sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Abandonar os Games/Se Tornar Casual?

Na verdade, se nos basearmos por horas jogadas ou ao nível de dedicação que tenho tido a jogar videogame, posso dizer que me tornei casual faz meses - questões definitivamente mais importantes começaram a bater na porta de minha vida. No entanto, acredito de uma forma um tanto quanto inocente, que não é um absurdo diferenciar o casual do hardcore apenas pelo papel emocional que os games têm em sua vida - não relevando necessariamente as horas jogadas ou términos de jogos.

No entanto, já a muito tempo, minha filosofia principal foi sempre encontrar a melhor forma de viver - a que me proporcionasse menos sofrimento: qualidade de vida. Este inclusive foi o motivo do qual trouxe os games para minha vida de novo depois de um tempo afastado deles - percebi que sobre certa condição, eles podem nos trazer este efeito relaxante e feliz. Todavia, como cientista da mente humana, sei bem eu que existem atividades (das quais inclusive também sou entusiasta) que conseguem proporcionar este efeito de uma forma mais eficaz que os aparelhos eletrônicos. Isto acabou tornando o papel de meu Xbox One X e games no geral, no mínimo, questionável.

Aprendi coisas que as pessoas batem na tecla há anos, mas que eu como nerd me recusava a aceitar - a importância do social, por exemplo. De fato, desde que minha vida profissional cresceu, percebi que o papel do lazer ia bem além de aproveitar minha vida - chegava a nível de um processo que deveria ser terapêutico e reparador pelo bem de minha profissão e de minha grande prioridade na vida: minha família. Assim, percebi que atividades como estar com ela, conversar e ouvir e zelar pela felicidade daqueles que amo, juntamente com bons hábitos de saúde, como compromisso com atividade física, estavam (ou estão) conseguindo me proporcionar mais este efeito do que necessariamente jogar videogame.

Quinta-feira é oficialmente meu dia reparador ao longo da semana. Diferente do comum em meus hábitos pós-atividade física, que se tratava de navegar na internet ou jogar videogame, optei ontem por conversar com meu pai. Por me divertir com meu primo. Por ficar com minha família. Sem conversar ou pensamentos sobre assuntos sérios ou problemas - somente falar besteiras ou sobre coisas que eu gostava, como meus futuros planos para o esporte, por exemplo. Por fim, ao final do dia, dediquei indo contra meu instinto alguns minutos à jogatina - testar alguns jogos que havia baixado. E no final de contas, acabou sendo uma experiência um pouco neutra - a nível de eu me questionar se não deveria estar conversando com minhas tias ou não sei, lendo e me aperfeiçoando no campo do saber.

No entanto é óbvio que isso não é uma conclusão definitiva. Mas um fato importante a constatar.

Imaginei como seria a minha vida se, não sei, vendesse meu videogame; excluísse meu Twitter e parasse de acompanhar este universo digital - fazendo apenas o extremamente necessário do profissional, dedicando meu tempo apenas à família, ao esporte e à produtividade. Seria esta a melhor decisão? Na verdade, minha única referência se não buscar a direta experiência seria o período em que me afastei praticamente totalmente dos games - jogava praticamente só FIFA em um Xbox 360 desbloqueado.

Neste período, o que de fato fez eu me afastar dos games, fora o universo da faculdade - assim como das competições de artes marciais. Pela primeira vez na vida, diferente da adolescência, consegui ser alguém importante, pois era conhecido por ser um aluno inteligente, tanto pelos professores e principalmente pelos colegas. Além disso, também era considerado um atleta de respeito, segundo as palavras de meu treinador, um dos dois melhores da equipe a nível técnico, com títulos, graduações e tudo mais. Mas vejam só que curioso: enquanto a vida adolescente nerd talvez fosse mais tranquila, essa juventude adulta era um verdadeiro furacão - uma instabilidade emocional proporcionada por coisas boas e ruins o tempo todo. E claro, além de tudo, ainda havia o conhecimento, do qual sempre fui entusiasta, porém foi no Ensino Superior que dele me tornei quase religioso - o que inclusive me fez questionar qual era a melhor forma de se viver.

Posso dizer que meu período na faculdade se resumiu em ciclos: um início eufórico feliz, passando para uma vida pessoal instável, chegando em uma crise mental profunda - da qual ajuda profissional e o início do relacionamento com minha mulher foram as responsáveis por me devolver à tranquilidade. O Xbox One foi um adendo à esta busca por paz, que por sinal funcionou muito bem. Porém hoje, no auge da vida adulta, parece haver pouco custo-benefício em me dedicar a ele como já me dediquei - talvez este período tenha passado.

No entanto, reflito sobre minha vida, como ela seria, por exemplo em um dia como hoje - chuvoso e do qual provavelmente não irei me dedicar aos treinos. Ligo meu computador para ver o Twitter focado em notícias sobre games - não política ou ideologia, a bola da vez. Se não tivesse um Xbox One X, como esta realidade seria? Sei que não iria me expor a materiais nocivos como estes (política e afins) - já estou bem vacinado quanto. Mas então eu ia fazer o que? Ler? Por quanto tempo - uma hora talvez? E depois? Entraria em contato com meu primo de novo? Com minhas tias? E seria assim em todos meus dias de folga, que não os com a noiva?

Acho que a resposta para tudo sempre recai na mesma resposta: equilíbrio. Qualquer atividade que usada e feito em excesso, passa naturalmente a perder sua graça - nosso cérebro funciona assim. E tudo bem que deveres naturais como cuidar de meu relacionamento, trabalho ou saúde isso aconteça, afinal são atividades que não se tratam de puro lazer - há comprometimento e disciplina nos mesmos. No entanto, não acho que deva haver isso nas demais atividades - essas foram feitas somente para entreter. Por isso existe o momento certo para desfrutar delas com proveito - bem melhor fazer aquilo que você gosta depois de um tempo longe, suficiente para fazer você sentir falta.

Assim sendo, concluo que o Xbox ainda tem um papel em minha vida - retirá-lo e me ater totalmente à disciplina ou a estas formas de lazer arcaicas me parece um extremo. Preciso dele para sentir falta delas e delas para sentir falta dele - desfrutando de todos, sem me preocupar com qual mais e sim qual preciso e quero em determinado momento. Ainda que minha pergunta não esteja totalmente respondida, sinto que, por ora tenho um norte a ser seguido - que conforme for indo, saberei como pode ser aperfeiçoado.

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