me parece um extremo. Preciso dele para sentir falta delas e delas para sentir falta dele - desfrutando de todos, sem me preocupar com qual mais e sim qual preciso e quero em determinado momento. Ainda que minha pergunta não esteja totalmente respondida, sinto que, por ora tenho um norte a ser seguido - que conforme for indo, saberei como pode ser aperfeiçoado.

domingo, 11 de agosto de 2019

Gamer de Verdade - A Definição

Não sei bem se este termo sempre circulou as discussões sobre games, se surgiu na geração passada ou mesmo na atual, mas o fato é que é um conceito amplamente discutido por todas as comunidades. Neste texto, tentarei fazer uma abordagem mais filosófica e profunda, considerando todas as formas de visões e tentando chegar a uma espécie de veredicto - obviamente, o meu.

Esta discussão chegou em minha vida através dos influencers da Xbox Mil Grau e a "cobrança da gamertag" - antes disso, apesar de jogar videogame desde 1994, eu nunca havia ouvido. Sequer me lembro de qualquer conceito próximo ter passado pela minha cabeça - minha relação com os games era apenas jogar (o tanto que eu estava afim, o jogo que estava afim, naquele momento) e comprar revistas e visitar sites para me informar ou aprender sobre games que eu saberia que precisaria de ajuda.

No início, depois de ver os vários "exposeds" feitos pela XMG, concordei diretamente com a analogia deles - afinal de contas, me parece que isso se aplica em qualquer conceito de entretenimento quando vamos dar uma opinião ou um review: precisamos ter lido o livro ou visto o filme por completo para fazermos uma "análise técnica". No entanto, é importante salientar que no meu caso, pelo fato de não ser influencer ou coisa parecida, sempre também tive o costume de "dropar" todas mídias - filmes ou séries que, depois de um tempo assistindo, começavam a perder a graça, eu simplesmente deixava de ver. Com os livros eu tinha um nível de exigência maior comigo mesmo, afinal tenho uma relação de respeito maior com eles, por isso sempre me esforçava para chegar até o fim. No entanto, hoje este é um conceito que não me aplico mais, lendo apenas aquilo que me for interessante ou realmente necessário.

Em relação aos livros, percebi que isto é extremamente importante no que diz respeito ao aprendizado, pois quando você está lendo "empurrando", acaba deixando informações para trás ou mesmo criando uma experiência limitada com aquele material, eu diria. A questão é: será que isto se aplica aos filmes, séries ou games? Como psicólogo, acredito que sim - empurrar um desses com a barriga me parece ser um mal que você faz a você mesmo, pois entretenimento é para entreter, afinal. Sem dúvidas, chegar até o fim de qualquer mídia é um tanto quanto prazeroso (a sensação de dever cumprido), mas isso é mais um sentimento de ego do que produtividade, pois o quanto você realmente aproveitou deste material? Só que aí chegamos no ponto mais polêmico - a questão da opinião.

Antes de tudo, é importante salientar que qualquer experiência que você viva com qualquer forma de mídia está diretamente ligada com sua condição psicofisiológica do atual momento que você vai interagir com ela. Isto é bom - pois sempre teremos uma experiência diferente e nova com a mesma coisa - e ruim - pois nossa opinião fica, de certa forma, confusa, principalmente se for necessário eu fazer uma análise daquele material. Quando buscamos informações, buscamos a verdade e o tanto de relatividades que podemos encontrar é apavorante. Assim, acabamos por nos basear em maiorias, o que nem sempre nos levará ao que buscamos.

Mas voltando ao conceito inicial: será então que todas as mídias que não completei torna minha opinião pública sobre elas menos crível? Ou, também, será que as emoções, diversão e imersão que senti no jogo também são um fato a ser explorado? Parece que quanto mais reflito, mais a resposta vai ficando distante. Vou tentar responder as duas perguntas: acredito que o ideal seria que eu explicasse minha experiência pessoal com aquela mídia, me incluindo totalmente nela, dizendo o que senti e o que achei - mais: dizendo como eu estava nos determinados momentos que interagi com a mídia e o tanto que interagi. Desta forma, a experiência que passarei ao leitor será um tanto quanto mais intensa, humana e deixando claro que não se trata de uma verdade absoluta.

Também voltando ao conceito de ser gamer - o que me caracteriza com este adjetivo? Bom, se traduzirmos a palavra para o português chegaremos a algo como "jogador de jogos eletrônicos". Então pegamos este substantivo (jogador) e extraímos aquilo que o caracteriza (jogar). Acho que a definição básica é essa - para sermos gamers de verdade, precisamos jogar games! No entanto a polêmica começa em tudo que falei até agora - se jogamos mais, se jogamos menos, enfim...acredito que não exista regra alguma a não ser o ato de jogar - talvez a única que possamos colocar, por uma questão de justiça, é o fato do "jogar" ser um hábito de nossas vidas. Caso contrário, a pessoa de trinta anos de idade que jogou dez vezes por meia-hora na vida vai ser equiparada à que joga todos os dias e receber o título de gamer - o que é totalmente injusto.

Mas e o, vamos chamar de "entusiasta" - aquele cara que sabe bastante sobre games?. Lê, assiste vídeos, streamings...um verdadeiro estudioso, mas que não tem o jogar com um hábito: as outras formas de interações com os games lhe são mais interessantes. Será que podemos chamar este cara de gamer? Eu acho que no seco da palavra, não, pois ele não pratica sua definição, essência. No entanto, ele pode se intitular de outra maneira - estudioso, adorador, espectador...porém, gamer, acredito que não. E é no mínimo estranho pessoas que gostam de games mas não fazem questão de jogar - existe uma infinidade de motivos que podem explicar, mas de fato, o importante é separar o joio do trigo - quem joga de quem não joga.

Por fim, quero levantar uma pergunta de extrema polêmica e reflexão: será que alguém que assistiu dez vezes o streaming de um jogo completo, por mais que defina que foi apenas espectador, merece ter a opinião levada em conta na hora de alguém decidir se quer comprar esse jogo ou não? Eu acredito que sim, desde que ele deixe claro como foi sua participação - cognitivamente falando, sobre o estado de espectador conseguimos perceber coisas que como jogador, principalmente em jogos frenéticos, costumamos deixar passar. No entanto, existem patamares - o jogador da experiência completa, o jogador da experiência incompleta, o espectador e o mais "perigoso" de todos, que pode se encaixar em qualquer um que falei - no caso o fanboy, totalmente incapaz de compartilhar uma experiência crítica.

Mas como citei antes, o negócio vai além: uma pessoa com problemas psicológicos, em depressão por exemplo, que tende a desenvolver um perfil pessimista, ainda que não seja fanboy, também não terá a plena capacidade de gerar uma experiência confiável. Complicando ainda mais: você sabe que tem como dever fazer seu review, mas teve um dia ruim ou naturalmente não gosta do jogo que jogou - acaba sobrando para o consumidor.

Talvez a experiência mais válida sempre seja a individual - a que não releva opiniões alheias, o que é extremamente difícil na condição do uso que fazemos da internet ou do simples fato de gostarmos de games e termos contato com suas informações. Só que ainda assim, apenas uma tentativa não é válida - é sempre bom darmos mais de uma oportunidade para criarmos um conceito. Claro que em termos de consumir produtivamente, isso não ajuda muito, mas acaba por nos revelar aquilo que é mais importante - NOSSA opinião confiável sobre aquele jogo.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Depressão Pós-E3

Que fique bem claro que eu não estou achando as coisas ruins. Estou apenas com dúvidas em relação à elas.

Eu não tive um Xbox 360 original. O meu era desbloqueado. Só fui conhecer a Xbox Live quando comprei o Xbox One, em 2016, aos 26 anos. Antes disso eu passei por diversas gerações de consoles. E a regra era sempre básica: novos jogos, jogar e troca de gerações onde iriam vir novos jogos, jogar e troca de gerações. Simples. Foi assim, para mim, desde o Nintendinho até o próprio Xbox 360 desbloqueado. Tudo mudou no Xbox One. E está mudando ainda mais.

Quando você não é um fanático, as coisas ficam bem mais difíceis. Isto porque tudo que as empresas que você consome, você tem que analisar de forma crítica, se gostou ou não. Na vida do fanatismo de qualquer ideologia que seja, pensar e analisar não acontecem - é apenas dizer que está certo e apoiar (ou o contrário em uma ideologia oposta - em exemplo, o Playstation). E isto, de certa forma, desgasta. Cansa. E é assim que estou me sentindo depois desta última E3.

Agora em 2019, comprei um Xbox One X por oportunismo mais do que por vontade e tudo que eu queria era saber se tinha feito a coisas certa. Alguns que chamo de especialistas me confirmaram que sim e isto me deu alguma tranquilidade - que foi embora em um passe de mágica depois do grande evento. A impressão que tive é que o melhor desta geração, simplesmente já foi, tendo apenas uma espécie de remessa final. É muito pouco para quem comprou um console em 2019. E não é só isto. Com esta história de Xbox Game Pass e Uplay Plus para PC, me deu a entender que os únicos que estão tranquilos são os donos de computadores parrudos.

E de tanto martelarem na minha cabeça sobre os exclusivos do PS4, fico me questionando sobre ter feito a escolha certa em relação ao Xbox - mais uma vez, principalmente depois de ver um pouco a conferência da Square e ver o Final Fantasy VII Remake (embora eu saiba que existe a chance dele ser lançado para o XONE). Não sei. Antigamente parecia que de cada dez jogos, nove eram bons. E hoje essa coisa de "triple H", "double H" e indies fez tudo mudar. Google Stadia e Xcloud. Será mesmo que os consoles irão desaparecer?

No final das contas, apesar de eu considerar a lista de exclusivos do PS4 melhor que a do Xbox, acho que nem mesmo ele se salvou. Como muitos dizem, esta parece ter sido uma geração no mínimo, questionável. E então eu me lembro da batalha mais sanguinária de todas: Xbox, Playstation 2, Dreamcast, Gamecube e PC, sem contar os portáteis...bons tempos. Hoje esta coisa de Xbox contra Playstation se tornou desagradável - duas empresas lutando pelo topo é muito pouco. E no meio desta guerra estão os PC's que a Xbox insiste em trazer para seu lado e não sei, sinto aquela coisa "Dom Matrickk", de que vai chegar o dia que os consoles Xbox simplesmente deixarão de existir. Sorte de quem seguiu pelo caminho azul que está, de momento, se tornando o caminho dos consoles. Ainda que o Xbox conquiste o mundo na forma de um serviço, é estranho para alguém que viveu tudo aquilo que vivi, que não seja como um console. Se fosse assim, talvez eu nem quisesse que a Microsoft tivesse vindo para o mundo dos consoles, já que o Windows é sua grande paixão.

Se me perguntassem se jogos ou consoles são minha grande paixão (qual dos dois), eu ficaria em dúvidas. Isto porque já fui um jogador de computador e a experiência de jogo lá é totalmente diferente da de um console - é um lugar que eu não quero voltar nunca mais. E o que parece é que o futuro gamer deverá pairar nestes (e em outros) dispositivos, que não consoles - estes, são desde candidatos a serem obsoletos à se tornarem "mais um" quantos aos games. A empresa que sigo, Microsoft, sempre foi uma empresa de software. Talvez eles (os consoles) sempre existam, sejam valorizados e tudo isto seja uma paranoia minha, mas acho que a grande definição do quero dizer é que, ao menos para mim, os games nasceram nos consoles. Vê-los com tanto destaque em outros lugares é estranho.

Não sei se estou preparado. Muita coisa pra elaborar.

domingo, 26 de maio de 2019

Pessoal, Stealth e Assassin's Creed

Decidi dar uma passada aqui e tirar a poeira do blog. Infelizmente, como trabalho também com escrita, acabo tendo que direcionar a maior parte de minha dedicação para a questão profissional. No entanto, não está em meus planos abandonar meu humilde blog sobre games, até porque hoje, em um mundo onde redes sociais colocam limite de caracteres no que você escrever, sei que aqui sempre será um espaço aberto.

Optei por no texto de hoje falar simplesmente sobre o que estou vivendo pessoalmente em relação ao universo gamer - quase que como um diário. Concluí que isto me ajuda na inspiração, pois ao escrever sobre um tema específico, você sente quase sempre que faltou algo. Isto sem falar que você fica naquela selva de repetições sobre coisas que todo mundo está falando (sobre a E3, por exemplo) e então você é só mais um. Como não sou youtuber, pro gamer ou qualquer referência no universo gamer, acho que sou mais bem mais como a maioria dos jogadores. Assim, descrevendo minha vida pessoal gamer é mais fácil do leitor se identificar.

Mas chega de enrolação! Primeiro quero falar sobre o que estou jogando. No meu Xbox One tenho uma aba, um grupo que criei chamado "Prioridades" - lá estão os jogos que pretendo dar sequência (embora eu não a siga religiosamente, óbvio). Desde outubro do ano passado tenho buscado miletar Assassin's Creed Odyssey. Já estou com cerca de 91% - terminei todo o jogo principal, com exploração de todos os mapas, coletáveis e diabo a quatro, assim como as três partes da primeira DLC, "O Legado da Primeira Lâmina". E por fim, terminei a primeira parte, explorando o novo mapa, "os campos de Elísio" da segunda DLC, "O Destino de Atlântida. Agora estou aguardando a segunda parte - que não sei se será a última. Em meio a este tempo, ontem fiz umas conquistas básicas que ainda não tinha feito. Ficou faltando uma que realmente parece estar bugada e está me irritando.

Ao longo da semana e ontem também, joguei bastante um outro jogo de minha lista, que ora jogo sozinho, nas questões mais secundárias, ora jogo em cooperativo com meu amigo WillSouza55. Trata-se de Ghost Recon: Wildlands. Admito que quando comprei este jogo, minha expectativa era alta. Quando fui jogar, no entanto, dei uma desanimada, acho que porque existe bastante coisa para aprender. Mas quando retomei o jogo com aprimoramento no Xbox One X, meu Deus! Aconteceu uma das maiores melhoras que vi em comparação ao meu antigo Xbox One FAT - parece quase outro jogo em beleza gráfica. E por fim, apesar de não ser um grande jogador, fui entendendo as mecânicas do jogo e a principal delas, de que não se trata de um jogo de tiro e ação, mas de stealth - e enquanto você não domina isto, você simplesmente não joga. Simples assim.

Percebo que ultimamente tenho andado de mãos dadas com este gênero, vide minha paixão por Assassin's Creed.

E como este não é um blog basicamente sobre games, mas sobre pensarmos a respeito deles, acho que a grande questão que abordo hoje é esta: qual o motivo do sucesso do uso dessa técnica perante o tradicional tiroteio/conflito de espadas? Porque é mais prazeroso você matar um inimigo a extrema curta distância, sem ele te perceber do que em um confronto direto? Ou mesmo, nem matar para atingir o objetivo? Talvez seja um sinônimo de esperteza, de desafio maior, aos olhos de alguns. Podemos estranhamente usar os jogos de luta como referência. Quando vencemos nosso adversário sem perdermos uma gota de HP, é considerado o alto calibre da vitória (e humilhação adversária). O mesmo acontece com o stealth. O desafio de progredir sem ser visto, como uma sombra, tem superado, para muitos o "olho por olho". Isto porque não basta atirar é bem - é preciso pensar, articular, elaborar uma estratégia e ter paciência. Para mim, isto é totalmente um símbolo da inteligência superando a força bruta - e muitos de nós nos identificamos com isto, certo?

Há pouco tempo também, por insistência de meu amigo Cafubira12, decidi jogar um símbolo dos games stealth, Hitman. Já conhecia este jogo e aparentemente nunca havia demonstrado tanto interesse pelo mesmo. No entanto quando fui jogar esta nova leva da franquia, fiquei impressionado com o tanto de opções que você tem em mãos para executar suas missões sem ser visto. Em Hitman (diferente de Assassin's Creed ou Ghost Recon) não existe a opção "ser visto e trocar tiros". Se isto acontecer, as chances do fracasso são praticamente 100%. Com entusiasmo e por sua estrutura mais linear, terminei o jogo em poucos dias, extremamente satisfeito com o que ele me proporcionava. Porém, deixo avisado: Hitman é um jogo de nicho e tudo que você via encontrar nele é baseado no stealth. Se você não apresenta o perfil psicológico para este tipo de jogo, passe longe, diferente de Assassin's Creed, por exemplo, que você pode sempre resolver tudo "na porrada".

Inclusive este seria um desejo meu em meio à nova fase da franquia da Ubisoft - esta que está tentando tornar AC um RPG. Acredito que a dificuldade em meio ao stealth deveria aumentada significativamente, assim como a exigência, sem muito foco na batalha. Sei que isto que talvez fizesse as vendas do jogo caírem, mas que houvesse ao menos um "modo de jogo" - para os assassinos mais entusiastas das sombras. Em Odyssey podemos dar um desconto devido aos "semideuses" Alexios e Kassandra - no entanto me lembro de Altair e Ezio, do início da franquia. Eles eram simplesmente humanos tinham apenas "traços" de poder sobre-humano (como a famosa Visão de Águia). Mas no geral, eram humanos comuns. Na época, o realismo não era tão exigido nos games como hoje, no entanto, todos esperamos um novo jogo com a Irmandade dos Assassinos já formada, sem "origens" ou "precursores". Isto faz com que devamos jogar com um ser humano comum - que dificilmente vence cinco homens em batalha. Por isso, gostaria que a Ubisoft trabalhasse um pouco neste quesito.

Por hora, encerro por aqui, para que existe a possibilidade física de alguém ler. Gostaria de opiniões ou feedbacks sobre este modelo de escrita mais pessoal. Quem puder, profundamente agradeço.

Até!

quarta-feira, 27 de março de 2019

Games With Gold - Porque Precisa Melhorar

Decidi fazer este texto para ajudar a traduzir o pensamento de meu mentor, ArnaldoDK, de uma maneira diferente, com o objetivo de ser pela leitura e ser por uma outra pessoa, chegarmos às luzes da razão. Tudo começa com a própria palavra da qual utilizei para chamar o Arnaldo - mentor. Isto quer dizer que ele é minha referência, que me identifico com ele, mas definitivamente que não concordo com tudo que ele diz - e aí que mora um dos grandes perigos atuais da comunidade verde (talvez até além).

A maioria das referências públicas do Xbox não dá relevância ao resultado dos Games With Gold, seja porque não querem se envolver em problemas, porque não compreendem o conceito coletivo deles ou porque, como trabalham com games, não precisam depender de games "grátis" - egoísmo, no geral. No entanto, saiba que eu já fui um dependente dos GWG e sim, eles possuem mais importância do que você, o que você joga ou sua relação com a Microsoft podem imaginar!

De novo, vou usar meu primo como exemplo.

Como dito no texto passado, o pai dele repudia o conceito moderno dos games - aquela história de pagar duzentos reais em jogo (no caso dele até cinquenta é muito). Meu primo adora jogar e hoje sua principal fonte, que lhe traz alguma coisa que lhe agrade é o EA Access. Isto porque ele não é assinante do Xbox Game Pass e seus meses de Live Gold foram conseguidos com muito esforço, inclusive minha ajuda. Seu gênero preferido é shooter-multiplayer-online, por isso se encaixa bem no que a EA oferece, com seus Battlefields. Só que nem só de shooters vive o homem e nem todo homem vive de shooters. Troque meu primo por alguém que gosta de Dark Souls. Mortal Kombat. Grand Theft Auto. E por aí vai.

A maioria dos jogadores adultos não dependem dos GWG, isto é fato. Eles podem comprar jogos, assim como assinar o Xbox Game Pass. Porém, eles também precisam pagar pela Xbox Live Gold. E não são todos que podem comprar jogos todo mês. E não são todos que podem assinar o Xbox Game Pass. Os GWG acabam sendo uma alternativa valiosa que, aos poucos está sendo deixada de lado.

O que este pessoal, seguidor de seitas ou que só pensa no próprio umbigo precisa entender é que a maioria das pessoas quer jogar, eu diria de forma preconceituosa, games de verdade. Indies é um gênero de nicho, da mesma forma que jogos antigos, do Xbox 360 e do Xbox clássico. Games de verdade são os Triple A famosos, de qualidade garantida, como a própria trindade da Microsoft ou esses outros que antes citei. E para um número bem grande de pessoas, os GWG são a alternativa que resta, perante as circunstâncias.

Você pode chegar e me vir com aquela com conversa parecida com a mentalidade do Don Mattrick - que no momento que o presidente da Sony fez algo parecido, você ironizou - de que você deveria saber que as coisas são assim quando comprou seu Xbox One ou que você deve trabalhar para mudar sua condição. Mas pensemos: será que não soa no mínimo absurdo que não exijamos qualidade de uma, se não a maior, empresa do tamanho e capital da Microsoft? Eu não espero menos que o máximo, como consumidor.

Porque penso no meu primo, assim como nas pessoas que necessitam dos GWG. Elas têm o direito - como a Microsoft têm o dever. Se fosse a Sony ou a Nintendo, não sei, talvez eu não exigisse tanto. Mas é a Microsoft - vocês têm noção do tamanho dela? Se estou com a melhor empresa, nada menos do que o melhor. E se aquela pessoa de menor renda, que não pode comprar muitos jogos ou assinar os serviços deu duro e comprou um Xbox One e assinou a Live Gold, ela merece sim qualidade por tudo aquilo que ela pagou. Até mesmo por jogos "grátis".

O mundo não gira em torno de como você joga ou enxerga os games - é preciso ver além. Se eu pensasse só em mim, não estaria fazendo este texto. A própria Microsoft - ou Xbox - se ajudaria se melhorasse os defeitos de seus serviços. E não me venha com essa que devemos bater palmas só para o positivo - vejam o que aconteceu com a Sony e sua relação com o consumidor por falta de cobrança. Estamos com a melhor empresa, então ela deve provar o porquê é a melhor, atingindo todas as massas e sem fanáticos para justificar aquilo que não é o melhor para todos - que não estou dizendo que é o que eu digo, mas na minha opinião.

Por fim, meu caro fã de Xbox, deixo um recado para você e sua vida: por mais que você seja fã ou seguidor de qualquer pessoa pública do meio gamer, saiba que esta pessoa é de carne e osso como você. Saiba que ela comete erros, age de má índole e tudo mais que você espera de um ser humano. Busque ser melhor que ela e não ser como ela. Você tem seu potencial, ela tem o dela - absorva o que é útil, descarte o que é inútil. Ninguém chega a lugar nenhum pensando exatamente como outro alguém.

Pior ainda pensando só em si-mesmo.

domingo, 24 de março de 2019

Meu Abandono do Gamescore

O relato desta situação está meio atrasado. Creio que já fazem uns quatro meses desde que abandonei este estilo de jogo.

Não sei bem explicar o motivo. O intuito deste texto é justamente descobrir isto, ver se meu estilo de jogo atual é melhor, assim como prever se possivelmente eu volto algum dia. Algo assim.

O cerne para entender todas as questões é acompanhar tudo, desde o início.

Para mim, pelo menos, toda essa coisa de conquistas ou aquilo que me achou mais atenção, os "percentuais" da Xbox Live, começou quando comprei o Xbox One em 2016. Isto porque meu Xbox 360 era desbloqueado e sabemos que as plataformas mais antigas não trabalhavam com estes patamares - a não ser questões semelhantes como pontuações e também, percentuais - estes sempre foram os que mais seduziram, tal como um obsessivo-compulsivo clássico.

Minhas primeiras experiências com o XONE, por total desconhecimento de serviços como os Games With Gold ou o EA Access (ainda não havia o Xbox Game Pass), foram com games-lançamento que comprei, como comprava jogo pirata, assim, sem refletir muito. Neles, porém, ao olhar meu perfil e ir descobrindo o mundo maravilhoso do Xbox, vi que haviam desafios a serem batidos. E eu estava disposto a consegui-los.

De início, como meus games eram todos triple A, rapidamente concluí que atingir cem por cento era algo um tanto quanto insano - ainda mais se você sempre jogou com o ímpeto simples de apenas terminar o jogo. Baixei esta exigência para setenta por cento, depois para cinquenta - algo acessível para os mortais. Mas ainda assim alguns jogos, teimavam em não atingir grandes números e tinham conquistas extremamente difíceis, umas ligadas ao online e outros jogadores, outras à DLC's. Assim, percebi que atingir os tais percentuais altos, não era algo viável para ser feito.

Foi então que conheci uma figura no Youtube - conhecido e polêmico integrante da comunidade verde, nosso querido ArnaldoDK.

Eu já conheci a Xbox Mil Grau e após os "exposed" deles em lendas como o Zangado, ou a questão da "gamertag fechada" dos jornalistas, fizeram eu dar mais importância à esta questão. No entanto, quando observava a forma de ser e jogar dos XMG e a de DK, percebi que era mais identificado com a cabra - um cara de origem humilde, que tinha que comprar seus jogos e nem sempre isto era possível. Também havia detalhes mais pessoais que não mencionarei, mas de todo, me achei bem parecido com o Arnaldo. Foi então que ouvi a sua grande marca, o maior gamerscore do Brasil ou o primeiro milhão.

Não sei bem ao certo qual foi o primeiro, mas eu tinha um certo preconceito com games indies - falta de informação mesmo. Foi então que decidi aumentar o meu gamerscore, assim como ArnaldoDK. Outra coisa me motivou também - conforme fui comprando os primeiros games, tinha eu a conta compartilhada com meu primo, um pré-adolescente, do qual o pai abominou seu desejo de ter um Xbox, quanto mais o gasto com games originais. Desta forma, Nicolas, o nome dele, dificilmente poderia comprar jogos, como um adulto como eu. Compartilhei a conta com ele por compaixão. Só que quando comecei a pontuar no gamescore, rapidamente ele começou a fazer a mesma coisa, o que considerei injusta a forma, pois era eu quem pagava cem por cento os jogos. Troquei então o compartilhamento dele com meu amigo, este, com emprego e dinheiro. Mais produtivo para mim.

E então, meio de forma automática, o negócio foi crescendo. Acompanhava sempre o quadro das "Deals With Gold" do Arnaldo e lá, sempre dava um jeito de fazer a festa. Lembro que alguns games foram prazerosos de jogar como Dear Esther, enquanto outros, aqueles que você joga com guia como Burning Test, aumentavam ao máximo meu nível de estresse. E claro que junto com isso não deixei de jogar meus Triple A, como as franquias Halo, Gears e Assassin's Creed.

Como todo bom gamescorer, descobri o site do TrueAchievements e então, comecei a estabelecer metas de onde eu queria chegar. Começou com vinte mil, trinta, até chegar aos cinquenta. E cada vez mais minha pontuação, em minha cabeça, me gerava uma "autoestima gamer" - a que eu não tinha para jogar shooters multiplayer. A coisa foi indo assim até eu chegar em minha grande meta, os cem mil. No entanto, foi neste período que eu terminei Tomb Raider Definitive Edition e começaram as conversas de transição de geração. Assim, me veio um pensamento de que eu deveria aproveitar melhor meu tempo com games de qualidade garantida - não havia tempo para experiências ou descobertas. Assim, abandonei o gamescore.

Hoje, depois de quatro meses jogando neste estilo, se fosse fazer uma comparação sobre mais ou menos diversão entre o ano passado e este, entre a vida do gamer individualista, que só busca terminar campanhas e o pontuador de indies, eu sinto que não existe uma diferença significativa, pois ambos os estilos têm suas belezas. Quando eu era gamescorer, lembro das pessoas vendo eu como aquele cara jogando os games estranhos sempre com a pontuação alta - e uma média de horas jogadas mais alta no videogame. Hoje, porém, como sou mais focado no término de jogos grandes, estes episódios são mais raros - por isso quando acontecem, fico bem satisfeito. Minha vida pessoal também mudou, com emprego e dedicação aos esportes. Menos horas para Xbox.

No fim, concluí que no meu caso, por não ser streamer ou youtuber, ninguém se importaria com a minha gamertag. Então, passei a me focar no término dos jogos grandes - não importando o tempo que levasse ou o menos tempo que tinha para jogar. Não me arrependo, pois de certo modo, jogar games indies "ruins" é como desperdiçar o potencial do Xbox, assim como seu próprio tempo. Sei que às vezes você quer jogar uma coisa mais "arcade" sem muita frescura naquele dia cansado - e para mim, jogos como os de luta ou esporte cumprem bem esta função, sem ligar para progresso ou história.

No fim das contas, meu grande objetivo é ter terminado pelo menos um jogo de uma franquia consagrada que eu goste - o que naturalmente me obriga a descartar algumas. Dragon Age é o exemplo que sempre cito. Agora, com o lançamento de Sekiro, Dark Souls acabou se tornando um sério candidato. No fim das contas, acredito que não vou ter muitos orgulhos para contar de grandes jogos que terminei, mas os que tenho, já bastam. Isto porque sinto que a forma como lido com os games hoje é bem mais saudável que ano passado - onde vivia uma vida sedentária e desprovida de renda.

Mas será que algum dia voltarei ao gamescore? Buscar chegar aos 150 mil?

Sinceramente, não me atrai muito. O dinheiro que gasto com estes jogos, sinto que poderia gastar em games de bem mais valor para mim - e não falo de lançamentos. Clássicos como Tomb Raider Legend que comprei esta semana, parecem importar mais para mim hoje do que aumentar meu gamescore - isto não muda minha vida em nada. Às vezes eu até questiono o a atividade de jogar videogame - se não deveria voltar para minha antiga vida de leitor e estudante neste tempo. Porém, percebo que merecemos um pouco de lazer nas vinte e quatro horas de nosso dia - fazermos aquilo que gostamos. E sei que videogame sempre estará lá, me esperando - não preciso me preocupar se vai estar disponível ou não. Da mesma forma, para terminar qualquer game que seja, preciso do esforço mental que assistir filmes, séries ou vídeos, não me proporciona. Hoje, praticamente abandonei o cinema, sendo minha única atividade tecnológica os games e a busca por informações sobre eles.

Assim, espero que mais campanhas cheguem ao fim pelos meus dedos. Obrigado pela leitura!

domingo, 3 de março de 2019

Consumir e Jogar Consciente? Meio Difícil!


Acho que finalmente eu cheguei na resposta para minha maior dúvida quantos aos games.

Desde que comecei a mexer com dinheiro e eles, eu era desvairado – comprava tudo que queria. De tudo que comprei, acho que só terminei um terço.

Porém, houveram muitos games que não terminei, mas que joguei por horas e horas. A franquia Tomb Raider no PS1 foi um exemplo – eu tinha o 2, o 3, o Last Revelation e o Chonicles. Não terminei nenhum. No entanto joguei todos, por horas e horas. Depois comprei o Angel of Darkness no PC – não terminei. Até que cheguei no Legend do PS2, meu oficialmente primeiro Tomb Raider finalizado.

Eu sei que a melhor sensação do mundo é a de terminar um jogo. É uma mistura de diversão, desafio e compromisso.

Mas a verdade é que se você cria essa obsessão de sempre terminar, você não aproveita tudo o que pode de uma geração. Este é o grande segredo - pelo menos para mim.

Houveram vezes que cheguei em casa à noite querendo jogar tal jogo, motivadíssimo. Só que aí eu lembrei que estava mais avançado em outros, que tinha que jogar estes antes. Acabava me divertindo menos. O negócio é você jogar o que você quiser, o quanto você quiser, da maneira que você quiser. Isto é jogar videogame – pouco importa se fulano termina, mileta ou joga melhor. Você joga para você, afinal.

Agora no Xbox One, eu estava tendo todo o cuidado do mundo em manter instalado somente "aquilo que eu vou jogar". Só que não funciona assim! Tem dias que você simplesmente não quer jogar nada do que está instalado – a mensagem que seu cérebro passa é essa. Mas daí tem aquele jogo desinstalado ou aquele que está à venda...e a vida que segue. Desista de querer ter uma "gamertag bonita", pois isso não vai te dar nada – enquanto o compromisso for colocado à frente da diversão, você não estará desfrutando do melhor de ser gamer.

Não estou falando para você comprar toda semana a loja inteira. Isto é impossível para a maioria e até um meio vergonhoso.

Mas se você sente aquela simpatia ou gosta realmente do jogo; tira suas dúvidas em betas ou vídeos de gameplays; e por fim, ele está em promoção e VOCÊ QUER JOGAR ELE? Vai fundo meu camarada! Mesmo que você nunca mais toque nele depois daquele dia. Pelo menos você aproveitou no momento que queria e se você gosta realmente do jogo, certamente vai voltar para ele uma hora que outra. Basta parar de se fixar em coisas que você não quer jogar em determinado momento.

Tudo bem, acho que se deve ter a mínima organização. Devemos ter prioridades senão vira uma bagunça e uma desvalorização de seu dinheiro. Mas não adianta – colecionar é quase tão bom quanto jogar. E jogar é quase tão bom quanto terminar. E terminar é quase tão bom quanto miletar – tudo depende de você e daquele dia, daquele momento. Faça o que você está afim, sem exagerar.

Hoje, metade de meu tempo eu apenas jogo por jogar – e não estou falando de multiplayers. Quero dizer que uma parte de meu tempo vai para "conferir os games", jogar uma hora ou duas e a outra vai para o foco, para aqueles que quero chegar até o fim. Dropar um jogo, como se diz, não é um pecado – embora, do ponto de vista econômico ou administrativo pareça errado, nossa mente não funciona assim e a filosofia do que é um videogame também não, embora cada um tenha a sua.

Se você consegue ser cem por cento organizado, comprar somente o que joga e se foca totalmente, terminando toda semana um bom número de jogos e comprando pouco, meus sinceros parabéns.
Eu não consigo ser assim. Não me divirto.

Prefiro me divertir.

Porquê Não Trocar de Xbox

 Existem pessoas que respiram o assunto dos videogames boa parte de seu tempo de lazer - eu sou uma delas. Os games também provaram que são ...