Este título parece um tanto quanto inusitado, já que falamos de uma forma de lazer.
Mas sei que para ir para a praia é necessário dinheiro, planejamento e o próprio esforço braçal de fazer as malas. Para se chegar ao lazer, quase sempre é necessário o compromisso. Como não dormir até ao meio-dia quanto você está na praia e deixar de aproveitá-la!
Não vou julgar o gamer casual e seu FIFA ou Call of Duty e seus 45min de jogatina três por semana. Mas falando de FIFA, do qual fui jogador assíduo, posso garantir o quão agradáveis algumas sensações são: fazer seu time progredir no modo Carreira, fazer seu time subir de divisão online ou mesmo montar uma seleção de estrelas no Ultimate Team. Para mim que vos escreve, isso vale muito mais que apenas jogar um Real Madrid contra Barcelona ao fim do dia.
Estamos em 2017. Ganhei meu primeiro videogame em 1994. Posso afirmar que foi esse ano que descobri o que é jogar de verdade PARA MIM. Triste, mas ao menos descobri.
E no que se resume esta descoberta? Simples: quando eu inicio um game e gosto dele, isto me dá a obrigação de jogá-lo até o fim. O resultado foi que, provavelmente, no ano de 2017, terminei mais games do que em toda a minha vida. E claro, existem formas de jogar que "não são termináveis", mas que sua jogatina também pode se basear em uma forma de progresso. Halo e Battlefield, por exemplo. São games que presenteiam com medalhas os melhores jogadores, sejam de single ou multi (fora os registros de estatísticas ou títulos de campeonatos online ou profissionais). Aí que entra a palavra que define tudo: progresso. Acredito que isto se aplique até fora do videogame, na vida - mas este é assunto para meu outro blog.
Mas gostaria de falar sobre meus erros, enquanto jogador. E que este relato respingue naqueles que, por algum motivo, gostariam de jogar mais, mas assim não o fazem.
Era exatamente isto que eu fazia, principalmente no Xbox 360. Tudo bem, foi uma época de muitos acontecimentos extra-game para mim, mas assim como a atividade física, isto não é desculpa. Lembro de ver a notícia na internet de tal jogo saindo, ir comprá-lo, começar a jogar e no total, dificilmente chegava até a metade do jogo. Por que? Porque era melhor jogar FIFA ou PES sozinho ou com os amigos ou assistir videos no Youtube. Por que diabos comprei o jogo então? Tenho a vergonha de afirmar que possivelmente não terminei NENHUMA campanha no 360, pois acho injusto considerar coisas como o "Modo História" do Mortal Kombat 9 ou do Injustice. Graças ao Universo, a retrocompatibilidade do Xbox One me salvou e hoje, pelo menos dessa geração, estou me compensando. Sempre compro, jogo e TERMINO tantos títulos de 360 quanto One. Vivo duas gerações em uma.
Nas gerações anteriores foi um pouco diferente - tentando não ser injusto comigo.
Terminei diversos games no SNES, no PS1, no PS2 e no Game Boy Color. Mas parece que tudo estava entrelaçado com a idade: quando somos muito crianças, dificilmente temos compromisso ou habilidade para terminar um game. Mas quando vamos a adquirindo, na faixa dos oito ou dez anos (de minha geração, hoje, provavelmente antes) as coisas vão fluindo. Lembro de ter terminado grandes títulos - Pokémon Vermelho e Pokémon Silver terminei mais de uma vez, assim como Zelda: A Link to the Past e Super Metroid nos Nintendo. No PS1, porém, já tenho menos lembranças - posso citar Castlevania: Symphony of the Night, do qual me lembro. E no PS2, Resident Evil 4 e os dois God of War - não creio ter feito muito mais além disso. PC me recordo apenas de Fable.
É. Realmente quando vamos entrando no coração da adolescência, temos muitas coisas a descobrir. Mas não creio que isto nos impeça de sermos grandes ou bons gamers. Trata-se de uma simples questão de compromisso. Quando falo compromisso, não é vício - muito pelo contrário. É antes de comprar aquele game caro novo, você terminar aquele caro anterior que você estava jogando. E se está complicado, está sem vontade ou estímulo, recomendo jogar junto com este título grande, um de menor expressão, do qual vá mostrando mais rapidamente o quão você está progredindo. Isto ressoa quase como uma "autoestima virtual". O jogo pequeno e seu progresso nele vão lhe dar o boost que precisa para encarar o grande. Pelo menos comigo é assim. Até mesmo nos livros eu funciono assim.
Vou encerrar o texto com uma crítica. Talvez ela seja até injusta, mas não importa. Estou aqui para fazer os gamers pensarem.
De que adianta fazer como eu fazia? Comprar, comprar e não jogar? Ou jogar andando em círculos, como trolls de multiplayer fazem - além de atrapalhar os outros, sua própria jogatina não tem sentido. Claro, você pode me dizer que jogar é diversão e se seu acho divertido ficar pulando sem parar no mesmo lugar na primeira fase do Super Mario World (sei que isso não tem como porque o tempo acaba, mas segue o raciocínio) por seis horas, devo ser respeitado como gamer (embora creio que "respeito" não seja exatamente algo que um gamer busca), concordo que é um direito todo seu. Apenas para mim não possui lógica. Talvez seja algo da personalidade, da fase da vida que vivemos. Uns buscam diversão, enquanto outros buscam progresso - jogar muitas vezes é o reflexo de nossa própria vida real e do que realmente desejamos.
Então, meus amigos, cada gamer tem seu jeito de jogar e todos devem ser respeitados. Exceto aqueles que atrapalham ou trapassam - que causam sofrimento a alguém.
Mas a minha a forma de jogar, neste momento da minha vida é essa - progresso. Seja através do término de jogos, ou mesmo da gamerscore, sentir a vitória REGISTRADA depois de um grande esforço, é algo um tanto quanto estimulante. Algo que não tínhamos gerações atrás, onde não podíamos provar o que jogamos ou deixamos de jogar. Hoje é diferente. Claro, ninguém é melhor por ter mais games terminados, gamerscore ou horas. Mas se trata do nosso orgulho pessoal - que reflete no coletivo. Por isso, deixo a minha mensagem aos gamers dos quais, creio eu que não vão se arrepender.
Terminem seus jogos. Comprem com moderação - o consumo deve ser baseado no quanto você já terminou dos seus. Ou vira um capitalismo selvagem - sem sentido.
Como o troll. Como o cheater.
Progresso. Sempre.
Não vão se arrepender. Prometo.
domingo, 31 de dezembro de 2017
domingo, 24 de dezembro de 2017
O Dinheiro do Gamer
Cá estou eu trazendo mais um texto, uma temática, ligado aos preconceitos cotidianos vividos pelo gamer e seus equivalentes - nerd, otakus, metaleiros, hipsters, praticantes de religiões não-cristãs ou qualquer forma de vida considerada afastada demais da cultura tradicional brasileira.
Pobre ou rico, a história é sempre a mesma: o dinheiro não deve ser investido em games.
Por que? Porque ele deveria ser investido em qualquer coisa mais aproximada da cultura - casa, carro, viagens, roupas e (estranhamente) até mesmo smartphones. Parece um completo absurdo psicótico que R$ 250,00 sejam investidos em um jogo ou R$ 2000,000 em um console - que dirá entre R$ 3000,00 e R$ 4000, 00 nos modelos premium, os últimos. Isto também pode se aplicar em um PC Gamer, com quantias ainda mais exorbitantes.
Mas qual o problema? De certo modo, não está certo?
Veja bem, meu camarada. Se o dinheiro é seu você faz o que bem quiser. Quanto quiser e quantas vezes quiser. Chama-se liberdade, instituída pelo que conhecemos como democracia. Investir em games não é crime até onde sei. Mas então vem você, o "pregador da moral" e diz para mim que se moro com meus pais eu deveria investir este dinheiro em uma casa. Ou se não tenho um carro, deveria investir em um.
Aí eu pergunto: por que? Porque você acha o certo? Porque seu pai te ensinou? Porque está escrito na Bíblia? Mas e o que eu acho certo? E o fato de o dinheiro ser meu? E o fato de ser minha vida? A discussão acaba aqui (eu acho).
Sim, talvez como seres humanos que nos preocupamos com nosso próximo, talvez não seja a melhor opção investir em games quando podemos ajudar mais nossa família, se ela está com necessidade - algo básico do senso moral humano. Mas se vou ajudar ou não vou, quem paga a pena é a minha consciência, não a sua. Esta é a grande vantagem do trabalho - tecnicamente, penso eu, se você o fez com dedicação e esforço por trinta dias e resolver jogar seu dinheiro em um bueiro, este direito é todo seu.
Infelizmente, esta não é a situação de uma boa quantia de gamers.
Muitos de nós não dispõem - porque motivo que seja - de uma carteira assinada suficente para nos dar este ganha pão - do tipo sustentarmos nossa casa, filhos e ainda sobrar dinheiro para um joguinho ou console. Acabamos por depender de outras pessoas - quase sempre, os pais. E obviamente que o dever de um pai é educar seu filho para que tenha sucesso na vida. Porém, será que um pai que dá dinheiro para seu filho comprar games todo mês é um pai melhor daquele que diz que isto é errado e o "incentiva" a trabalhar? Acredito que depende da forma de incentivo. Este é o motivo das aspas.
Pressão e alegação de "certo" e "verdade absoluta" não colam. É preciso argumentar, dialogar. Isto popularmente se chama "inteligência".
Acredito, repetindo, que o incentivo da autonomia de um filho sempre é o melhor caminho. Mas sendo da forma da qual eu expliquei. Um pai que dá tudo sem pestanejar é apenas uma espécie de fugitivo - fugitivo de sua obrigação de ser pai. Aqui também entra a questão do equilíbrio - por que não pode haver o game, como o incentivo? Ou mesmo o game como "prêmio" pelo esforço do filho? São apenas sugestões, pois não há uma fórmula mágica. O básico, a essência, eu já afirmei - como aplicá-lo, é preciso ter criatividade. E todo pai bom e presente sabe como fazê-lo.
Mas voltando para a outra situação, aquela do qual você é dono de seu dinheiro e tem sua carteira assinada.
Cadê sua namorada? Quando vai se casar? Cadê seu carro ou quando vai trocar o seu?
Querendo ou não, a tradição é tão forte quanto a contracultura. Por vezes, uma sempre acaba engolindo a outra. Para mim parece que nesta disputa, a tradição sempre vence, pois sempre me identifico mais com o "contraculto" - está lá, vivendo sua vida de boa, comprando o que quer, não sendo um delinquente, quando aparece alguém - muitas vezes, um estranho, colega de faculdade ou trabalho - que quando vê suas ações, sempre resolve lhe dizer o que fazer com um tom opressor.
Engraçado que eu pouco vejo isto do lado contrário.
Ou por acaso você já viu alguém que vai namorar ouvir de seu colega ao lado: "não faça isso, está errado, compre e jogue videogames", com um tom irônico de superioridade em seu rosto? Obviamente que isto já pode ter acontecido, mas definitivamente não em uma escala quantitativa significante - não ao ponto de ser chamado de "cultura". Está muito mais para "acaso", "exceção".
Eu sei lá.
O pouco dinheiro que ganho, sinto que devo gastar naquilo que me convém, afinal, é meu dinheiro. E de certa forma, consigo ver que até como a forma como o ganhei é irrelevante nesta decisão - mesmo se meu pai me deu, afinal oras, é meu. Se a mim é dado dinheiro mas o destino deve concordar com a vontade do cedente, para mim, deixa de ser meu - é apenas como um trabalho de mensageiro, no qual devo levar certa carta a alguém, que pela específica vontade do remetente.
Então, em nome dos gamers, peço sociedade:
Não nos encham o saco com o que gastamos e deixamos de gastar. Tirando a exceção do incentivo da autonomia de nossas famílias (repetindo, nossas famílias ou no máximo por aqueles que amamos e admiramos), não venham dar opinião sobre no que eu gasto meu dinheiro e até mesmo no que eu faço ou deixo de fazer - principalmente se assim eu não fizer com você. Cada um cuidar de sua vida e ter bom senso das coisas, do que representamos em nossa sociedade, seja para nosso pai, chefe ou colega é o autêntico gerador do sistema de harmonia. Bem como tece Confúcio, filósofo chinês.
Aprendamos a assim mais ser.
Eu com minha vida.
Você com a sua.
Simples assim.
Pobre ou rico, a história é sempre a mesma: o dinheiro não deve ser investido em games.
Por que? Porque ele deveria ser investido em qualquer coisa mais aproximada da cultura - casa, carro, viagens, roupas e (estranhamente) até mesmo smartphones. Parece um completo absurdo psicótico que R$ 250,00 sejam investidos em um jogo ou R$ 2000,000 em um console - que dirá entre R$ 3000,00 e R$ 4000, 00 nos modelos premium, os últimos. Isto também pode se aplicar em um PC Gamer, com quantias ainda mais exorbitantes.
Mas qual o problema? De certo modo, não está certo?
Veja bem, meu camarada. Se o dinheiro é seu você faz o que bem quiser. Quanto quiser e quantas vezes quiser. Chama-se liberdade, instituída pelo que conhecemos como democracia. Investir em games não é crime até onde sei. Mas então vem você, o "pregador da moral" e diz para mim que se moro com meus pais eu deveria investir este dinheiro em uma casa. Ou se não tenho um carro, deveria investir em um.
Aí eu pergunto: por que? Porque você acha o certo? Porque seu pai te ensinou? Porque está escrito na Bíblia? Mas e o que eu acho certo? E o fato de o dinheiro ser meu? E o fato de ser minha vida? A discussão acaba aqui (eu acho).
Sim, talvez como seres humanos que nos preocupamos com nosso próximo, talvez não seja a melhor opção investir em games quando podemos ajudar mais nossa família, se ela está com necessidade - algo básico do senso moral humano. Mas se vou ajudar ou não vou, quem paga a pena é a minha consciência, não a sua. Esta é a grande vantagem do trabalho - tecnicamente, penso eu, se você o fez com dedicação e esforço por trinta dias e resolver jogar seu dinheiro em um bueiro, este direito é todo seu.
Infelizmente, esta não é a situação de uma boa quantia de gamers.
Muitos de nós não dispõem - porque motivo que seja - de uma carteira assinada suficente para nos dar este ganha pão - do tipo sustentarmos nossa casa, filhos e ainda sobrar dinheiro para um joguinho ou console. Acabamos por depender de outras pessoas - quase sempre, os pais. E obviamente que o dever de um pai é educar seu filho para que tenha sucesso na vida. Porém, será que um pai que dá dinheiro para seu filho comprar games todo mês é um pai melhor daquele que diz que isto é errado e o "incentiva" a trabalhar? Acredito que depende da forma de incentivo. Este é o motivo das aspas.
Pressão e alegação de "certo" e "verdade absoluta" não colam. É preciso argumentar, dialogar. Isto popularmente se chama "inteligência".
Acredito, repetindo, que o incentivo da autonomia de um filho sempre é o melhor caminho. Mas sendo da forma da qual eu expliquei. Um pai que dá tudo sem pestanejar é apenas uma espécie de fugitivo - fugitivo de sua obrigação de ser pai. Aqui também entra a questão do equilíbrio - por que não pode haver o game, como o incentivo? Ou mesmo o game como "prêmio" pelo esforço do filho? São apenas sugestões, pois não há uma fórmula mágica. O básico, a essência, eu já afirmei - como aplicá-lo, é preciso ter criatividade. E todo pai bom e presente sabe como fazê-lo.
Mas voltando para a outra situação, aquela do qual você é dono de seu dinheiro e tem sua carteira assinada.
Cadê sua namorada? Quando vai se casar? Cadê seu carro ou quando vai trocar o seu?
Querendo ou não, a tradição é tão forte quanto a contracultura. Por vezes, uma sempre acaba engolindo a outra. Para mim parece que nesta disputa, a tradição sempre vence, pois sempre me identifico mais com o "contraculto" - está lá, vivendo sua vida de boa, comprando o que quer, não sendo um delinquente, quando aparece alguém - muitas vezes, um estranho, colega de faculdade ou trabalho - que quando vê suas ações, sempre resolve lhe dizer o que fazer com um tom opressor.
Engraçado que eu pouco vejo isto do lado contrário.
Ou por acaso você já viu alguém que vai namorar ouvir de seu colega ao lado: "não faça isso, está errado, compre e jogue videogames", com um tom irônico de superioridade em seu rosto? Obviamente que isto já pode ter acontecido, mas definitivamente não em uma escala quantitativa significante - não ao ponto de ser chamado de "cultura". Está muito mais para "acaso", "exceção".
Eu sei lá.
O pouco dinheiro que ganho, sinto que devo gastar naquilo que me convém, afinal, é meu dinheiro. E de certa forma, consigo ver que até como a forma como o ganhei é irrelevante nesta decisão - mesmo se meu pai me deu, afinal oras, é meu. Se a mim é dado dinheiro mas o destino deve concordar com a vontade do cedente, para mim, deixa de ser meu - é apenas como um trabalho de mensageiro, no qual devo levar certa carta a alguém, que pela específica vontade do remetente.
Então, em nome dos gamers, peço sociedade:
Não nos encham o saco com o que gastamos e deixamos de gastar. Tirando a exceção do incentivo da autonomia de nossas famílias (repetindo, nossas famílias ou no máximo por aqueles que amamos e admiramos), não venham dar opinião sobre no que eu gasto meu dinheiro e até mesmo no que eu faço ou deixo de fazer - principalmente se assim eu não fizer com você. Cada um cuidar de sua vida e ter bom senso das coisas, do que representamos em nossa sociedade, seja para nosso pai, chefe ou colega é o autêntico gerador do sistema de harmonia. Bem como tece Confúcio, filósofo chinês.
Aprendamos a assim mais ser.
Eu com minha vida.
Você com a sua.
Simples assim.
domingo, 3 de dezembro de 2017
Gamer Não Tem Vida?
E lá vamos nós estrear o blog com um assunto completamente imersivo. Amplo. Relativo.
Para quem não sabe, além de gamer, sou psicólogo. Se quiser visitar meu blog sobre psicologia, basta procurá-lo aqui em meu perfil Blogger. Estou dizendo isto porque este texto há de sair um pouco dos termos tradicionais sobre videogames. De hardwares, Marios e Phil Spencers vamos para o cérebro, comportamento, cultura, questionamentos. E lá vamos nós.
Talvez nem caiba em apenas um texto.
Para quem não sabe, além de gamer, sou psicólogo. Se quiser visitar meu blog sobre psicologia, basta procurá-lo aqui em meu perfil Blogger. Estou dizendo isto porque este texto há de sair um pouco dos termos tradicionais sobre videogames. De hardwares, Marios e Phil Spencers vamos para o cérebro, comportamento, cultura, questionamentos. E lá vamos nós.
Nós gamers, nerds, otakus e tantas demais "classes" com vínculo à arte contemporânea e globalizada estamos, não exatamente acostumados, mas sabemos como as culturas e tradições nos vêem - estranhos, virgens, loucos e derivados. O motivo já foi dito - nossos comportamentos vão contra àquilo - o tradicional, o ligado às raízes de onde nascemos e crescemos. Isto porque nos expusemos à informações que vão além dele, nos identificando e preferindo elas do que as mais cultuadas de onde vivemos. Desta forma, por mais que em nível psicológico e social sejamos "pessoas normais", não somos vistos exatamente desta forma. Somos taxados de "algo inferior", tal como um "forasteiro" em um país estranho, afinal, muito de nossos hábitos não são compreendidos. Assim, mais fácil inferiorizar do que compreender. O "novo" sempre foi tratado desta forma pelo ser humano - basta conferir a História.
Então entra você, gamer, que prefere jogar videogame do que atividades tradicionais de sua sociedade - por exemplo, jogar futebol. O mesmo vale para regiões e também outros países - o indiano que joga em lugar de praticar hinduísmo; ou o nordestino em lugar de dançar forró. Pequenos costumes que acabam sendo suficientes para acontecer o desprezo da sociedade. Dentre estes "tipos de desprezo" está aquele famoso, que diz que o sujeito envolvido com tecnologia e relativos "não tem vida", afinal, grande parte das horas de seu dia estão envolvidas com o "virtual", em detrimento do "real".
Provavelmente você, gamer e/ou nerd já refletiu sobre isto. Se está "vivendo de verdade".
Aqui chegamos em um ponto em que as variáveis se multiplicam infinitamente. Para a biologia, por exemplo, certamente você está vivo jogando videogame - assim como para as neurociências, linhas de pensamento mais exatas e científicas, pois vendo por este ponto, a pergunta é absolutamente idiota - mortos não têm o coração batendo e nem se preocupam quando certo game vai ser lançado. Porém, o folclore da sociedade, ao lançar esta afirmação e devido à sua popularidade, certamente propõe que se faça alguma forma de reflexão sobre ela - mais subjetiva, mais forte, mais propriamente "viva" que a da ciência.
Talvez viver não seja simplesmente estar vivo biologicamente. Reflexão bem comum.
Pessoas com problemas emocionais tecem nos consultórios de psicoterapia, esta sensação com regularidade - a de se sentir que "não está vivendo". Outras formas de arte, como a música e a pintura também vão no embargo deste conceito como inspiração e expressão - o "morto-vivo". Desta forma, querendo ou não, este símbolo faz parte da humanidade e não podemos simplesmente fugir dele usando respostas científicas.
Por que o "não-gamer" tem vida e o gamer não?
Quantitativamente falando, como já dito, a resposta mais padrão talvez seja a questão do comportamento. Eles são mais tradicionalistas de acordo com suas nações e cidades enquanto nós parecemos estar mais "globalizados", por assim dizer. Mas esta é uma análise mais social. É preciso também fazer a reflexão individual.
O que é estar vivo?
É uma pergunta de infinitas respostas, mas acredito, me pondo no lugar de um "crítico do comportamento gamer" que comece, por exemplo, pela questão social. O conceita de vida (que se aproxima muito com o de "felicidade) é algo como "ter sucesso nos relacionamentos" - sejam familiares, amigáveis e amorosos. Numa outra situação comparativa, o gamer está jogando seu game, enquanto o não-gamer está participando de eventos sociais - seja com a família, com os amigos ou com os parceiros amorosos. Dentre estes tipos de relações, certamente a que mais mexe conosco, culturalmente falando, obviamente é a sexual. Assim o termo "virgem" e relativos é atrelado comumente aquele que vai menos em busca desta sensação. No entanto, pesquisas científicas recentes mostram que as coisas não são bem assim. Não são mesmo.
Primeiramente vem a questão dos tipos de relacionamentos - posso ter uma vida conjugal extremamente satisfatória e calma e uma infernal vinculada à família - pais, avós e tios, no caso. Tudo depende da individualidade, do momento da vida, etc. Segundo que existem pesquisas que apontam que relações virtuais, sejam artísticas (como um game) ou humanas, podem trazer sensações e sentimentos em níveis tão grandes quanto o chamado "real". Repetindo: tudo depende da individualidade, do momento, de tantas coisas.
Assim, acredito que a melhor conclusão de todas, seja de estar vivo ou de se gamers têm vida, está atrelada individualmente a como você está se sentindo diante de sua rotina. Hoje jogar pode ser uma fuga do sofrimento, amanhã uma diversão como qualquer outra (como ir a uma festa). Isto também se liga a meses, anos e até mesmo vidas. Você está insatisfeito com sua vida de gamer? Então talvez você não esteja tendo vida mesmo. Você está feliz? Você está tendo vida. Tudo se baseia na questão da satisfação pessoal - e esta não tem padrões e nem culturas. Há pessoas felizes passando fome e depressivas em mansões. Isto sem falar na questão do tempo, do período, já mencionada.
Logo, gamer sim, tem vida. Às vezes sim, às vezes não. Da mesma forma que "baladeiro". Que médico. Que padre. Da mesma forma que todo ser humano.
A questão é buscar ter mais vida do que menos. Saber quem somos, do que gostamos de fazer e também do que não gostamos ou devemos evitar.
Vida é isto. É felicidade. Algo instável e difícil de manter estável.
Mas existente. Gamer ou não-gamer.
sábado, 25 de novembro de 2017
Apresentação
Não faz muito tempo que o então Ministro da Cultura Gilberto Gil adicionou o videogame/game/jogo eletrônico na lista daquilo que pode ser considerado expressão artística - vulgo, arte.
E da mesma forma que vemos por aí as tipologias mais antigas (como a pintura) e intermediárias (como o cinema) cheias de reflexão, análise e crítica, eu, como gamer, sempre achei que os games mereciam exatamente o mesmo tratamento.
Neste blog, quero buscar fazer questionamentos dos quais os gamers ou e principalmente seus analistas e críticos não fazem; quero pensar a respeito do que é um game e o que nos faz apreciá-lo - o que estaria por trás disso, tanto nele quanto em nós, como seres humanos. Quero uma autêntica filosofia (ou mesmo, psicologia) sobre games. Assim, usando minhas (ou nossas, deveria dizer) ferramentas de conhecimento, que vão do espiritual e mitológico ao científico.
Mas antes, permitam-me me apresentar, tanto como pessoa, tanto como gamer.
Me chamo Jean Klement Fernandes. Nasci no ano de 1990 e sou formado em psicologia. Ganhei meu primeiro console aos quatro anos de idade, comprado pela minha madrinha - nosso querido Super Nintendo. Por consequência, o primeiro game que joguei (e adorei!) foi nosso também querido Super Mario World. Obviamente, depois as coisas foram mudando, com o tempo e as experiências, mas a primeira acho que é a que a nunca esquecemos, certo?
Em seguida, ganhei um Nintendo Entertainment System (em forma de Dynavision, infelizmente), o que pode parecer estranho, pois regredi uma geração. Mas foi assim - e vou dizer, enquanto o jogava, nem sentia tanta falta do SNES ou pensava em sua "capacidade gráfica", afinal, eu era uma criança (ou mesmo, na época isso nem importasse tanto). Logo em seguida, depois de um tempo com o NES e principalmente tendo experiências que não eram de meu poder, jogando em aparelhos que não eram meus - Arcade, Playstation e Nintendo 64, recebi o veredicto: ganhei mais ou menos aos oito anos um Playstation (depois de uma "volta" ao SNES). E então segui por este caminho por mais uma geração, comprando um Playstation 2.
É importante citar que tive também o que posso chamar de "experiências paralelas" antes e depois do PS2, no caso, um Game Boy Color e meu primeiro oficialmente PC Gamer. Em seguida já ganhei o meu segundo, ficando assim um certo tempo de novo afastado dos consoles. Foi então que resolvi voltar e mais uma vez, "virei a casaca", como posso dizer, comprando um Xbox 360. E neste caminho continuei até há um pouco mais de um ano, quando, de novo, segui pelo mesmo caminho, comprando um Xbox One - meu console e "realidade gamer" atual.
Como se pode notar, tive experiências pelas três maiores empresas do mundo gamer atual. Em relação a história em si, das empresas que realmente conseguiram lançar consoles de sucesso, a única que não visitei foi a Sega - que infelizmente ou felizmente, hoje, todos nós gamers praticamente podemos desfrutar. Também faço questão de citar a SNK, empresa que tive e estou tendo experiências muito boas, com suas franquias - o que certamente nos leva a crer que muitos foram felizes com seus consoles da série Neo Geo.
Além disso, também fui PC Gamer e jogador de "videogame portátil", me sentindo, como posso dizer, alguém que navegou por praticamente todas as "águas gamers". O tipo de plataforma que menos joguei foram os Arcades, provavelmente devido a sua diminuição de popularidade com a chegada dos consoles no Brasil (sei que no Japão são febre até hoje), além de questões como os mesmos terem em pequena quantidade em minha cidade. Assim, tenho alguma propriedade para falar sobre o assunto. E para ser justo comigo e com vocês, confesso que as formas mais modernas de jogar, realidade virtual ou movimentação, acabei não experimentando - gostaria, mas mais pela experiência pois não me parecem promissoras.
Não me considero um grande jogador, do tipo que terminou centenas de games ou possui técnica em nível de competição profissional. Sou apenas um degustador das partes de um game das quais eu mais aprecio. Você já se fez esta pergunta? Do tipo, "o que é o mais importante em um game para mim?". Bom, no meu caso, em nível geral e observando meu histórico, acredito que seja justamente esta parte mais teatral dos games - o enredo, o carisma dos personagens e as músicas. Muitos podem responder que é simplesmente a diversão, mas tenho certeza que nosso conceito de diversão é único e pessoal.
Me lembro de games que joguei que deixavam muito a desejar no aspecto técnico - citando um que joguei no PC, o desconhecido Blair Witch: The Elly Kedward Tale - mas que conseguiam me prender de uma forma que aclamados como Black do PS2, não. Este game, Blair Witch, era horrível tecnicamente. Mas a história do game, então aterrorizante, sua trilha e seus cenários fizeram com que o jogo me marcasse. Tanto que estou falando sobre ele hoje aqui.
Quanto aos assuntos mais contemporâneos: youtubers e jornalistas, guerra de consoles e etc, sinceramente, não são algo que, de fato, mexem comigo ao extremo. Obviamente, o que irei escrever irá se basear mais nas experiências que tenho com o Xbox One, assim como o passado. Ou mesmo este momento (pegando as duas últimas gerações) de remakes, relançamentos e remasters, onde podemos vivenciar experiências antigas através do novo. Recentemente, descobri velhas franquias que não havia jogado na época (ou jogado pouco) e as experiências com elas estão sendo bem positivas. Citando algumas: The King Of Fighters, Fatal Fury, Virtua Fighter, Soul Calibur, Metal Slug e vai por aí. Um salve para a retrocompatibilidade e para a "filosofias dos remakes" - questionada por tantos, mas que particularmente, aprecio.
A série que hoje posso chamar de "minha preferida atual" (afinal, posso dizer que já foram várias no passado), também descobri há menos de um ano, no caso, Assassin's Creed. Tenho jogado e terminado todos os games da série principal desde então - mais uma vez provando que o que mais importa para mim é a parte artística do jogo e não necessariamente a parte técnica. Atualmente estou no Syndicate, de onde vou diretamente para o Origins, que já faz parte de minha coleção.
Repararam já que temos épocas de games e franquias favoritas? Comigo foi assim. Comecei com Mario, depois fui para Mortal Kombat, PES, Pokémon, Tomb Raider, God of War e outros tantos que me não me lembro neste momento, até chegar em Assassin's Creed - uma verdadeira linha do tempo. Às vezes deixamos de gostar do que gostávamos, às vezes somente diminuímos a intensidade. Acredito que isto tem uma grande relação com o momento pessoal do qual passamos em nossas vidas.
Enfim, não quero estender demais o texto, mas acho que já deu para perceber que busco refletir sobre assuntos que a maioria dos gamers não reflete - ou não de maneira consciente. Quero nos fazer entender o que nos faz amantes deste hobbie (ou trabalho para alguns).
Se você quer mergulhar neste universo filosófico, leitor gamer seja muito bem-vindo! Espero poder contar, tanto com suas leituras quanto com o feedback para que o blog possa ter algumas visualizações - ainda que estejamos mais na era dos vloggers.
Obrigado e nos vemos no próximo texto.
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