Como psicólogo e gamer, muitas vezes consigo fazer analogias de minhas próprias sensações corporais em relação ao jogar e nisto produzir um material que pode ajudar quem me acompanha, tanto no consumo, quanto na própria qualidade de vida - leia-se aqui, satisfação com os produtos que compra.
Lembro da Microsoft ter liberado versões "closed" de Sea Of Thieves para os Xbox Insiders, das quais fui lá e tive experiências com o jogo. E uma mesma história de minha vida se repetiu. Contarei depois.
Depois de ver "fulano youtuber" ter falado "x" e "y" sobre o jogo, fui lá e adivinhem que impressões eu tive? Exatamente estas impressões "x" e "y" que ele havia descrito. A lógica é você pensar: "Uau, esse fulano entende mesmo de games!", certo? Pois é. Porém é em situações como estas que esquecemos de um fator crucial para que aproveitemos bem nosso produto: nossa individualidade.
Basicamente então, "desisti" de SoT. Desinstalei o jogo, fui para novos ares. Quando tive oportunidade de jogar a versão final, sequer fiz questão - minha opinião já estava formada e acabou. Que dirá em relação à data de lançamento, vendas, reviews e vai por aí. Até o "algo que já havia acontecido comigo uma vez" aconteceu de novo e conseguiu mudar completamente minha opinião.
Jogar. Mas eu digo jogar de verdade.
Apareceu então meu primo com o jogo, todo empolgado para jogarmos em multiplayer. Ele tem treze anos, eu, vinte e oito e uma das coisas que sempre faço é "ceder" (no sentido de jogar o que eu não quero) só para incentivar o moleque a jogar videogame - coisas de "tiozão". Fui lá e comecei a jogar, meio desanimado. O resultado foi que nenhum jogo do qual eu me recordo recentemente fez eu me divertir tanto quanto Sea of Thieves.
E aqui entra todos os quesitos: gráfico, jogabilidade, diversão (leia-se aqui humor e risadas) e até mesmo a tal "imersão" - eu realmente sentia que "estava no mar", assim como realmente "sofria" com os perigos e suas expectativas como naufrágios e tubarões. O trabalho em equipe era algo crucial. Quanto melhor agíamos em dupla, mais sucesso tínhamos nos objetivos do jogo, tão criticados, mas dos quais é necessário a obtenção do sucesso nos mesmos para se compreender.
E então finalmente revelo a vocês o tal "fato que já havia acontecido comigo": às vezes nós temos determinada experiência com algum jogo - criamos uma opinião sobre ele depois de jogarmos por algum tempo. Esta opinião pode ser negativa. No entanto, acredito que para que essa opinião seja realmente pertinente e não deixemos escapar um tesouro valioso de nossas mãos, são necessários duas coisas: uma "mente limpa", juntamente com uma "devida compreensão".
Vou explicar o que seriam estes itens.
Devida compreensão é você literalmente compreender a essência, o TODO, o sentido que o jogo propaga. Em resumo, você precisa APRENDER A JOGÁ-LO - e isso não se baseia em "saber o que cada botão faz". E isso você não vai conseguir em 15min - possivelmente nem em 1h. É um processo que exige mais do quão do imerso você está no jogo do que necessariamente em tempo, algo mais psicológico, embora o tempo de jogo também possa ser um bom item de entrada nesta imersão. E aqui entram fatores que normalmente os gamers não observam em si-mesmos antes de começar a jogar qualquer jogo, dentre eles, seu próprio estado emocional e mental.
Não adianta. Se você chegou em casa estressado do trabalho, só querendo sua partida de FIFA ou Call of Duty para relaxar, é natural que você ache um The Witcher 3 uma merda - não afirmando também que você TEM QUE achar ele sensacional. Nós apenas não admitimos isto. Por que? Aqui entra diretamente o segundo conceito, a "mente limpa".
Aqui entra a diferença entre eu e meu primo. Para mim, Sea of Thieves era um game que um youtuber tinha tecido a opinião dele sobre, fui lá e "acabei vendo a mesma coisa". Para meu primo, era um game que ele "nunca havia jogado" e ele só sabia que estava sendo muito falado a respeito. A opinião dele, tirando a parte do hype, era nula - ele não tinha um conceito de "bom" ou "ruim". Devido a esta "mente limpa", ele conseguiu absorver fatores do jogo que eu não consegui de primeira, pois estava "intoxicado" pela opinião de outra pessoa - e isto pode se aplicar à qualquer experiência na vida, não só em games.
Por isto é importante a prática do questionamento, a mentalidade aberta, a boa saúde mental e até mesmo esta "distância" da opinião alheia quando vamos ter experiência com algo. Diferente do que pensamos, não, saber a opinião do outro não é algo bom! É um verdadeiro "material tóxico" que destrói nossa experiência individual, pois propaga nela um "vírus" de uma individualidade que não é nossa!
Por isso, eu deixo um recado à todos os gamers, inclusive os youtubers e jornalistas, que "precisam" criar opiniões sobre jogos: não se baseiem na opinião de ninguém, não joguem quando não quiserem jogar, estão estressados ou simplesmente querem jogar outra coisa - a experiência legítima de vocês com o jogo será prejudicada ou pior, falsificada. O gamer consumidor jogará seu dinheiro fora e o youtuber/jornalista propagará uma informação "falsa" que terá um ímpeto mais negativo do que positivo.
Não precisamos de informações para jogar, se não aquelas que o próprio console já nos dá - gênero, número de jogadores, imagens, videos, demos e até versões avaliação. Outro fator que realmente nos faz lavagens cerebrais são esses outros aí: notas, vendas, números...eles não dizem nada que realmente importa, a menos que você trabalhe com o mercado gamer. Tua experiência com teu jogo, como eu falei, é algo único e individual. Se você quer conteúdo gamer na internet, busque gameplays mudas ou narrativas, artigos que falam mais de informações técnicas (como as que o console já traz) e vai por aí. Mas o principal é jogar. Jogar de verdade, de alma limpa.
Sem ter assistido. Sem ter lido.
sexta-feira, 4 de maio de 2018
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