Este título parece um tanto quanto inusitado, já que falamos de uma forma de lazer.
Mas sei que para ir para a praia é necessário dinheiro, planejamento e o próprio esforço braçal de fazer as malas. Para se chegar ao lazer, quase sempre é necessário o compromisso. Como não dormir até ao meio-dia quanto você está na praia e deixar de aproveitá-la!
Não vou julgar o gamer casual e seu FIFA ou Call of Duty e seus 45min de jogatina três por semana. Mas falando de FIFA, do qual fui jogador assíduo, posso garantir o quão agradáveis algumas sensações são: fazer seu time progredir no modo Carreira, fazer seu time subir de divisão online ou mesmo montar uma seleção de estrelas no Ultimate Team. Para mim que vos escreve, isso vale muito mais que apenas jogar um Real Madrid contra Barcelona ao fim do dia.
Estamos em 2017. Ganhei meu primeiro videogame em 1994. Posso afirmar que foi esse ano que descobri o que é jogar de verdade PARA MIM. Triste, mas ao menos descobri.
E no que se resume esta descoberta? Simples: quando eu inicio um game e gosto dele, isto me dá a obrigação de jogá-lo até o fim. O resultado foi que, provavelmente, no ano de 2017, terminei mais games do que em toda a minha vida. E claro, existem formas de jogar que "não são termináveis", mas que sua jogatina também pode se basear em uma forma de progresso. Halo e Battlefield, por exemplo. São games que presenteiam com medalhas os melhores jogadores, sejam de single ou multi (fora os registros de estatísticas ou títulos de campeonatos online ou profissionais). Aí que entra a palavra que define tudo: progresso. Acredito que isto se aplique até fora do videogame, na vida - mas este é assunto para meu outro blog.
Mas gostaria de falar sobre meus erros, enquanto jogador. E que este relato respingue naqueles que, por algum motivo, gostariam de jogar mais, mas assim não o fazem.
Era exatamente isto que eu fazia, principalmente no Xbox 360. Tudo bem, foi uma época de muitos acontecimentos extra-game para mim, mas assim como a atividade física, isto não é desculpa. Lembro de ver a notícia na internet de tal jogo saindo, ir comprá-lo, começar a jogar e no total, dificilmente chegava até a metade do jogo. Por que? Porque era melhor jogar FIFA ou PES sozinho ou com os amigos ou assistir videos no Youtube. Por que diabos comprei o jogo então? Tenho a vergonha de afirmar que possivelmente não terminei NENHUMA campanha no 360, pois acho injusto considerar coisas como o "Modo História" do Mortal Kombat 9 ou do Injustice. Graças ao Universo, a retrocompatibilidade do Xbox One me salvou e hoje, pelo menos dessa geração, estou me compensando. Sempre compro, jogo e TERMINO tantos títulos de 360 quanto One. Vivo duas gerações em uma.
Nas gerações anteriores foi um pouco diferente - tentando não ser injusto comigo.
Terminei diversos games no SNES, no PS1, no PS2 e no Game Boy Color. Mas parece que tudo estava entrelaçado com a idade: quando somos muito crianças, dificilmente temos compromisso ou habilidade para terminar um game. Mas quando vamos a adquirindo, na faixa dos oito ou dez anos (de minha geração, hoje, provavelmente antes) as coisas vão fluindo. Lembro de ter terminado grandes títulos - Pokémon Vermelho e Pokémon Silver terminei mais de uma vez, assim como Zelda: A Link to the Past e Super Metroid nos Nintendo. No PS1, porém, já tenho menos lembranças - posso citar Castlevania: Symphony of the Night, do qual me lembro. E no PS2, Resident Evil 4 e os dois God of War - não creio ter feito muito mais além disso. PC me recordo apenas de Fable.
É. Realmente quando vamos entrando no coração da adolescência, temos muitas coisas a descobrir. Mas não creio que isto nos impeça de sermos grandes ou bons gamers. Trata-se de uma simples questão de compromisso. Quando falo compromisso, não é vício - muito pelo contrário. É antes de comprar aquele game caro novo, você terminar aquele caro anterior que você estava jogando. E se está complicado, está sem vontade ou estímulo, recomendo jogar junto com este título grande, um de menor expressão, do qual vá mostrando mais rapidamente o quão você está progredindo. Isto ressoa quase como uma "autoestima virtual". O jogo pequeno e seu progresso nele vão lhe dar o boost que precisa para encarar o grande. Pelo menos comigo é assim. Até mesmo nos livros eu funciono assim.
Vou encerrar o texto com uma crítica. Talvez ela seja até injusta, mas não importa. Estou aqui para fazer os gamers pensarem.
De que adianta fazer como eu fazia? Comprar, comprar e não jogar? Ou jogar andando em círculos, como trolls de multiplayer fazem - além de atrapalhar os outros, sua própria jogatina não tem sentido. Claro, você pode me dizer que jogar é diversão e se seu acho divertido ficar pulando sem parar no mesmo lugar na primeira fase do Super Mario World (sei que isso não tem como porque o tempo acaba, mas segue o raciocínio) por seis horas, devo ser respeitado como gamer (embora creio que "respeito" não seja exatamente algo que um gamer busca), concordo que é um direito todo seu. Apenas para mim não possui lógica. Talvez seja algo da personalidade, da fase da vida que vivemos. Uns buscam diversão, enquanto outros buscam progresso - jogar muitas vezes é o reflexo de nossa própria vida real e do que realmente desejamos.
Então, meus amigos, cada gamer tem seu jeito de jogar e todos devem ser respeitados. Exceto aqueles que atrapalham ou trapassam - que causam sofrimento a alguém.
Mas a minha a forma de jogar, neste momento da minha vida é essa - progresso. Seja através do término de jogos, ou mesmo da gamerscore, sentir a vitória REGISTRADA depois de um grande esforço, é algo um tanto quanto estimulante. Algo que não tínhamos gerações atrás, onde não podíamos provar o que jogamos ou deixamos de jogar. Hoje é diferente. Claro, ninguém é melhor por ter mais games terminados, gamerscore ou horas. Mas se trata do nosso orgulho pessoal - que reflete no coletivo. Por isso, deixo a minha mensagem aos gamers dos quais, creio eu que não vão se arrepender.
Terminem seus jogos. Comprem com moderação - o consumo deve ser baseado no quanto você já terminou dos seus. Ou vira um capitalismo selvagem - sem sentido.
Como o troll. Como o cheater.
Progresso. Sempre.
Não vão se arrepender. Prometo.
domingo, 31 de dezembro de 2017
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