terça-feira, 6 de outubro de 2020

Porquê Não Trocar de Xbox

 Existem pessoas que respiram o assunto dos videogames boa parte de seu tempo de lazer - eu sou uma delas.

Os games também provaram que são algo muito maior do que alguns pudessem imaginar - se trata de um movimento cultural, criador de identidades e ideologias e obviamente, econômico. Muitas pessoas trabalham ou buscam viver de jogar videogame, deixando esta relação entre humano e tecnologia ainda mais intensa.

Atualmente, os gamers vivem um momento de muito ansiedade e expectativa, pois trata-se de uma chamada "troca de geração" - um momento do qual para que o jogador possa continuar acompanhando os novos jogos, precisa atualizar seu hardware com a aquisição de novos equipamentos.

No entanto, sabemos que nem todos possuem a devida condição para que tal ritual seja feito, principalmente no Brasil.

Eu como jogador de Xbox, me considero um privilegiado, pois opções de fazer este processo de forma inteligente é o que não me falta.

Não me encontro na devida condição de comprar uma nova plataforma em seu lançamento - no máximo vender a minha e trocar pelo novo modelo mais simples. Mas será que isto realmente vale a pena?

No momento possuo um Xbox One X, console que até o momento da nova geração surgir, é o mais potente do mercado. O curioso é que jamais foi de minha intenção adquirir este console quando foi anunciado: foi por puro oportunismo, afinal, eu estava satisfeito com meu modelo anterior, Xbox One FAT.

Os jogos dos quais estou focado no momento são desde de gerações anteriores (Xbox Clássico e 360) até de cinco anos atrás - pretendo jogar os mais novos quando terminar os antigos, simples assim. Se eu migrasse para a nova geração, tudo que iria ter de início seria um salto de qualidade - que provavelmente não seria de encher os olhos.

Este contexto tende a ir mudando a partir do ano que vem - e de forma garantida no ano posterior.

De momento, o que tenho em mãos parece plenamente dar conta do recado.

O intuito deste texto é justamente a reflexão de acordo com cada individualidade se fazer a troca é algo plausível, para que não sejamos vítimas de marketing ou influências.

Nossa maior referência deve ser simplesmente nossa própria vida.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

A Mentalidade (incompreendida) do Xbox

Depois de engolir tanto conteúdo por parte de jornalistas formados e especializados, com dito intelecto, conhecimento e acesso às informações, acabei por cansar. Como forma de desabafo pessoal, decidi escrever um texto a respeito - um texto feito por um cara praticamente leigo em investimentos e coisas do tipo, mas muito bem capacitado em relação a compreensão de linguagem das declarações da Xbox. E acima de tudo, jogador de Xbox desde 2009.

Muitas pessoas pensam que a filosofia da Microsoft do "ecossistema" começou com Phil Spencer e tudo mais, mas não - este se trata de um pensamento bem antigo da empresa, da qual se eu fosse dizer quem é seu devido autor, este seria ninguém menos do que Bill Gates.

Isto porque o fundador da Microsoft, na criação do primeiro Xbox, fez uma exigência para que permitisse a criação do console: que ele se relacionasse de alguma forma com o Windows. Este pensamento do tio Bill foi levado ao pé da letra, fazendo com que os jogos mais característicos da marca Xbox, em maioria, sempre tivessem versões para o sistema operacional de computadores - Halo, Gears of War ou Fable por exemplo, diferente do que alguns pensam, sempre tiveram versões para computador, jamais sendo unicamente exclusivas para os consoles Xbox. Por isso, a tecnologia "Play Anywhere" já é pensada há tempos - bem antes da era Phil Spencer.

Mas de fato por que isto acontecia? Qual a necessidade e o objetivo?

Talvez Phil Spencer e Bill Gates tivessem metodologias diferentes, mas a filosofia era exatamente a mesma. Me baseando mais em Spencer e tendo acompanhado a maioria de suas declarações (a mais recente sendo do ex-vice-presidente Mike Ybarra), o objetivo Microsoft se baseia no que vou chamar de alcance à marca - o grande objetivo Xbox é o de levar seus produtos ao maior número de pessoas possível, não importando o contexto. Diferentemente da Playstation ou dos conceitos antigos de videogames, a Xbox não tem interesse que você chegue até ela através de apenas um meio (como um console), mas através de vários. Xbox deixou de ser um simples console para se tornar o sistema de gaming da Microsoft, buscando, repito, levar seus serviços ao maior número de pessoas não importando seu dispositivo físico.

Não é de nos surpreendermos que a dimensão que Xbox está se tornando pode fazer com que coisas surpreendentes apareçam no futuro - como o próprio aparecimento da marca dentro de outros consoles (o que por si, já acontece no jogo Minecraft), como no Nintendo Switch. Mas a coisa vai bem além. O foco atual de expansão da marca, o XCloud, é uma demonstração de busca por facilidade de acesso. A "Nuvem", tal como um app tradicional, chegará a todo dispositivo que se permita, como celulares e TV's - é isto que a Microsoft busca. Os consoles Xbox são apenas um meio, dentre tantos, de termos acesso ao "verdadeiro Xbox" que deixou de ser um deles para se tornar algo muito maior - uma forma de acesso a jogos além do que víamos em gerações passadas.

Porém, esta forma de compreender a realidade atual parece um tão quanto difícil - especialmente para quem é (como eu) da velha guarda.

Afinal de contas, jogar videogame sempre foi representado para nós através de um dispositivo e suas particularidades - meu Playstation era meu Playstation, meu Xbox era meu Xbox. Dois mundos, dois universos.

Não mais.

Hoje tenho meu Xbox em meu Windows, em meu Android - amanhã em minha TV. Por mais que eu sinta aquele carinho materialista por meu console, ele é apenas uma parte de algo muito maior que deixou de ser um pedaço de plástico - é digital, algo que não posso tocar. Assim sendo - uma verdadeira revolução - é natural que se o Playstation mantiver sua filosofia como um console tradicional (o que percebemos que não é sua devida intenção, já que vemos hoje a PS Now), é natural que os mais nostálgicos prefiram ficar neste caminho - é conhecido, compreendido, vivido. Porém, não passa de uma forma emotiva de enxergar as coisas (que de forma alguma condeno), fazendo com que, caso sigam apenas este caminho, desperdicem toda a grandeza, acesso e custo-benefício do Xbox, por um simples conservadorismo bobo. Este modelo antigo não é a verdade sagrada dos games, vide cada vez mais novas formas que estão surgindo de se jogá-los (como o Google Stadia).

Mas é com vocês. Optem pelo caminho que preferirem, são livres é óbvio. Porém, vocês influenciadores, que buscam passar as notícias aos jogadores e tudo mais, sugiro que busquem entender melhor o que é o Xbox - parece que muitos anos passaram e ainda não conseguiram. Devido a ética que sabem que devem cumprir (principalmente os jornalistas, formados), tomem cuidado ao buscar o que é a verdade universal dos games - cada empresa tem a sua, vide Nintendo, vide Google. Xbox não é como Playstation, deixou de ser faz tempo - assim como sinônimo de um simples console.

Xbox é muito mais do que isto.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Vale a Pena Ter Mais de um Videogame?

Considerando do ponto de vista superficial, já respondo que é obvio que sim!

Afinal de contas, penso eu, que cada plataforma das quatro grandes principais (Xbox, Playstation, Nintendo e PC) possui sua própria forma e peculiaridades para usarmos conforme nossas preferências. Isso vai desde a forma de jogar (console, portátil ou PC, por exemplo), o sistema operacional, serviços e o mais óbvio de tudo - os jogos. Estes, ainda que seja o mesmo game, certamente lhe oferecerá uma experiência única em cada plataforma, principalmente quando se trata de diferença mais gradativas (como console e PC, por exemplo). Por fim, se você é um verdadeiro entusiasta do mundo gamer, é sempre bom poder acompanhar o que, por si, só cada um desses universos oferece ao consumo, de sua forma completamente única e particular e pasmem, nunca ficar de fora de nada.

Porém, sabemos que esta é uma realidade um tanto quanto utópica para a maioria dos brasileiros.

O problema começa na óbvia questão financeira e termina na questão cultural. Na segunda, caso você não tenha uma "família gamer", sua esposa/marido, seus pais e outrem, ainda que possam não ter investido um centavo em sua coleção, certamente tendem a criar um patamar de desrespeito e cobrança, lhe cobrando porquê você investiu dinheiro nisso e não em uma casa ou um carro por exemplo. Nem mesmo em famílias ricas creio que este preceito seja deixado de lado. Desnecessário comentar situações de pessoas mais jovens, com dependência financeira: aqui realmente é uma questão herética.

Percebam que eu fui, de certo modo, a dois extremos. No entanto vou tentar me fixar ao mais próximo que consigo de um padrão: uma espécie de gamer brasileiro comum - pessoa de trinta anos de classe média para baixa e com renda de dois salários mínimos (já não é tão comum assim, mas enfim...). Afinal de contas, você, dono de Xbox e casado, por exemplo, vale a pena enfrentar todos estes obstáculos em prol de comprar um PS4? Ainda mais nesta reta do campeonato?

Obviamente que dei este exemplo por ser a minha situação respectiva - assim fica mais fácil, claro. Tenho tido este pensamento devido a certas peculiaridades minhas: sou entusiasta de jogos de temática oriental e de luta, dentre outros, que não têm na plataforma verde. Você poderia me questionar o porquê de eu não ter comprado um Playstation e eu já lhe respondo: na minha visão, o suporte da empresa, o custo-benefício, serviços e a totalidade do Xbox One (principalmente o X) sempre foram superiores ao PS4. Da mesma forma que este descaso com a cultura dos games orientais sempre foi algo que me incomodou no Xbox. Mas é assim mesmo: se uma plataforma tivesse tudo não veríamos por aí tantas guerras de consoles e coisas do tipo.

Mas voltando a perspectiva racional da coisa: hoje em dia, conto com cerca de 300 jogos, mais ou menos, de minha propriedade em minha conta Xbox - variando entre as 3 plataformas já criadas pela Microsoft. Também sou assinante do EA Acess e do Xbox Game Pass Ultimate, o que engorda ainda mais esta lista, sem contar, claro, que estou com o console mais poderoso da geração e uma bela televisão 4K, criando para mim, talvez a perspectiva de setup mais poderosa que um dono de console poderia ter. No entanto, se sabe que jogos não se limitam a isto - são bem mais. Talvez o que mais os defina seria o seguinte conceito: aproveitar a geração jogando tudo que você exatamente quer jogar. Simples assim.

Vou lhes dar um exemplo: sem dúvidas eu gostaria de jogar games como Nioh e Street Fighter 5, exclusivos de PS4 nos consoles. Se eu tivesse tido a oportunidade de comprá-los, quem sabe jogos que não tenho esta mesma certeza de minha propriedade, como Dark Souls, por exemplo, não estariam na minha chamada "pilha da vergonha". No entanto, é óbvio que esta perspectiva mais funcional e de aproveitamento é algo recente, sendo que até a pouco me via como um colecionador - na obrigação de ter a maioria dos jogos de renome. Hoje, devido a minha rotina complicada, percebo que o meu tempo e dinheiro são valiosos demais para serem desperdiçados. Assim, mal nenhum tem e eu abrir mão de um Red Dead Redemption 2 (que possui uma temática que, de todo, não me agrada) para um jogar um Yakuza, por exemplo. Isto significa melhor aproveitamento de minha (complicada) vida gamer.

Talvez até aqui, por si, a questão já tenha sido respondida, no entanto, existem dois pontos a se ponderar - nem sempre podemos ou devemos fazer o que queremos. Isto quer dizer que investir mais de mil reais e um novo videogame para ter acesso a jogos que o meu não tem, pode ressoar como um certo ato de gula - possivelmente desnecessário. Isto porque por mais que eu queira jogar tais jogos azuis, existem um tanto considerável de verdes que tenho o mesmo desejo e ainda não fiz - Sekiro, The Wicther 3 e Final Fantasy XV são alguns exemplos. Aqui então fica complicado não pensar que se trata de um investimento de vaidade e não necessariamente de aproveitamento, pois, ainda que você me diga que God of War foi o jogo de sua vida, em meu caso e vendo minha realidade, afirmo que tal conceito não ressoa como "vida ou morte" para mim como talvez ressoe para outras pessoas.

Por último, é claro, existe a perspectiva técnica: eu não compraria um PS4 Pro e sim um Slim ou até um FAT. Esta regressão de poder para quem está acostumado com o Xbox One X, como apareceria aos meus olhos? Claro, de novo, um game não se limita a isto - se não eu não estaria jogando Doom 2 e nem teria jogos de Xbox Clássico, por exemplo. No entanto, quando se trata de um investimento maior, este fator acaba pesando.

Para terminar, basta olhar o período que estamos: falta cerca de exatamente um ano para que as novas plataformas, PS5 e Scarlett, sejam lançadas, sem falar de grandes lançamentos prometidos para o ano que vem, como Doom Eternal e Cyberpunk 2077 - sem falar nos games que ainda não joguei, sem falar nos que chegarão ao Game Pass, sem falar nos que posso comprar nas promoções. Se minha razão falar mais alto, provavelmente não pegarei as plataformas novas em seu lançamento - irei dar a clássica esperada de uns dois anos. No entanto a emoção pode acabar falando mais alto e se eu for por ela, acaba surgindo o seguinte questionamento: melhor um Scarlett ou um Xbox One e um PS4 para os próximos dois anos? Eis uma pergunta difícil de ser respondida, embora o PS4 leve certa vantagem devido ao menor investimento - que certamente não será o do Scarlett em seus primeiros meses de lançamento. No entanto, o adquirir do PS4 me deixaria ainda mais longe do Scarlett, embora eu desconheça ainda qual é sua necessidade - quem ele é perante o Xbox One X? Acredito que a resposta desta pergunta me ajudaria.

Dois anos de Playstation 4, somados a Game Pass e meu backlog do Xbox One X...bastante coisa.

Será que eu daria conta? Seria necessário muito filtro.

No final das contas, a percepção que tenho é que a união dos dois consoles parece algo mais forte que o "vazio" novo console - poder não são jogos, creio eu.

Minha conclusão é que se o Scarlett não puder me oferecer uma experiência 4k60 em meus jogos velhos de Xbox, de início, ele não se sobressairia à dupla XONE-PS4. Somente quando trouxesse seus próprios jogos, principalmente alguns de origem japonesa, ele poderia me fazer esquecer do console azul. Mas ora, isso não é algo que eu acredite. No fim, comprar o PS4 parece ser o melhor e, daqui a três anos, ter uma moeda de troca a mais pelo novo console da Microsoft ou, até mesmo, manter a dupla Scarlett e PS4, até que o PS5 inspire desejos o suficiente para tê-lo. Pela emoção, esta última parece ser a melhor ideia. Pela razão, no entanto, negócio é ficar com meu One X, esperar o momento e trocar pelo novo - frio, simples, mas eficaz.

Razão ou emoção?

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Por Que Jogar Videogame?

Depois que me tornei adulto, a partir da geração passada, esta foi sempre uma questão que me intrigou.

Tanto que sinto que aproveitei pouco tal geração - tenho tentado fazer o contrário, da melhor maneira que posso com esta.

O que jogar videogame exatamente representa na vida de um ser humano ou por que motivo eu mesmo faço este questionamento?

Vejamos bem.

Se sabe que a infância ou a adolescência são momentos de nossas vidas nos quais dá a impressão do quesito responsabilidade ser algo mais leve - sobre a visão de um adulto, óbvio. Indo mais a fundo: sem dúvida alguma existe tanta responsabilidade ou esforços e desafios nas vidas dos mais jovens, porém, a consciência destes fatos é mais nula. Basicamente, não nos preocupamos tanto em como usamos nosso tempo ou se estamos "vivendo bem" nossas vidas - apenas fazemos o que gostamos e o que temos que fazer. Ponto final.

Não quero me estender muito na questão psico-filosófica aqui, mas sua introdução é importante.

Na vida adulta, porém, assim que a ficha cai, passamos a nos cobrar mais por sucessos maiores - se antigamente eu seria o rei do mundo ao dar um beijo na menina que gostava e tirar notas boas ao longo de todo ano, hoje a coisa fica mais complicada. Precisamos trabalhar - sobreviver, de forma mais direta. Isto parece exigir um direcionamento sobre no que vamos usar nosso tempo e esforço, afinal de contas, nossos pais "não vivem para sempre", falando de forma mais brutal. O profissional acaba sendo o centro - sem ele, parece que não conseguimos nada, como casamento, por exemplo.

Mas então vamos fazer um teletransporte para você gamer adulto que, digamos, já passou por estes desafios - tem um emprego estável, uma esposa, talvez um filho. Se sabe que para o trabalhador, o momento de lazer é crucial para que mantenha a sanidade e jogar videogame talvez seja uma forma de usar este seu tempo mais para você - se divertir fazendo o que gosta, simples. No entanto, certamente já lhe ocorreram questionamentos sobre o papel disto em sua vida. O tempo que você joga videogame, em tese, você poderia estar fazendo algo mais produtivo, por exemplo. Ficando com sua família, praticando exercícios, estudando. O dinheiro também faz a diferença: os 4mil que você irá pagar no seu console de nova geração, assinaturas e jogos, certamente terão um impacto sobre sua renda - não valeria mais a pena investir em cursos, mestrados, especializações?

Me parece totalmente injusto afirmarmos que jogar videogame se trata de algo improdutivo. Para mim, improdutivo é você estar insatisfeito com qualquer coisa que faça e desta forma de manter, em uma zona de conforto. O trabalho, o casamento e tudo mais da vida adulta demandam nossa energia - de novo, é crucial que tenhamos estes momentos de lazer para nos recuperarmos. E danem-se completamente os "mais deveres"! Só podemos eles aceitarmos, de acordo com nossa perspectiva do momento - se queremos ganhar mais ou algo parecido. No entanto, se, como meu caso, você só busca viver sua vida, os games em nada se diferenciam de qualquer outra atividade. Digo mais: se você cresceu com eles, sua prática e interação representam uma verdadeira energia para sua alma se renovar. De novo, entra a questão da perspectiva: o que representam os games em sua vida?

Posso dizer que na minha, em muitos aspectos, me formaram. Meu amor pelo esporte e pelas artes marciais, em muito vieram dos jogos de luta, Mortal Kombat, mais necessariamente. De praxe, este game me trouxe outras coisas (junto com muitos outros) como a paixão pelo universo oriental - que olhem só, uso como referência em meu trabalho como psicólogo.

A questão então acaba ficando em quem você é. Se você jogou videogame ao longo de sua vida, mas tudo aquilo não passou de uma brincadeira de esconde-esconde infantil, bem, talvez manter os hábitos com isso em sua vida não seja para você. Mas se você mergulhou nos personagens, aprendeu conceitos sobre a vida e as virtudes, aprendeu inglês e tantas outras coisas, podemos dizer que os games têm cadeira cativa em seus hábitos - mesmo que você mais jogue do que leia ou faça atividades físicas.

Se os games fazem parte da base de sua alma, só você sabe. E se fazem, dê a eles o valor que eles merecem.

O Todo de sua vida agradece.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Abandonar os Games/Se Tornar Casual?

Na verdade, se nos basearmos por horas jogadas ou ao nível de dedicação que tenho tido a jogar videogame, posso dizer que me tornei casual faz meses - questões definitivamente mais importantes começaram a bater na porta de minha vida. No entanto, acredito de uma forma um tanto quanto inocente, que não é um absurdo diferenciar o casual do hardcore apenas pelo papel emocional que os games têm em sua vida - não relevando necessariamente as horas jogadas ou términos de jogos.

No entanto, já a muito tempo, minha filosofia principal foi sempre encontrar a melhor forma de viver - a que me proporcionasse menos sofrimento: qualidade de vida. Este inclusive foi o motivo do qual trouxe os games para minha vida de novo depois de um tempo afastado deles - percebi que sobre certa condição, eles podem nos trazer este efeito relaxante e feliz. Todavia, como cientista da mente humana, sei bem eu que existem atividades (das quais inclusive também sou entusiasta) que conseguem proporcionar este efeito de uma forma mais eficaz que os aparelhos eletrônicos. Isto acabou tornando o papel de meu Xbox One X e games no geral, no mínimo, questionável.

Aprendi coisas que as pessoas batem na tecla há anos, mas que eu como nerd me recusava a aceitar - a importância do social, por exemplo. De fato, desde que minha vida profissional cresceu, percebi que o papel do lazer ia bem além de aproveitar minha vida - chegava a nível de um processo que deveria ser terapêutico e reparador pelo bem de minha profissão e de minha grande prioridade na vida: minha família. Assim, percebi que atividades como estar com ela, conversar e ouvir e zelar pela felicidade daqueles que amo, juntamente com bons hábitos de saúde, como compromisso com atividade física, estavam (ou estão) conseguindo me proporcionar mais este efeito do que necessariamente jogar videogame.

Quinta-feira é oficialmente meu dia reparador ao longo da semana. Diferente do comum em meus hábitos pós-atividade física, que se tratava de navegar na internet ou jogar videogame, optei ontem por conversar com meu pai. Por me divertir com meu primo. Por ficar com minha família. Sem conversar ou pensamentos sobre assuntos sérios ou problemas - somente falar besteiras ou sobre coisas que eu gostava, como meus futuros planos para o esporte, por exemplo. Por fim, ao final do dia, dediquei indo contra meu instinto alguns minutos à jogatina - testar alguns jogos que havia baixado. E no final de contas, acabou sendo uma experiência um pouco neutra - a nível de eu me questionar se não deveria estar conversando com minhas tias ou não sei, lendo e me aperfeiçoando no campo do saber.

No entanto é óbvio que isso não é uma conclusão definitiva. Mas um fato importante a constatar.

Imaginei como seria a minha vida se, não sei, vendesse meu videogame; excluísse meu Twitter e parasse de acompanhar este universo digital - fazendo apenas o extremamente necessário do profissional, dedicando meu tempo apenas à família, ao esporte e à produtividade. Seria esta a melhor decisão? Na verdade, minha única referência se não buscar a direta experiência seria o período em que me afastei praticamente totalmente dos games - jogava praticamente só FIFA em um Xbox 360 desbloqueado.

Neste período, o que de fato fez eu me afastar dos games, fora o universo da faculdade - assim como das competições de artes marciais. Pela primeira vez na vida, diferente da adolescência, consegui ser alguém importante, pois era conhecido por ser um aluno inteligente, tanto pelos professores e principalmente pelos colegas. Além disso, também era considerado um atleta de respeito, segundo as palavras de meu treinador, um dos dois melhores da equipe a nível técnico, com títulos, graduações e tudo mais. Mas vejam só que curioso: enquanto a vida adolescente nerd talvez fosse mais tranquila, essa juventude adulta era um verdadeiro furacão - uma instabilidade emocional proporcionada por coisas boas e ruins o tempo todo. E claro, além de tudo, ainda havia o conhecimento, do qual sempre fui entusiasta, porém foi no Ensino Superior que dele me tornei quase religioso - o que inclusive me fez questionar qual era a melhor forma de se viver.

Posso dizer que meu período na faculdade se resumiu em ciclos: um início eufórico feliz, passando para uma vida pessoal instável, chegando em uma crise mental profunda - da qual ajuda profissional e o início do relacionamento com minha mulher foram as responsáveis por me devolver à tranquilidade. O Xbox One foi um adendo à esta busca por paz, que por sinal funcionou muito bem. Porém hoje, no auge da vida adulta, parece haver pouco custo-benefício em me dedicar a ele como já me dediquei - talvez este período tenha passado.

No entanto, reflito sobre minha vida, como ela seria, por exemplo em um dia como hoje - chuvoso e do qual provavelmente não irei me dedicar aos treinos. Ligo meu computador para ver o Twitter focado em notícias sobre games - não política ou ideologia, a bola da vez. Se não tivesse um Xbox One X, como esta realidade seria? Sei que não iria me expor a materiais nocivos como estes (política e afins) - já estou bem vacinado quanto. Mas então eu ia fazer o que? Ler? Por quanto tempo - uma hora talvez? E depois? Entraria em contato com meu primo de novo? Com minhas tias? E seria assim em todos meus dias de folga, que não os com a noiva?

Acho que a resposta para tudo sempre recai na mesma resposta: equilíbrio. Qualquer atividade que usada e feito em excesso, passa naturalmente a perder sua graça - nosso cérebro funciona assim. E tudo bem que deveres naturais como cuidar de meu relacionamento, trabalho ou saúde isso aconteça, afinal são atividades que não se tratam de puro lazer - há comprometimento e disciplina nos mesmos. No entanto, não acho que deva haver isso nas demais atividades - essas foram feitas somente para entreter. Por isso existe o momento certo para desfrutar delas com proveito - bem melhor fazer aquilo que você gosta depois de um tempo longe, suficiente para fazer você sentir falta.

Assim sendo, concluo que o Xbox ainda tem um papel em minha vida - retirá-lo e me ater totalmente à disciplina ou a estas formas de lazer arcaicas me parece um extremo. Preciso dele para sentir falta delas e delas para sentir falta dele - desfrutando de todos, sem me preocupar com qual mais e sim qual preciso e quero em determinado momento. Ainda que minha pergunta não esteja totalmente respondida, sinto que, por ora tenho um norte a ser seguido - que conforme for indo, saberei como pode ser aperfeiçoado.

domingo, 11 de agosto de 2019

Gamer de Verdade - A Definição

Não sei bem se este termo sempre circulou as discussões sobre games, se surgiu na geração passada ou mesmo na atual, mas o fato é que é um conceito amplamente discutido por todas as comunidades. Neste texto, tentarei fazer uma abordagem mais filosófica e profunda, considerando todas as formas de visões e tentando chegar a uma espécie de veredicto - obviamente, o meu.

Esta discussão chegou em minha vida através dos influencers da Xbox Mil Grau e a "cobrança da gamertag" - antes disso, apesar de jogar videogame desde 1994, eu nunca havia ouvido. Sequer me lembro de qualquer conceito próximo ter passado pela minha cabeça - minha relação com os games era apenas jogar (o tanto que eu estava afim, o jogo que estava afim, naquele momento) e comprar revistas e visitar sites para me informar ou aprender sobre games que eu saberia que precisaria de ajuda.

No início, depois de ver os vários "exposeds" feitos pela XMG, concordei diretamente com a analogia deles - afinal de contas, me parece que isso se aplica em qualquer conceito de entretenimento quando vamos dar uma opinião ou um review: precisamos ter lido o livro ou visto o filme por completo para fazermos uma "análise técnica". No entanto, é importante salientar que no meu caso, pelo fato de não ser influencer ou coisa parecida, sempre também tive o costume de "dropar" todas mídias - filmes ou séries que, depois de um tempo assistindo, começavam a perder a graça, eu simplesmente deixava de ver. Com os livros eu tinha um nível de exigência maior comigo mesmo, afinal tenho uma relação de respeito maior com eles, por isso sempre me esforçava para chegar até o fim. No entanto, hoje este é um conceito que não me aplico mais, lendo apenas aquilo que me for interessante ou realmente necessário.

Em relação aos livros, percebi que isto é extremamente importante no que diz respeito ao aprendizado, pois quando você está lendo "empurrando", acaba deixando informações para trás ou mesmo criando uma experiência limitada com aquele material, eu diria. A questão é: será que isto se aplica aos filmes, séries ou games? Como psicólogo, acredito que sim - empurrar um desses com a barriga me parece ser um mal que você faz a você mesmo, pois entretenimento é para entreter, afinal. Sem dúvidas, chegar até o fim de qualquer mídia é um tanto quanto prazeroso (a sensação de dever cumprido), mas isso é mais um sentimento de ego do que produtividade, pois o quanto você realmente aproveitou deste material? Só que aí chegamos no ponto mais polêmico - a questão da opinião.

Antes de tudo, é importante salientar que qualquer experiência que você viva com qualquer forma de mídia está diretamente ligada com sua condição psicofisiológica do atual momento que você vai interagir com ela. Isto é bom - pois sempre teremos uma experiência diferente e nova com a mesma coisa - e ruim - pois nossa opinião fica, de certa forma, confusa, principalmente se for necessário eu fazer uma análise daquele material. Quando buscamos informações, buscamos a verdade e o tanto de relatividades que podemos encontrar é apavorante. Assim, acabamos por nos basear em maiorias, o que nem sempre nos levará ao que buscamos.

Mas voltando ao conceito inicial: será então que todas as mídias que não completei torna minha opinião pública sobre elas menos crível? Ou, também, será que as emoções, diversão e imersão que senti no jogo também são um fato a ser explorado? Parece que quanto mais reflito, mais a resposta vai ficando distante. Vou tentar responder as duas perguntas: acredito que o ideal seria que eu explicasse minha experiência pessoal com aquela mídia, me incluindo totalmente nela, dizendo o que senti e o que achei - mais: dizendo como eu estava nos determinados momentos que interagi com a mídia e o tanto que interagi. Desta forma, a experiência que passarei ao leitor será um tanto quanto mais intensa, humana e deixando claro que não se trata de uma verdade absoluta.

Também voltando ao conceito de ser gamer - o que me caracteriza com este adjetivo? Bom, se traduzirmos a palavra para o português chegaremos a algo como "jogador de jogos eletrônicos". Então pegamos este substantivo (jogador) e extraímos aquilo que o caracteriza (jogar). Acho que a definição básica é essa - para sermos gamers de verdade, precisamos jogar games! No entanto a polêmica começa em tudo que falei até agora - se jogamos mais, se jogamos menos, enfim...acredito que não exista regra alguma a não ser o ato de jogar - talvez a única que possamos colocar, por uma questão de justiça, é o fato do "jogar" ser um hábito de nossas vidas. Caso contrário, a pessoa de trinta anos de idade que jogou dez vezes por meia-hora na vida vai ser equiparada à que joga todos os dias e receber o título de gamer - o que é totalmente injusto.

Mas e o, vamos chamar de "entusiasta" - aquele cara que sabe bastante sobre games?. Lê, assiste vídeos, streamings...um verdadeiro estudioso, mas que não tem o jogar com um hábito: as outras formas de interações com os games lhe são mais interessantes. Será que podemos chamar este cara de gamer? Eu acho que no seco da palavra, não, pois ele não pratica sua definição, essência. No entanto, ele pode se intitular de outra maneira - estudioso, adorador, espectador...porém, gamer, acredito que não. E é no mínimo estranho pessoas que gostam de games mas não fazem questão de jogar - existe uma infinidade de motivos que podem explicar, mas de fato, o importante é separar o joio do trigo - quem joga de quem não joga.

Por fim, quero levantar uma pergunta de extrema polêmica e reflexão: será que alguém que assistiu dez vezes o streaming de um jogo completo, por mais que defina que foi apenas espectador, merece ter a opinião levada em conta na hora de alguém decidir se quer comprar esse jogo ou não? Eu acredito que sim, desde que ele deixe claro como foi sua participação - cognitivamente falando, sobre o estado de espectador conseguimos perceber coisas que como jogador, principalmente em jogos frenéticos, costumamos deixar passar. No entanto, existem patamares - o jogador da experiência completa, o jogador da experiência incompleta, o espectador e o mais "perigoso" de todos, que pode se encaixar em qualquer um que falei - no caso o fanboy, totalmente incapaz de compartilhar uma experiência crítica.

Mas como citei antes, o negócio vai além: uma pessoa com problemas psicológicos, em depressão por exemplo, que tende a desenvolver um perfil pessimista, ainda que não seja fanboy, também não terá a plena capacidade de gerar uma experiência confiável. Complicando ainda mais: você sabe que tem como dever fazer seu review, mas teve um dia ruim ou naturalmente não gosta do jogo que jogou - acaba sobrando para o consumidor.

Talvez a experiência mais válida sempre seja a individual - a que não releva opiniões alheias, o que é extremamente difícil na condição do uso que fazemos da internet ou do simples fato de gostarmos de games e termos contato com suas informações. Só que ainda assim, apenas uma tentativa não é válida - é sempre bom darmos mais de uma oportunidade para criarmos um conceito. Claro que em termos de consumir produtivamente, isso não ajuda muito, mas acaba por nos revelar aquilo que é mais importante - NOSSA opinião confiável sobre aquele jogo.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Depressão Pós-E3

Que fique bem claro que eu não estou achando as coisas ruins. Estou apenas com dúvidas em relação à elas.

Eu não tive um Xbox 360 original. O meu era desbloqueado. Só fui conhecer a Xbox Live quando comprei o Xbox One, em 2016, aos 26 anos. Antes disso eu passei por diversas gerações de consoles. E a regra era sempre básica: novos jogos, jogar e troca de gerações onde iriam vir novos jogos, jogar e troca de gerações. Simples. Foi assim, para mim, desde o Nintendinho até o próprio Xbox 360 desbloqueado. Tudo mudou no Xbox One. E está mudando ainda mais.

Quando você não é um fanático, as coisas ficam bem mais difíceis. Isto porque tudo que as empresas que você consome, você tem que analisar de forma crítica, se gostou ou não. Na vida do fanatismo de qualquer ideologia que seja, pensar e analisar não acontecem - é apenas dizer que está certo e apoiar (ou o contrário em uma ideologia oposta - em exemplo, o Playstation). E isto, de certa forma, desgasta. Cansa. E é assim que estou me sentindo depois desta última E3.

Agora em 2019, comprei um Xbox One X por oportunismo mais do que por vontade e tudo que eu queria era saber se tinha feito a coisas certa. Alguns que chamo de especialistas me confirmaram que sim e isto me deu alguma tranquilidade - que foi embora em um passe de mágica depois do grande evento. A impressão que tive é que o melhor desta geração, simplesmente já foi, tendo apenas uma espécie de remessa final. É muito pouco para quem comprou um console em 2019. E não é só isto. Com esta história de Xbox Game Pass e Uplay Plus para PC, me deu a entender que os únicos que estão tranquilos são os donos de computadores parrudos.

E de tanto martelarem na minha cabeça sobre os exclusivos do PS4, fico me questionando sobre ter feito a escolha certa em relação ao Xbox - mais uma vez, principalmente depois de ver um pouco a conferência da Square e ver o Final Fantasy VII Remake (embora eu saiba que existe a chance dele ser lançado para o XONE). Não sei. Antigamente parecia que de cada dez jogos, nove eram bons. E hoje essa coisa de "triple H", "double H" e indies fez tudo mudar. Google Stadia e Xcloud. Será mesmo que os consoles irão desaparecer?

No final das contas, apesar de eu considerar a lista de exclusivos do PS4 melhor que a do Xbox, acho que nem mesmo ele se salvou. Como muitos dizem, esta parece ter sido uma geração no mínimo, questionável. E então eu me lembro da batalha mais sanguinária de todas: Xbox, Playstation 2, Dreamcast, Gamecube e PC, sem contar os portáteis...bons tempos. Hoje esta coisa de Xbox contra Playstation se tornou desagradável - duas empresas lutando pelo topo é muito pouco. E no meio desta guerra estão os PC's que a Xbox insiste em trazer para seu lado e não sei, sinto aquela coisa "Dom Matrickk", de que vai chegar o dia que os consoles Xbox simplesmente deixarão de existir. Sorte de quem seguiu pelo caminho azul que está, de momento, se tornando o caminho dos consoles. Ainda que o Xbox conquiste o mundo na forma de um serviço, é estranho para alguém que viveu tudo aquilo que vivi, que não seja como um console. Se fosse assim, talvez eu nem quisesse que a Microsoft tivesse vindo para o mundo dos consoles, já que o Windows é sua grande paixão.

Se me perguntassem se jogos ou consoles são minha grande paixão (qual dos dois), eu ficaria em dúvidas. Isto porque já fui um jogador de computador e a experiência de jogo lá é totalmente diferente da de um console - é um lugar que eu não quero voltar nunca mais. E o que parece é que o futuro gamer deverá pairar nestes (e em outros) dispositivos, que não consoles - estes, são desde candidatos a serem obsoletos à se tornarem "mais um" quantos aos games. A empresa que sigo, Microsoft, sempre foi uma empresa de software. Talvez eles (os consoles) sempre existam, sejam valorizados e tudo isto seja uma paranoia minha, mas acho que a grande definição do quero dizer é que, ao menos para mim, os games nasceram nos consoles. Vê-los com tanto destaque em outros lugares é estranho.

Não sei se estou preparado. Muita coisa pra elaborar.

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