Talvez nem caiba em apenas um texto.
Para quem não sabe, além de gamer, sou psicólogo. Se quiser visitar meu blog sobre psicologia, basta procurá-lo aqui em meu perfil Blogger. Estou dizendo isto porque este texto há de sair um pouco dos termos tradicionais sobre videogames. De hardwares, Marios e Phil Spencers vamos para o cérebro, comportamento, cultura, questionamentos. E lá vamos nós.
Nós gamers, nerds, otakus e tantas demais "classes" com vínculo à arte contemporânea e globalizada estamos, não exatamente acostumados, mas sabemos como as culturas e tradições nos vêem - estranhos, virgens, loucos e derivados. O motivo já foi dito - nossos comportamentos vão contra àquilo - o tradicional, o ligado às raízes de onde nascemos e crescemos. Isto porque nos expusemos à informações que vão além dele, nos identificando e preferindo elas do que as mais cultuadas de onde vivemos. Desta forma, por mais que em nível psicológico e social sejamos "pessoas normais", não somos vistos exatamente desta forma. Somos taxados de "algo inferior", tal como um "forasteiro" em um país estranho, afinal, muito de nossos hábitos não são compreendidos. Assim, mais fácil inferiorizar do que compreender. O "novo" sempre foi tratado desta forma pelo ser humano - basta conferir a História.
Então entra você, gamer, que prefere jogar videogame do que atividades tradicionais de sua sociedade - por exemplo, jogar futebol. O mesmo vale para regiões e também outros países - o indiano que joga em lugar de praticar hinduísmo; ou o nordestino em lugar de dançar forró. Pequenos costumes que acabam sendo suficientes para acontecer o desprezo da sociedade. Dentre estes "tipos de desprezo" está aquele famoso, que diz que o sujeito envolvido com tecnologia e relativos "não tem vida", afinal, grande parte das horas de seu dia estão envolvidas com o "virtual", em detrimento do "real".
Provavelmente você, gamer e/ou nerd já refletiu sobre isto. Se está "vivendo de verdade".
Aqui chegamos em um ponto em que as variáveis se multiplicam infinitamente. Para a biologia, por exemplo, certamente você está vivo jogando videogame - assim como para as neurociências, linhas de pensamento mais exatas e científicas, pois vendo por este ponto, a pergunta é absolutamente idiota - mortos não têm o coração batendo e nem se preocupam quando certo game vai ser lançado. Porém, o folclore da sociedade, ao lançar esta afirmação e devido à sua popularidade, certamente propõe que se faça alguma forma de reflexão sobre ela - mais subjetiva, mais forte, mais propriamente "viva" que a da ciência.
Talvez viver não seja simplesmente estar vivo biologicamente. Reflexão bem comum.
Pessoas com problemas emocionais tecem nos consultórios de psicoterapia, esta sensação com regularidade - a de se sentir que "não está vivendo". Outras formas de arte, como a música e a pintura também vão no embargo deste conceito como inspiração e expressão - o "morto-vivo". Desta forma, querendo ou não, este símbolo faz parte da humanidade e não podemos simplesmente fugir dele usando respostas científicas.
Por que o "não-gamer" tem vida e o gamer não?
Quantitativamente falando, como já dito, a resposta mais padrão talvez seja a questão do comportamento. Eles são mais tradicionalistas de acordo com suas nações e cidades enquanto nós parecemos estar mais "globalizados", por assim dizer. Mas esta é uma análise mais social. É preciso também fazer a reflexão individual.
O que é estar vivo?
É uma pergunta de infinitas respostas, mas acredito, me pondo no lugar de um "crítico do comportamento gamer" que comece, por exemplo, pela questão social. O conceita de vida (que se aproxima muito com o de "felicidade) é algo como "ter sucesso nos relacionamentos" - sejam familiares, amigáveis e amorosos. Numa outra situação comparativa, o gamer está jogando seu game, enquanto o não-gamer está participando de eventos sociais - seja com a família, com os amigos ou com os parceiros amorosos. Dentre estes tipos de relações, certamente a que mais mexe conosco, culturalmente falando, obviamente é a sexual. Assim o termo "virgem" e relativos é atrelado comumente aquele que vai menos em busca desta sensação. No entanto, pesquisas científicas recentes mostram que as coisas não são bem assim. Não são mesmo.
Primeiramente vem a questão dos tipos de relacionamentos - posso ter uma vida conjugal extremamente satisfatória e calma e uma infernal vinculada à família - pais, avós e tios, no caso. Tudo depende da individualidade, do momento da vida, etc. Segundo que existem pesquisas que apontam que relações virtuais, sejam artísticas (como um game) ou humanas, podem trazer sensações e sentimentos em níveis tão grandes quanto o chamado "real". Repetindo: tudo depende da individualidade, do momento, de tantas coisas.
Assim, acredito que a melhor conclusão de todas, seja de estar vivo ou de se gamers têm vida, está atrelada individualmente a como você está se sentindo diante de sua rotina. Hoje jogar pode ser uma fuga do sofrimento, amanhã uma diversão como qualquer outra (como ir a uma festa). Isto também se liga a meses, anos e até mesmo vidas. Você está insatisfeito com sua vida de gamer? Então talvez você não esteja tendo vida mesmo. Você está feliz? Você está tendo vida. Tudo se baseia na questão da satisfação pessoal - e esta não tem padrões e nem culturas. Há pessoas felizes passando fome e depressivas em mansões. Isto sem falar na questão do tempo, do período, já mencionada.
Logo, gamer sim, tem vida. Às vezes sim, às vezes não. Da mesma forma que "baladeiro". Que médico. Que padre. Da mesma forma que todo ser humano.
A questão é buscar ter mais vida do que menos. Saber quem somos, do que gostamos de fazer e também do que não gostamos ou devemos evitar.
Vida é isto. É felicidade. Algo instável e difícil de manter estável.
Mas existente. Gamer ou não-gamer.
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