domingo, 24 de dezembro de 2017

O Dinheiro do Gamer

Cá estou eu trazendo mais um texto, uma temática, ligado aos preconceitos cotidianos vividos pelo gamer e seus equivalentes - nerd, otakus, metaleiros, hipsters, praticantes de religiões não-cristãs ou qualquer forma de vida considerada afastada demais da cultura tradicional brasileira.

Pobre ou rico, a história é sempre a mesma: o dinheiro não deve ser investido em games.

Por que? Porque ele deveria ser investido em qualquer coisa mais aproximada da cultura - casa, carro, viagens, roupas e (estranhamente) até mesmo smartphones. Parece um completo absurdo psicótico que R$ 250,00 sejam investidos em um jogo ou R$ 2000,000 em um console - que dirá entre R$ 3000,00 e R$ 4000, 00 nos modelos premium, os últimos. Isto também pode se aplicar em um PC Gamer, com quantias ainda mais exorbitantes.

Mas qual o problema? De certo modo, não está certo?

Veja bem, meu camarada. Se o dinheiro é seu você faz o que bem quiser. Quanto quiser e quantas vezes quiser. Chama-se liberdade, instituída pelo que conhecemos como democracia. Investir em games não é crime até onde sei. Mas então vem você, o "pregador da moral" e diz para mim que se moro com meus pais eu deveria investir este dinheiro em uma casa. Ou se não tenho um carro, deveria investir em um.

Aí eu pergunto: por que? Porque você acha o certo? Porque seu pai te ensinou? Porque está escrito na Bíblia? Mas e o que eu acho certo? E o fato de o dinheiro ser meu? E o fato de ser minha vida? A discussão acaba aqui (eu acho).

Sim, talvez como seres humanos que nos preocupamos com nosso próximo, talvez não seja a melhor opção investir em games quando podemos ajudar mais nossa família, se ela está com necessidade - algo básico do senso moral humano. Mas se vou ajudar ou não vou, quem paga a pena é a minha consciência, não a sua. Esta é a grande vantagem do trabalho - tecnicamente, penso eu, se você o fez com dedicação e esforço por trinta dias e resolver jogar seu dinheiro em um bueiro, este direito é todo seu.

Infelizmente, esta não é a situação de uma boa quantia de gamers.

Muitos de nós não dispõem - porque motivo que seja - de uma carteira assinada suficente para nos dar este ganha pão - do tipo sustentarmos nossa casa, filhos e ainda sobrar dinheiro para um joguinho ou console. Acabamos por depender de outras pessoas - quase sempre, os pais. E obviamente que o dever de um pai é educar seu filho para que tenha sucesso na vida. Porém, será que um pai que dá dinheiro para seu filho comprar games todo mês é um pai melhor daquele que diz que isto é errado e o "incentiva" a trabalhar? Acredito que depende da forma de incentivo. Este é o motivo das aspas.

Pressão e alegação de "certo" e "verdade absoluta" não colam. É preciso argumentar, dialogar. Isto popularmente se chama "inteligência".

Acredito, repetindo, que o incentivo da autonomia de um filho sempre é o melhor caminho. Mas sendo da forma da qual eu expliquei. Um pai que dá tudo sem pestanejar é apenas uma espécie de fugitivo - fugitivo de sua obrigação de ser pai. Aqui também entra a questão do equilíbrio - por que não pode haver o game, como o incentivo? Ou mesmo o game como "prêmio" pelo esforço do filho? São apenas sugestões, pois não há uma fórmula mágica. O básico, a essência, eu já afirmei - como aplicá-lo, é preciso ter criatividade. E todo pai bom e presente sabe como fazê-lo.

Mas voltando para a outra situação, aquela do qual você é dono de seu dinheiro e tem sua carteira assinada.

Cadê sua namorada? Quando vai se casar? Cadê seu carro ou quando vai trocar o seu?

Querendo ou não, a tradição é tão forte quanto a contracultura. Por vezes, uma sempre acaba engolindo a outra. Para mim parece que nesta disputa, a tradição sempre vence, pois sempre me identifico mais com o "contraculto" - está lá, vivendo sua vida de boa, comprando o que quer, não sendo um delinquente, quando aparece alguém - muitas vezes, um estranho, colega de faculdade ou trabalho - que quando vê suas ações, sempre resolve lhe dizer o que fazer com um tom opressor.

Engraçado que eu pouco vejo isto do lado contrário.

Ou por acaso você já viu alguém que vai namorar ouvir de seu colega ao lado: "não faça isso, está errado, compre e jogue videogames", com um tom irônico de superioridade em seu rosto? Obviamente que isto já pode ter acontecido, mas definitivamente não em uma escala quantitativa significante - não ao ponto de ser chamado de "cultura". Está muito mais para "acaso", "exceção".

Eu sei lá.

O pouco dinheiro que ganho, sinto que devo gastar naquilo que me convém, afinal, é meu dinheiro. E de certa forma, consigo ver que até como a forma como o ganhei é irrelevante nesta decisão - mesmo se meu pai me deu, afinal oras, é meu. Se a mim é dado dinheiro mas o destino deve concordar com a vontade do cedente, para mim, deixa de ser meu - é apenas como um trabalho de mensageiro, no qual devo levar certa carta a alguém, que pela específica vontade do remetente.

Então, em nome dos gamers, peço sociedade:

Não nos encham o saco com o que gastamos e deixamos de gastar. Tirando a exceção do incentivo da autonomia de nossas famílias (repetindo, nossas famílias ou no máximo por aqueles que amamos e admiramos), não venham dar opinião sobre no que eu gasto meu dinheiro e até mesmo no que eu faço ou deixo de fazer - principalmente se assim eu não fizer com você. Cada um cuidar de sua vida e ter bom senso das coisas, do que representamos em nossa sociedade, seja para nosso pai, chefe ou colega é o autêntico gerador do sistema de harmonia. Bem como tece Confúcio, filósofo chinês.

Aprendamos a assim mais ser.

Eu com minha vida.

Você com a sua.

Simples assim.

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